sábado, 21 de setembro de 2013

A viga

         
                             


                                                   A viga

Meu sonho era voar, ser asa de avião, mas a vida fez-me concreto
Assim me conformo em viver buscando apoio, pilares e outras vigas
Quando muito fico amostra, em marquises sublimes, cobrindo mulheres elegantes
Mas o certo é o trabalho de vencer vãos e ser esquecida nas paredes

Sou forte e valente, se me curvo é diante da missão de ir mais longe
Não tenho medo, só não gosto quando me furam para os tubos
Gosto de ser bem nutrida e tomar banhos ao nascer, sempre
Quando molhada eu respiro melhor, e vou, gota a gota, ficando adulta, feita


Não gosto de ficar solteira! Quero companhia e trabalhar em conjunto, sou roqueira
Na minha banda todos me valorizam, pilar na bateria, laje na guitarra e sapata no baixo
Só não gosto de carregar o conjunto nas costas! Nada de transição! Missão dolorosa
Aceito, por vezes a ajuda eficiente de uma orquestra: a protensão, ganho fôlego!

Sou a estrutura mais linear de todas! E fico bonita à vista e em curvas
Sou uma mulher e por isso exijo respeito! Cuidem de mim!
Sou viga e dou vida em quem se apoia em mim


Mas, na verdade, meu sonho era ser asa de avião...

3 comentários:

  1. Parabéns Roberto, engenherio e poeta como o grande Joaquim cardoso!

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  2. Obrigado prima! Quem dera ser 10% do fabuloso Joaquim Cardoso... Beijo grande!

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