Naquele dia o peixe pedra saiu do mar
Imensa criatura com fome
Fome de luz, fome de Sol
O ataque foi certeiro
O Sol nunca mais apareceu por lá
De dia se ouve a barriga do bicho
Roncar
Na vida o mais importante é o desejo, é o oxigênio das realizações. a imagem de colher a flor sempre me marcou. A flor é, e deve ser, sempre intocável, linda e viva. Sempre amei as Camélias, elas me ensinaram que a sensibilidade é algo para ser sentido e perseguido a todo momento. Não colha a flor, alimente-a, regue, reze por ela, deseje-a, faça disso uma regra, e se possível use-a para os homens!
Imensa criatura com fome
Fome de luz, fome de Sol
O ataque foi certeiro
O Sol nunca mais apareceu por lá
De dia se ouve a barriga do bicho
Roncar
O explicador
O mundo precisa de um explicador, aquele que explica e pergunta, pergunta e explica. Assim são os grandes professores, hoje não há paciência, o tempo urge, e o aluno não entende nada. Temos que resgatar o explicador, alguém com a clareza da dúvida e a certeza do incerto, que possa ensinar quem nada sabe e lá aprender o que ele, o explicador, não sabe.
E o mar invadiu minha retina
Entrou como se fosse dono da casa
Azul deslumbrante, descaradamente lindo
Era sol, o céu invejoso observava
O mar tomando conta da beleza
Atrevido e sagaz, recolocou a minha paz
Brincando com os sentimentos
Fui brincar com meus sentimentos:
Do desejo fiz um jogo de amarelinha
Minha raiva virou um totó
Minha inveja foi pro esconde-esconde
Meu amor, ah meu amor, virou par ou ímpar
Ganho hoje, perco amanhã
Só a minha saudade não sabe brincar
O que seria?
O que seria o mar sem ondas?
As flores sem as cores?
O beijo sem o abraço?
Na febre sem a mãe do lado?
A fé sem os santos no altar?
O perdão sem arrependimento?
Eu sem você?
Preso na minha bolha interior fui mergulhar na imensidão do mar
Lá encontrei espaço, sal, sol e o desespero maior
Não sei nadar
Foto de Luiz Bhering
Vi um cego
Eu vi um cego, ele não me viu
Falei com o surdo, não me ouviu
O mudo gritou, um nada
Eu não sei o porquê
Me lembrei de você