Poeta ordinário
O poeta ordinário bebe para escrever
Lá, na mesa de bar, no guardanapo
A sua dor decola do peito suado
A inspiração cai como um jarro da janela
Ele tenta superar sua infinita incompetência
Aperta os olhos e com A de amor escreve
O poema é esculpido na mesa suja
Um soneto sem rima, sem nada
Ele toma um trago e a garganta arde
O coração bate mais forte
Ele escreve "te amo" e derrama sua alma
No chão sujo do botequim da esquina


