segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Poema da depressão

 Poema da depressão 


Cai no buraco invisível 

Tão fundo quanto meu desespero 

As paredes escorregadias 

As mãos mais que frágeis 

Escorregando 

Fui adentrando dentro de mim 

Lá no fundo não havia fundo 

O fim não era o destino 

O trajeto sim

Assim descobri a depressão 

Que não é nada em vida

Já que lá no poço não há vida

Nem ninguém vai me notar

domingo, 1 de dezembro de 2024

A falta do nada

 A falta do nada


Que falta faz o oco do tempo 

O vazio absoluto por dentro 


Olhar atravessado pra feiúra do umbigo 

E descobrir que o dedo mindinho é nada


Olhar no céu o bailar das nuvens 

Fechar os olhos na sombra da mangueira 

E lá ouvir a sonata dos passarinhos 


Pisar no chão de terra e esperar a chuva

Rir da besteira que é rir sozinho 

E depois rir de novo 


Só, e caminhar com sua sombra 

Tentar correr dela


Chupar uma manga no pé 

E, sem querer, pisar em uma formiga 


Ser gente por pouco tempo 

E depois voltar a ser gente sem tempo 


sábado, 30 de novembro de 2024

O susto

 O susto


O susto é irmão do medo

Eles andam juntos, em silêncio 

Procuram a dor 

Ao ver ela o susto corre

O medo cresce 

E o incontrolável acontece



Alegre ou palhaço

 Alegre ou palhaço 


Se você é alegre, cuidado

Se você é palhaço não tem volta

Se você ama muito é alegre

Se ama demais é palhaço 

Se conta piadas é alegre 

Se a piada é você: palhaço 

Se pensa pouco fica alegre 

Se pensa demais é um palhaço chorando 

Se não sabes rir serás triste 

Se ri demais serás um palhaço triste



quinta-feira, 28 de novembro de 2024

O sono dos inocentes

 O sono dos inocentes 


Se você puder, veja uma criança dormindo 

Ao chegar junto ao berço observe

A respiração cadenciada

O silêncio profundo 

Tente reparar no anjo da guarda 

Também ele dorme

Não tanto, afinal ele trabalha 

Então reze por eles

E, nesse momento, conhecerás 

O sono dos inocentes

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Sapata

 Sapata


Vivo no chão 

Tenho vocação para ser uma pirâmide 

Mas me jogam no chão 

E, pior, me enterram!

Me finjo de morta...


Quando o prédio trinca a culpa é minha 

Vida de sapata não é fácil não 


Suporto tudo sobre o solo

Já o solo, ele não me ama, muita pressão 


Assim, vivemos esse casamento, eu e ele

Até que o dono do terreno nos separe

domingo, 24 de novembro de 2024

Laje nervurada

 Laje nervurada


Sou diet e sou linda

Cheia de curvas, alta e magra

A Gisele Bündchen das Lajes

Gosto de aparecer 

Sou inteligente 

E posso te fazer contente 


Roberto Solano