Por que meu torto é certo?
Por ver meu mundo de perto?
Por ser esperto?
Por não saber o que é certo?
Não sei, decerto
Na vida o mais importante é o desejo, é o oxigênio das realizações. a imagem de colher a flor sempre me marcou. A flor é, e deve ser, sempre intocável, linda e viva. Sempre amei as Camélias, elas me ensinaram que a sensibilidade é algo para ser sentido e perseguido a todo momento. Não colha a flor, alimente-a, regue, reze por ela, deseje-a, faça disso uma regra, e se possível use-a para os homens!
Por que meu torto é certo?
Por ver meu mundo de perto?
Por ser esperto?
Por não saber o que é certo?
Não sei, decerto
Meu olhar transverso quer olhar o meu inverso
Com ele converso sem verso
Tropeço no que peço ao inverso
E, finalmente, me despeço
O tempo de dentro não é o tempo de fora
O tempo de fora é mecânico e racional
O de dentro é emocional
Cuidado com o espelho, o misturador dos tempos
Lá você vê o tempo de fora e não acredita
Lá o tempo de dentro, mentiroso, te faz sorrir
E você rejuvenesce
Um corredor chamado Saúde
Saúde é o melhor corredor do mundo, não tem Usain Bolt, nem o melhor maratonista que o supere. Você quando jovem já deixou o "Saúde" pra trás, algumas vezes, mas logo depois ele te ultrapassou e você ficou correndo atrás. Quando ficamos mais velhos o Saúde se afasta na pista, às vezes o perdemos de vista, mas continuamos correndo atrás dele. Correr atrás do Saúde é um ato inconsciente na juventude e doloroso na velhice: o tênis está velho, as pernas não respondem como antes, falta o ar, você pensa em desistir... Acontece que a "galera" te incentiva: você precisa correr atrás da saúde, se tratar, fazer exames, musculação (chato pra karaiii), Pilates (está na moda), e se cuidar! Nunca os mesmos conselhos serão repetidos ao mesmo tempo por tanta gente. Ficar velho não é fácil não, correr atrás do "Saúde" menos ainda, e o pior é que com a vista cansada você não vê por onde o sujeito foi e acaba correndo na direção errada...
O vento frio
O vento frio adentrou minh'alma
Lá pousou saudade, suavemente
Um suspiro brotou do coração cansado
Um aperto veio sufocando
Era um amigo voltando sem chegar
Sem abraço grande, sem sorriso
Só a lembrança de mãos dadas
Com a saudade
Meu eu escondido
Meu eu escondido, por vezes, aflora
Ele conhece meu eu, mas não respeita
Fala besteira, é inconveniente
Meu eu escondido é insuportável
Rezo pra ele não aparecer, Deus não me atende
Lá vem ele de novo, imprevisível criatura
Vou assim pedindo o teu perdão
Não sou eu, é ele: meu eu escondido