quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Prendedor de roupa

 Ponte estaiada do metrô da Barra da Tijuca



sábado, 21 de novembro de 2015

Madame “I’m lost”

Madame “I’m lost”

 Criatura simpática, vivaltina e viajante. O nome verdadeiro dela é Mary, verdadeiro? Nada disso! O realmente dado de batismo é diferente, do tipo católico ao extremo, coisas da geração “touca pra dormir” que fazia promessa para o filho nascer saudável; então vem Maria do rosário, Maria do socorro, etc... As que se salvavam das benções divinas e vingavam foram premiadas com Hermengarda, Clotilde, Cremilda, etc... Geração sem sorte, será? Eu acho que não evoluímos muito, outro dia conheci o “Jonlenom” e perguntei” seu nome vem de onde? “ , a resposta “ mamãe era fã dos Bitus “, é mole ?

 Vamos aos fatos. Madame “I’m lost” foi assim batizada pelos devaneios das amigas viajantes, um bando de passarinhos perdidos em terras distantes, a combinação era de quem falasse inglês ficava tomando conta de quem não falava, beleza? Tudo certo? Duplas formadas? Partiu... Tia Mary com a amiga poliglota em plena Londres, frio, neblina, sinal de trânsito fechado e a “louca poliglota” atravessa a rua com a nossa heroína a tira colo, aliás,” encangadas”: lá no Recife só se anda encangado. Voltemos, uma freada e uma discussão “in english” da pernambucana doida com o lorde inglês. A essa altura a nossa personagem já tinha atravessado a rua com frio e vista embaçada... Não precisa explicar que uma foi para à direita ( right ) e a outra para à esquerda ( left )... Nossa querida tia ficou perdida em plena Londres vibrante, só restou pra ela chorar lágrimas congeladas e correr para a sobrevivência com uma moça simpática que
viu a cena :

- Can i help you ? Please, don’t cry...

- I´m lost !

 A nossa viajante só sabia falar i’m lost, hotel, help ( aprendeu com os Beatles ) e Good morning. Foi a salvação:

- Where are you from ?

- From Recife...

- What is your hotel ?

 Ela entendeu hotel e disse o nome, mas não sabia o endereço... tadinha... A solução foi embarcar a cidadã em um taxi e pedir para o motorista entregar a encomenda no hotel, lá chegando foi devidamente aplaudida pelas 150 companheiras do “pacote” Recife-Bruxelas-singapura-londres-pequim-paris e Recife “; o povo de Recife sabe que mora em uma cidade importante mas quer conhecer o “ resto “ do mundo e, correndo para ter o prazer de voltar pra casa contando mentiras e exagerando tudo ! Aliás, sem exagero não há pernambucano, by the way, não existiria a civilização ocidental avançada, sabem da história dos judeus desqualificados que foram expulsos para Nova Iorque ???? Não ???? Então vá ao marco zero e conheça a cidade do Recife ! Boa viagem !

sábado, 31 de outubro de 2015

Comprar ou investir



Comprar ou investir?

 Sempre pensei que investir era coisa de gente com dinheiro e posses, já comprar coisa de pobre... Ledo engano! Com a crise brasileira vejo um povo em plena decadência, lojas fechando, desemprego e inflação, tudo que faz você repensar sua poupança e sobrevida, bem como o “ato de comprar”. Comprar? Não meus amigos, não, não compramos, investimos para a sobrevivência! Comprar remete ao prazer, é um ato saboroso, pouco pensado (de preferência), quase uma terapia! Você sai do trabalho e vê aquele vinho que tanto gosta e compra; sua mulher passa na vitrine e “se encanta” com um sapato (não sei o que é esse encantamento que faz com que a criatura nunca fique feliz com uma unidade e, invariavelmente, o desencantamento acontece em menos de 24 horas... Daí vai à loja trocar e se encanta novamente), uma blusa e uma saia; mas, é o prazer que move o ato. Já investir é coisa a se pensar e repensar terá retorno? Em quanto tempo? O prazer virá depois com o resultado positivo, ou a tristeza de ter colocado o dinheiro no lugar errado. Hoje, caro amigo, tudo mudou... Não se compra mais, se investe! O vinho não entra na sacola sem um comparativo de preços e um remorso na cabeça, não devia ter comprado... Tua mulher tenta não comprar, fica irritada, “segura a onda” e acaba trazendo uma havaiana no lugar do sapato. Viagem? Só para o trabalho ou por ele. Férias? Que medo de voltar e receber o bilhete azul do patrão; por falar em patrão: esse cidadão que corre risco e gera empregos está na rua da amargura, sem crédito, matando um leão por dia para pagar impostos e sustentar o faminto governo de sindicalistas que o detestam!


 Então amigos, vamos investir? No pão, no almoço e nos santos; rezar e muito para um dia, quem sabe, você voltar a ter prazer em gastar seu suado dinheirinho e voltar a sonhar com um futuro melhor.

sábado, 24 de outubro de 2015

Fazer 70 anos

Do poeta maior:

Fazer 70 anos
(A José Carlos Lisboa)
Fazer 70 anos não é simples.
A vida exige, para conseguirmos,
perdas e perdas do íntimo do ser,
como, em volta do ser, mil outras perdas.

Fazer 70 anos é fazer
catálogo de esquecimentos e ruínas.
Viajar entre o já-foi e o não-será.
É, sobretudo, fazer 70 anos,
alegria pojada de tristeza.

Ó José Carlos, irmão-em-Escorpião!
Nós o conseguimos...
E sorrimos
de uma vitória comprada por que preço?
Quem jamais o saberá?

À sombra dos 70 anos, dois mineiros
em silêncio se abraçam, conferindo
a estranha felicidade da velhice.


- Carlos Drummond de Andrade, In: Amar se aprende amando - 24º Edição, 2001.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O filho e o vento



O filho e o vento

São tão iguais em sensações que me confundem...
Chegaram sem minha permissão e se foram caminho afora
Simples assim: rosto, vento, beijo, amor livre e total
Hoje sinto os dois no coração, o vento e o filho, juntos

Abro a janela e ele vem me abordar, se mostra vivo e alegre
Derruba folhas, despenteia os velhos cabelos brancos, suave
Um calor maior invade e anuncia: ele está lá longe, mas feliz!
Outra lágrima fica rapidamente seca, o vento vem e me socorre...

Tenho por ele a maior admiração, sua força, seu objetivo, transparência
Sinto com ele a velocidade da modernidade e da tecnologia, sua asa elegante
Vivo por ele essa saudade contida, no orgulho do filho bem posto na vida
Na vida e no vento vejo seus olhos claros, sua mente abertamente primaveril  


Filho do vento e vento do filho, sempre e para sempre meu filho Leonardo !

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

A dança dos números



A dança dos números

 Um amigo disse pra mim “os números são torturáveis” e isso me impressionou! Na verdade, no campo comercial, ele tem razão: podemos fazer os números crescerem ou minguarem ao gosto da necessidade do vendedor e da força do comprador, uma lei que o mercado entende como livre. No item liberdade temos o nosso grande sócio “invisível”, ganancioso e libertinoso, o governo do Brasil. Fugindo um pouco do lado político da conversa vamos para o prático, o dólar americano valendo R$ 4,00. O jornal de hoje (24/09/2015) traz alguns raciocínios sobre o tema:
- Ano 2002, dólar valendo R$ 4,00;
- Ano 2015, a mesma cotação;
- Inflação no período no Brasil de 127 % e nos EUA de 72,55 %.


 Se o dólar é uma moeda forte eu perdi 72,55 % das minhas aplicações no colchão, ou seja, meus 1000 dólares viraram 579 obamas! O período é de 13 anos, ou seja: 72,55 / 13 = 5,58 % ao ano! Isso mostra que meu “clone” americano tem que fazer o dinheiro dele render pelo menos essa taxa que o dragão (inflação) come, então ele produz ou vai aplicar nos mercados emergentes. Eu, por aqui, tinha 1000 reais e fiquei com 1000 / 2,27 = 440 reais! Ou 127 / 13 = 9,77 % ao ano! O dragão tropical é muito guloso! Eu teria que trabalhar 9,77 / 5,58 = 1,75 vezes mais do que meu clone (vamos chamá-lo de Bob); só que aqui a economia vai no sobe e desce constante e eu tenho que ser um artista de circo para repor meu poder de compra nessa imensa taxa de inflação média de 9,77 % ao ano! Um verdadeiro herói! Bob pode andar com um carro mais moderno e pagar uma gasolina mais barata que eu (com R$ 4,00 eu colocava 2,32 litros de gasolina e hoje coloco 1,29 litros). Em reais hoje o macarrão subiu de R$ 1,49 para R$ 2,2 (+ 47 %); o carro Gol 1000 (+ 108 %); a máquina de lavar ficou mais barata 13 % (compre logo!); o arroz subiu 103 %! Só que Bob tem emprego e vive em um país organizado com polícia nas ruas e, garanto a vocês, não guarda as economias no colchão...

quarta-feira, 16 de setembro de 2015