Dizer que te amo
Queria dizer que te amo
Não da boca pra fora
Do coração pra dentro
Não com flores nas mãos
E sim passeando na tua emoção
Não com promessas eternas
Sim com a certeza do amanhã
Dizer sem dizer
Telepaticamente
Na vida o mais importante é o desejo, é o oxigênio das realizações. a imagem de colher a flor sempre me marcou. A flor é, e deve ser, sempre intocável, linda e viva. Sempre amei as Camélias, elas me ensinaram que a sensibilidade é algo para ser sentido e perseguido a todo momento. Não colha a flor, alimente-a, regue, reze por ela, deseje-a, faça disso uma regra, e se possível use-a para os homens!
Dizer que te amo
Queria dizer que te amo
Não da boca pra fora
Do coração pra dentro
Não com flores nas mãos
E sim passeando na tua emoção
Não com promessas eternas
Sim com a certeza do amanhã
Dizer sem dizer
Telepaticamente
Angústia
A angústia tem sabor amargo
Vem de dentro até a língua
Não se adoça, nem com mel
Não cessa nem com beijo
Arde e invade a mente
A angústia pode virar agressão
Por vezes vira ódio
Outras vezes um choro imenso
Angústia só tem cura com
Colo
E
Perdão
A pior fuga
A pior fuga é de si mesmo
Na embriaguez do amor impossível
Na procura do milagre no jogo
Se sentir só e continuar mal acompanhado
Se olhar no espelho e ver outro
Não saber que tu és ao acordar
Não pedir ajuda se afogando em mágoas
Fugir do seu eu verdadeiro
É
Morrer antecipadamente
Mulher de curvas, eu escorrego meus olhos em ti
Por vezes tento parar e não consigo
São curvas, tantas, que deslizo
Ora singelas, ora atenuadas, todas belas
Mulher de curvas tens o poder de
Incendiar meu coração
Conversando com árvores
Adentrei a floresta para conversar com as árvores
Elas são tantas, tão mudas...
Insisti no meu propósito e abracei uma
Senti meu coração pulsar
Meu sangue em seiva circulando
Disse, bem devagar, te quero
Te quero verde
"te quiero verde. Verde viento. Verdes ramas."
Ouvi uma resposta do tronco forte
"Te amo muito"
Chorei tão forte que molhei o chão
Voltei pra casa molhado
Com uma muda de planta na mão
Desenhando um gato
Fui desenhar um gato e ele se espreguiçou
Meu lápis escorregou felinamente pelo papel
Fui, miado a miado, arranhando com minhas garras de carbono
Ele saltou na tela, na minha frente, com alegria
E veio, se esfregar nas minhas pernas
Língua do amor
A língua do amor se fala com os anjos
Gestos e afagos, por vezes basta olhar
Não se aprende na escola
Sua gramática é pureza
Os verbos se conjugam nos lábios
Sim, beijos falam muito
Abraços tradutores funcionam
A língua do amor é universal
O homem, pelo pecado venial
Não fala