Meu olhar transverso quer olhar o meu inverso
Com ele converso sem verso
Tropeço no que peço ao inverso
E, finalmente, me despeço
Na vida o mais importante é o desejo, é o oxigênio das realizações. a imagem de colher a flor sempre me marcou. A flor é, e deve ser, sempre intocável, linda e viva. Sempre amei as Camélias, elas me ensinaram que a sensibilidade é algo para ser sentido e perseguido a todo momento. Não colha a flor, alimente-a, regue, reze por ela, deseje-a, faça disso uma regra, e se possível use-a para os homens!
Meu olhar transverso quer olhar o meu inverso
Com ele converso sem verso
Tropeço no que peço ao inverso
E, finalmente, me despeço
O tempo de dentro não é o tempo de fora
O tempo de fora é mecânico e racional
O de dentro é emocional
Cuidado com o espelho, o misturador dos tempos
Lá você vê o tempo de fora e não acredita
Lá o tempo de dentro, mentiroso, te faz sorrir
E você rejuvenesce
Um corredor chamado Saúde
Saúde é o melhor corredor do mundo, não tem Usain Bolt, nem o melhor maratonista que o supere. Você quando jovem já deixou o "Saúde" pra trás, algumas vezes, mas logo depois ele te ultrapassou e você ficou correndo atrás. Quando ficamos mais velhos o Saúde se afasta na pista, às vezes o perdemos de vista, mas continuamos correndo atrás dele. Correr atrás do Saúde é um ato inconsciente na juventude e doloroso na velhice: o tênis está velho, as pernas não respondem como antes, falta o ar, você pensa em desistir... Acontece que a "galera" te incentiva: você precisa correr atrás da saúde, se tratar, fazer exames, musculação (chato pra karaiii), Pilates (está na moda), e se cuidar! Nunca os mesmos conselhos serão repetidos ao mesmo tempo por tanta gente. Ficar velho não é fácil não, correr atrás do "Saúde" menos ainda, e o pior é que com a vista cansada você não vê por onde o sujeito foi e acaba correndo na direção errada...
O vento frio
O vento frio adentrou minh'alma
Lá pousou saudade, suavemente
Um suspiro brotou do coração cansado
Um aperto veio sufocando
Era um amigo voltando sem chegar
Sem abraço grande, sem sorriso
Só a lembrança de mãos dadas
Com a saudade
Meu eu escondido
Meu eu escondido, por vezes, aflora
Ele conhece meu eu, mas não respeita
Fala besteira, é inconveniente
Meu eu escondido é insuportável
Rezo pra ele não aparecer, Deus não me atende
Lá vem ele de novo, imprevisível criatura
Vou assim pedindo o teu perdão
Não sou eu, é ele: meu eu escondido
Vesti meus olhos de alegria
Com tênis de maratonista adentrei
No dia de azul absoluto
Minha alma seguia minha sombra
Passarinhos observavam
Eu andava no caminho, feliz
Vi um velho e uma moça linda
Sorri como um bêbado
A felicidade é tão tola que me aplaudiu