O beijo roubado
O beijo roubado não merece pena
Tenho pena de quem nunca o provou
É o beijo que tem mistura
Meio ingênuo, meio maldoso
Mas, sobretudo, gostoso
Na vida o mais importante é o desejo, é o oxigênio das realizações. a imagem de colher a flor sempre me marcou. A flor é, e deve ser, sempre intocável, linda e viva. Sempre amei as Camélias, elas me ensinaram que a sensibilidade é algo para ser sentido e perseguido a todo momento. Não colha a flor, alimente-a, regue, reze por ela, deseje-a, faça disso uma regra, e se possível use-a para os homens!
O beijo roubado
O beijo roubado não merece pena
Tenho pena de quem nunca o provou
É o beijo que tem mistura
Meio ingênuo, meio maldoso
Mas, sobretudo, gostoso
Morrer de amor
Morrer de amor é morte homeopática
A dor vem calejada e diária
Uma sensação de frio invade o coração
Você vai morrer continuadamente
De uma dor que ninguém sente
Que apavora a mente
Dor de amor doente
Quando a chuva chora
A chuva tem sentimentos e chora
Um choro lento, afogado em mágoas
Por isso a chuva não para
É a chuva triste, encharcada de dor
Chuva não de vento
Chuva de amor
Mulher, você ama demais
Mulher, você ama demais
Esse é o seu pecado
Amor abundante, deslumbrante
Amor demais pode matar
Amor demais pode marcar
Amor demais vai transformar
Sim, meu coração vagabundo
A minha incapacidade de amar
A minha cegueira
Perdoa-me
Perdidamente, perdoa-me
Meu pecado é não saber amar
Mulher, você ama demais
Queria ser
Eu queria ser um Neruda
com um pouquinho de Vinicius.
Não dar tanta Bandeira
como o Manuel.
Talvez recatado
como o Drummond,
e filho do Carlos, que Pena.
Ser gentil na Quintana
do Mário,
e da Dolores ter
a paz de criança dormindo.
Queria tanto ser poeta
e saber do amor falar
e, quem sabe,
te enganar.
Rua da certeza absoluta
Tenho certeza absoluta que ela existe
Na rua da certeza absoluta só mora gente chata
Pessoas tão certas que não há conversa
Todos sabem demais
Lá mora o dono da verdade
Num casarão imenso, sem cor
Muita gente tenta falar com ele
Mas, tenho certeza absoluta que ele é mudo
Rua da amizade
Na rua da amizade os vizinhos se entendem
Não há discussão, só apertos de mão
A rua da concórdia fica ao lado
As pessoas se abraçam permanentemente
Há sorriso, mesmo nos dias nublados
Meu maior amigo mora lá
Casa número dez, ao lado da igreja
São Cosme e Damião