No silêncio ensurdecedor
Com a escuridão me encandeando
Pesando menos que o ar
Você me disse
"Eu te amo"
Eu acreditei contando elefantes
Flutuando no céu
Na vida o mais importante é o desejo, é o oxigênio das realizações. a imagem de colher a flor sempre me marcou. A flor é, e deve ser, sempre intocável, linda e viva. Sempre amei as Camélias, elas me ensinaram que a sensibilidade é algo para ser sentido e perseguido a todo momento. Não colha a flor, alimente-a, regue, reze por ela, deseje-a, faça disso uma regra, e se possível use-a para os homens!
No silêncio ensurdecedor
Com a escuridão me encandeando
Pesando menos que o ar
Você me disse
"Eu te amo"
Eu acreditei contando elefantes
Flutuando no céu
Maricota e o Curling
Estava arrumando a dispensa e ela me chamou: "esqueceu de mim?", sim, eu tinha esquecido a Maricota, minha companheira de pandemia... A vida mudou, eu disse pra ela, não preciso de você e bati a porta. Não dormi essa noite, fui injusto com ela, amiga de sofrimento e pandemia. Acordei e voltei com ela nos braços pra ver as olimpíadas de inverno. Existe um jogo em que eles jogam uma panela no gelo e um cidadão vem varrendo, desesperadamente, para a panela parar no lugar certo. Maricota enlouqueceu: "eu quero, eu quero", quer o que? "Varrer o gelo nas mãos desse lindão de olho azul". Fudeu! Como explicar pra maricota que não existe esse jogo aqui no Brasil, somos tropicais, e vassoura é pra varrer sujeira no chão. Ela chorou e disse que quer ir morar na Noruega (não é Groelândia não, ela detesta o Trump, tem cara de espanador de teto). E agora, o que eu faço?
Imensa criatura com fome
Fome de luz, fome de Sol
O ataque foi certeiro
O Sol nunca mais apareceu por lá
De dia se ouve a barriga do bicho
Roncar
O explicador
O mundo precisa de um explicador, aquele que explica e pergunta, pergunta e explica. Assim são os grandes professores, hoje não há paciência, o tempo urge, e o aluno não entende nada. Temos que resgatar o explicador, alguém com a clareza da dúvida e a certeza do incerto, que possa ensinar quem nada sabe e lá aprender o que ele, o explicador, não sabe.
E o mar invadiu minha retina
Entrou como se fosse dono da casa
Azul deslumbrante, descaradamente lindo
Era sol, o céu invejoso observava
O mar tomando conta da beleza
Atrevido e sagaz, recolocou a minha paz
Brincando com os sentimentos
Fui brincar com meus sentimentos:
Do desejo fiz um jogo de amarelinha
Minha raiva virou um totó
Minha inveja foi pro esconde-esconde
Meu amor, ah meu amor, virou par ou ímpar
Ganho hoje, perco amanhã
Só a minha saudade não sabe brincar
O que seria?
O que seria o mar sem ondas?
As flores sem as cores?
O beijo sem o abraço?
Na febre sem a mãe do lado?
A fé sem os santos no altar?
O perdão sem arrependimento?
Eu sem você?