quarta-feira, 10 de abril de 2024

Ninguém

 Ninguém deve julgar ninguém 

Ninguém deve amar mais que outrem 

Ninguém pode ser melhor que meu bem 

Porém aprenda do amor mais que ninguém 

Para viver de bem

domingo, 7 de abril de 2024

O simples da vida

 O simples da vida 


Acordar, espreguiçar, não pensar

Os pés buscando o chinelo esquecido

Abrir a cortina e festejar o Sol 

Café quente e outro suspiro de alegria 

Agora é viver como folha no ar

Leve, livre e solto 

O simples da vida te abraçou 

Aproveite

Marinheiro sem mar

 Marinheiro sem mar 


Sou marinho sem mar pra navegar 

Ave sem asa

Talvez 

Quem sabe braçadas na areia 

Ou na chuva sonhar com o Sol?


Sei não...

Marinheiro sem mar sofre mais 

Que amante sem beijo

sábado, 6 de abril de 2024

Um dia diferente

Um dia diferente 


Acordei, olhei pro relógio e vi o ponteiro andando pra trás... Pensei rápido: vou dormir mais um pouquinho... Um pensamento me veio à cabeça: será que é verdade? Um olho abriu e o maldito ponteiro continuava andando no sentido contrário! Dei um pulo da cama e abri a janela, os carros andando pra trás... Pronto, endoidei de vez. Liguei a TV e o noticiário de ontem apareceu, fui correndo procurar o dia de hoje, não achei. Nada estava andando pra frente, nem eu! Me vi andando pra trás e esbarrando no corredor... E agora? Agora? Já passou. Voltei pra cama e adiantei o relógio por uma hora, acordei novamente, sem sono, com o relógio na hora certa e fui trabalhar... Cheguei atrasado.


Roberto Solano Novaes

quinta-feira, 4 de abril de 2024

A infância


 A infância


A infância é um sonho que quiz acordar

E, desperto, não sabe mais dormir

No desespero da vida ficamos adultos

Perdemos a imaginação pura nas veias

Não acreditamos mais no impossível

Nem no PeterPan!

Perdemos o melhor que não colhemos

A pureza do encanto


Hoje tenho um punhado de lembranças

Outro tanto de saudades

Da vida mais vida da vida

A infância

terça-feira, 2 de abril de 2024

Retrato na parede

 Retrato na parede


O retrato na parede não existe mais. A memória da família é algo sem sentido, sem função: pra que lembrar de seu pai, seu avô, sua madrinha? A memória foi pras nuvens e não volta mais, o mundo digital é do momento imediato e não tem tempo de lembrar do passado, estamos sem família. O retrato na parede sempre me traz nostalgia, em minha casa existem vários espalhados em pontos bem visíveis, faz bem à minh'alma: o sorriso largo de meu pai, a candura do rosto de minha mãe, os cabelos vermelhos de minha sogra, todos me fazem muito bem. Na casa dos jovens não há retratos, talvez nem paredes, só o moderno do esquecimento, da vida de hoje, das telas poderosas das TVs, dos computadores, do mundo digital. Não serei nunca um retrato, não serei lembrado, o que não tem importância, o que passou passou, mas um dia alguém vai lembrar do valor do retrato preto e branco, velho e mofado, no cantinho de um coração saudoso.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Carta para meu algoritmo

 Carta para meu algoritmo


Sr Algoritmo, venho, por meio desta, trazer minhas preocupações com as atitudes do senhor. Estou sabendo de sua intromissão na minha vida e de sua fofoca digital. Seu amigos Facebook, Instagram, TikTok e outros sabem de minha vida pessoal e você é o culpado. Antigamente você se escondia nos livros de matemática, hoje é um descarado fofoqueiro da internet! Se eu for pesquisar o preço de uma caneta vou ficar, por um ano, recebendo propaganda da Parker, Bic, etc... Se eu olhar a Paolla Oliveira estou condenado a vê-la sambando por 3 meses (nada mal); remédio de pressão é um horror: Raia, Venâncio, Pacheco ( trio desesperança) me bombardeiam com 200 opções e promoções. Sr Algoritmo, sou do tempo da fofoca oral, da vizinha, da sogra, aquela fofoca digerida com direito à uma defesa, agora não! O senhor passa de todos os limites! Desconfio que seu nome vem de ALGO no ÍNTIMO que o senhor descobre e coloca para o mundo, sem cerimônia, sem consideração.

Fica aqui meu protesto registrado, sabendo que fofoqueiro não tem cura.

Sem mais,


Roberto Solano