quinta-feira, 30 de julho de 2026

Olhando pra trás

 Olhando pra trás 


Andando pra frente e olhando pra trás 

Sempre 

As marcas das pisadas e os feitos 

Os amigos que ficaram no caminho 

Os conselhos de meu pai

Os beijos doces da minha mãe 

Andando sempre pra frente 

Não esquecendo o que ficou pra trás 



Saul Steinberg  ( 1914 - 1999) is a Romanian artist, naturalized American, press cartoonist and illustrator.

"Mask Series" 1959-1962




terça-feira, 28 de julho de 2026

Índio americano

 Sou índio americano 

Não tenho cara

Tenho coragem 

Minha alma é terra 

Minha força é a natureza 

Hoje não existo mais 

Cara pálida me matou

Só restou a minha força 

Em poucas árvores que ele deixou 



Chalé encantado

 Chalé encantado 


Aquele chalé era encantado 


Lá a floresta dançava a noite 


Passarinhos voavam em partituras


Esquilos e cogumelos conversavam


O vento acariciava as árvores 

E

Elas gemiam de prazer


Dizem que lá mora o amor 

Um amor tão puro que não se conhece 


O chalé encantado se faz de poesia


E do paraíso é porta de entrada na paz lá encontrada




segunda-feira, 27 de julho de 2026

Quando não digo nada

 Quando não digo nada eu falo tudo 

Meu silêncio é cortante e avassalador 

Se você quer me ouvir, se cale

Olhe minhas mãos e a lucidez de meus olhos 

Respire profundamente a minha alegria 

Saberás ouvir com o coração 

O que é amor de um irmão

No fundo, no fundo

 No fundo, no fundo 


No fundo, no fundo, do meu coração havia um poço 


Lá estavam emoções grudadas


Lama escura de remorsos 


Aqui e ali umas pedrinhas de amores perdidos


Uma luz lá longe e uma voz: "estou aqui meu filho"


Minha mãe acenando eu fui lá para beijar


Ela me disse:" meu filho, no fundo, no fundo, é igual no raso"


Voltei pra vida real bem mais forte


Agora meu coração é livre para amar e aceitar o novo

domingo, 26 de julho de 2026

Queria fazer uma poesia

 Queria fazer uma poesia 


Queria fazer uma poesia 

Peguei papel, uma bic e um Bilac 

Procurei Pessoa pra me ajudar 

Fui à Quintana do Mário 

Dei Bandeira 

Chamei Cecília, ela Meireles muito

Neruda negou

Desisti da poesia de amor 

Fui comprar um sorvete e uma flor

Edifício Vida

 Edifício Vida


A vida é difícil no edifício vida

O começo é duro no chão 

Feita a fundação, largamos as fraldas

Seguimos crescendo e criando estrutura 

Temos que enfrentar a transição: adolescência 

Tudo fica difícil, a obra sem concreto...

Depois vem o bom da vida

A cada semana uma laje a mais

Crescer, crescer, vencer, vencer

A obra para...

Um filho pra mudar todo o projeto 

Repensar a arquitetura, adaptar espaços...

E o edifício vida está quase pronto 

Fica velho...

É vazamento aqui, deformação ali

A fachada é quem mais sofre, feia e trincada

Por dentro ainda se respira solidez 

O edifício vida só quer permanecer vivo

Cuide dele com carinho 

E

Sobreviva