segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O beijo roubado

 O beijo roubado 


O beijo roubado não merece pena

Tenho pena de quem nunca o provou

É o beijo que tem mistura 

Meio ingênuo, meio maldoso 

Mas, sobretudo, gostoso



Morrer de amor

 Morrer de amor 


Morrer de amor é morte homeopática 

A dor vem calejada e diária 

Uma sensação de frio invade o coração 

Você vai morrer continuadamente 

De uma dor que ninguém sente

Que apavora a mente

Dor de amor doente




Quando a chuva chora

 Quando a chuva chora


A chuva tem sentimentos e chora

Um choro lento, afogado em mágoas 

Por isso a chuva não para

É a chuva triste, encharcada de dor

Chuva não de vento

Chuva de amor

Mulher, você ama demais

 Mulher, você ama demais 


Mulher, você ama demais 

Esse é o seu pecado 

Amor abundante, deslumbrante 


Amor demais pode matar

Amor demais pode marcar

Amor demais vai transformar 


Sim, meu coração vagabundo 

A minha incapacidade de amar

A minha cegueira 


Perdoa-me 

Perdidamente, perdoa-me 

Meu pecado é não saber amar

Mulher, você ama demais




domingo, 13 de setembro de 2026

Queria ser

 Queria ser


Eu queria ser um Neruda

com um pouquinho de Vinicius.

Não dar tanta Bandeira

como o Manuel.


Talvez recatado

como o Drummond,

e filho do Carlos, que Pena.


Ser gentil na Quintana

do Mário,

e da Dolores ter

a paz de criança dormindo.


Queria tanto ser poeta

e saber do amor falar

e, quem sabe,

te enganar.

Rua da certeza absoluta

 Rua da certeza absoluta 


Tenho certeza absoluta que ela existe 

Na rua da certeza absoluta só mora gente chata

Pessoas tão certas que não há conversa 

Todos sabem demais 

Lá mora o dono da verdade 

Num casarão imenso, sem cor

Muita gente tenta falar com ele 

Mas, tenho certeza absoluta que ele é mudo



Rua da amizade

 Rua da amizade 


Na rua da amizade os vizinhos se entendem 

Não há discussão, só apertos de mão 

A rua da concórdia fica ao lado 

As pessoas se abraçam permanentemente

Há sorriso, mesmo nos dias nublados

Meu maior amigo mora lá 

Casa número dez, ao lado da igreja 

São Cosme e Damião