terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Maricota e o Curling

 Maricota e o Curling 


Estava arrumando a dispensa e ela me chamou: "esqueceu de mim?", sim, eu tinha esquecido a Maricota, minha companheira de pandemia... A vida mudou, eu disse pra ela, não preciso de você e bati a porta. Não dormi essa noite, fui injusto com ela, amiga de sofrimento e pandemia. Acordei e voltei com ela nos braços pra ver as olimpíadas de inverno. Existe um jogo em que eles jogam uma panela no gelo e um cidadão vem varrendo, desesperadamente, para a panela parar no lugar certo. Maricota enlouqueceu: "eu quero, eu quero", quer o que? "Varrer o gelo nas mãos desse lindão de olho azul". Fudeu! Como explicar pra maricota que não existe esse jogo aqui no Brasil, somos tropicais, e vassoura é pra varrer sujeira no chão. Ela chorou e disse que quer ir morar na Noruega (não é Groelândia não, ela detesta o Trump, tem cara de espanador de teto). E agora, o que eu faço?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Naquele dia


Naquele dia o peixe pedra saiu do mar

Imensa criatura com fome

Fome de luz, fome de Sol 

O ataque foi certeiro 

O Sol nunca mais apareceu por lá 

De dia se ouve a barriga do bicho 


Roncar


domingo, 8 de fevereiro de 2026

O explicador

 O explicador


O mundo precisa de um explicador, aquele que explica e pergunta, pergunta e explica. Assim são os grandes professores, hoje não há paciência, o tempo urge, e o aluno não entende nada. Temos que resgatar o explicador, alguém com a clareza da dúvida e a certeza do incerto, que possa ensinar quem nada sabe e lá aprender o que ele, o explicador, não sabe.

sábado, 31 de janeiro de 2026

O mar

 E o mar invadiu minha retina

Entrou como se fosse dono da casa

Azul deslumbrante, descaradamente lindo

Era sol, o céu invejoso observava

O mar tomando conta da beleza

Atrevido e sagaz, recolocou a minha paz



segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Brincando com os sentimentos

 Brincando com os sentimentos 


Fui brincar com meus sentimentos:

Do desejo fiz um jogo de amarelinha 

Minha raiva virou um totó 

Minha inveja foi pro esconde-esconde

Meu amor, ah meu amor, virou par ou ímpar 

Ganho hoje, perco amanhã 

Só a minha saudade não sabe brincar



O que seria?

 O que seria?


O que seria o mar sem ondas?

As flores sem as cores?

O beijo sem o abraço?

Na febre sem a mãe do lado?

A fé sem os santos no altar?



O perdão sem arrependimento?

Eu sem você?

sábado, 24 de janeiro de 2026

A bolha

 Preso na minha bolha interior fui mergulhar na imensidão do mar

Lá encontrei espaço, sal, sol e o desespero maior

Não sei nadar


Foto de Luiz Bhering