Botei
Botei fogo na fornalha
Botei pra quebrar
"Butei" fantasia no Recife
Botei cachaça no limão
Botei moral na confusão
Botei sonho na ilusão
Botei poesia no não
Botei filho no mundo
Botei tanto que desbotei
Na vida o mais importante é o desejo, é o oxigênio das realizações. a imagem de colher a flor sempre me marcou. A flor é, e deve ser, sempre intocável, linda e viva. Sempre amei as Camélias, elas me ensinaram que a sensibilidade é algo para ser sentido e perseguido a todo momento. Não colha a flor, alimente-a, regue, reze por ela, deseje-a, faça disso uma regra, e se possível use-a para os homens!
Botei fogo na fornalha
Botei pra quebrar
"Butei" fantasia no Recife
Botei cachaça no limão
Botei moral na confusão
Botei sonho na ilusão
Botei poesia no não
Botei filho no mundo
Botei tanto que desbotei
O Sol adentrou a minha janela
Sem pedir licença, estupidamente
Dizendo:" chegou o verão"
O Sol sabe ser violento...
Abri cortinas e janelas
Desfraldei portas
Ele entrou e sentou no sofá
Esparramado ficou
O calor veio de mãos dadas
Um vento quente acompanhou
O verão chegou
Então tudo começou
Há uma ponte entre o sonho e a realidade
Essa ponte se chama expectativa
Ela balança com os ventos do humor
Ela cai nos terremotos da desesperança
A ponte da expectativa é frágil
Na terra dos sonhos tudo é fácil
Já na realidade o solo é perigoso
Cuidado, como engenheiro da sua ponte
Construa com o cimento da verdade
Use o aço da desconfiança
E
Boa obra!
A solidão na multidão
Se afogar no raso
Ouvir um leão na praça
Temer a própria sombra
O insólito do medo
É maior que o medo
E a solidão maior se faz
Naquilo que és incapaz
Houve um tempo de passarinhos cantando juntos
As borboletas tinham costume de voar juntas
Os ventos brincavam, entre folhas, de esconder
As chuvas só molhavam o necessário
O Sol era um companheiro inseparável
Hoje a fumaça espanta
O calor mata e avança
Morrem o homem e a planta
Não há borboleta, passarinhos e esperança
A tábua de salvação
A mente estava revolta
As ideias vagavam loucas
Parafusos soltos
Confusão
Você jogou a tábua de salvação
Aguarrado nela flutuei
Como um náufrago
Só respirando, sem pensar
O mar e o vento se acalmaram
A vista, salgada, viu a ilha
Lá cheguei sem forças
Desmaiei
Quando acordei havia água doce
Também frutas e abrigo
Paz por consequência
Felicidade por vocação
Essa ilha é você, amor do meu coração
O poema fujão
Ele estava na minha cabeça
Nas minhas mãos nasceu
Lindo, leve e solto
Tão livre que fugiu
Saiu pela janela
Subiu na asa do passarinho
E partiu todo feliz
Agora, sem ele, não sei
Se sou poeta ou caçador
De poema fujão