terça-feira, 29 de outubro de 2024

O coro dos contentes

 No pedaço de seu abraço eu me despedaço

Teu beijo partido me partiu em mil pedaços 

No olhar enviesado errei o caminho 

E com o coração quebrado seguirei 

Meu anjo torto

E sempre 

Desafinando o coro dos contentes



domingo, 27 de outubro de 2024

Saudade do que não conheci

 Saudade do que não conheci


Bateu saudade, grande, de um amigo que não tive

Da namorada, imaginada, perfeita

Daquele país que não visitei

Da truta pescada no rio da fantasia 

Da mulher perfeita que não me achou

Dos meus 18 anos que não vi

Dos conselhos de um passarinho mudo

De não ter nascido louco nem surdo

Do que não vivi



Chamem o Rei

 "Vou-me embora pra Pasárgada"


Mas


"No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra."


Chamem o Rei!!!!

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Amor improvável

 Amor improvável 


Ele não gostava dela

Ela não gostava dele

Um esbarrão e um aceno de mão 

Um olhar enviesado e um desejo desavisado 

Um encontro para avaliar sentimentos 

O amor, simplesmente, apareceu 

Ele não gostava dela 

Ela não gostava dele



segunda-feira, 21 de outubro de 2024

O cantinho

 O cantinho 


Todos temos um cantinho 

Um sofá velho

Um travesseiro pra chorar

Uma sombra de árvore 

Ajoelhado ao pé da santa rezar

A cadeira no canto do botequim 

O olhar no horizonte sem fim

Ou no seio da mãe, simplesmente, mamar

O cantinho é seu encontro com o carinho

Até a paz, finalmente, chegar



domingo, 20 de outubro de 2024

A solidão

 A solidão 


A solidão faz os objetos crescerem

O sofá fica enorme e o corredor sem fim

O ar infla os pulmões como uma bomba 

A pequena janela do quarto ganha grades

O andar é sempre interrogativo

O silêncio grita como um corvo

E as paredes imóveis, imensas 

A solidão devora até o Sol da manhã 

E gosta, apaixonadamente, da noite



sábado, 19 de outubro de 2024

A chuva na vidraça

 A chuva na vidraça 


A chuva molha o vidro da janela 

E um choro mais triste invade o quarto 

A tristeza vem no desamparo da neblina 

O frio no encalço da solidão doe 

A noite faz a moldura da dor 

Cada um com a sua

A do amor perdido 

A de quem partiu

A do velho solitário 

A do impossível desejo 

E na janela as gotas correndo 

Até a tua face molhar