domingo, 2 de agosto de 2026

Pernas proposta

 Temos que administrar as perdas, os ganhos já têm pernas próprias

Atropelando o tempo

 Atropelando o tempo 


Nessa correria diária eu atropelei o tempo 

O tempo baixou hospital, todo quebrado 

Não tenho mais tempo pra nada

Enlouqueci e passei mal

Hospitalizado e infartado vi o tempo 

Ele na cama ao lado sorriu pra mim 

E disse:"cuide do seu tempo, só assim você vai se curar"

Lá, no hospital, tive tempo pra cuidar do tempo 

Fiquei bom e nunca mais atropelei o tempo

Sobressalto

 Em um sobressalto você quebrou minhas pernas 


Fiquei um bom tempo descadeirado, fora do eixo 


Uma dor na boca do estômago e falta de ar


O coração não batia, pulava como cabrito


Minha cabeça, desaparafusou, não sabia que rumo tomar


Foi assim quando eu ouvi:"não te quero mais"

sexta-feira, 31 de julho de 2026

A tristeza maior

 A tristeza maior


A maior tristeza é ver o mar morrer na praia


O céu infinito sumir nas nuvens 


A incontável areia da praia sumir no vento 


Então sorria, meu amor, em saber que não és nada disso 


Tu és o mar que inunda meu céu 


O vento que carrega meu coração 


Pra uma felicidade plena de emoção

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Olhando pra trás

 Olhando pra trás 


Andando pra frente e olhando pra trás 

Sempre 

As marcas das pisadas e os feitos 

Os amigos que ficaram no caminho 

Os conselhos de meu pai

Os beijos doces da minha mãe 

Andando sempre pra frente 

Não esquecendo o que ficou pra trás 



Saul Steinberg  ( 1914 - 1999) is a Romanian artist, naturalized American, press cartoonist and illustrator.

"Mask Series" 1959-1962




terça-feira, 28 de julho de 2026

Índio americano

 Sou índio americano 

Não tenho cara

Tenho coragem 

Minha alma é terra 

Minha força é a natureza 

Hoje não existo mais 

Cara pálida me matou

Só restou a minha força 

Em poucas árvores que ele deixou 



Chalé encantado

 Chalé encantado 


Aquele chalé era encantado 


Lá a floresta dançava a noite 


Passarinhos voavam em partituras


Esquilos e cogumelos conversavam


O vento acariciava as árvores 

E

Elas gemiam de prazer


Dizem que lá mora o amor 

Um amor tão puro que não se conhece 


O chalé encantado se faz de poesia


E do paraíso é porta de entrada na paz lá encontrada