sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

O dia seguinte

 O dia seguinte 


Quem partiu leva parte de quem ficou


Uma mala perdida na esteira dos sentimentos


 Procuramos entender o novo, indigesto, e desconhecido invasor


 O dia é quase imperceptível, as horas pesadas em segundos de chumbo


 A sensação de não saber é maior que a do fazer


O vazio engole o tudo e passa mal 


O dia seguinte sem quem partiu simplesmente não existe


 De tão difícil, tão imensurável, não se vive, se tritura


 A certeza que outro dia vem nesse " trem vida" acalma


O misterioso dia vai passar, o tempo (o eterno faxineiro) está atrasado


 Ele nunca falta o serviço


 Quem partiu tem destino e descanso


 Quem ficou procura descanso e destino


Um mundo novo vai chegar


Como o Sol do amanhã.

O dia seguinte sem a companhia de quem já partiu

 O dia seguinte sem a companhia de quem já partiu


Quem partiu leva parte de quem ficou, como uma mala perdida na esteira dos sentimentos. Procuramos entender o novo, indigesto, e desconhecido invasor de nossa alma. O dia é quase imperceptível, as horas são pesadas em segundos de chumbo, a sensação de não saber é maior que a do fazer, o vazio engole o tudo e passa mal. O dia seguinte de quem partiu simplesmente não existe, é tão difícil, tão imensurável que não se vive, se tritura. Na certeza que outro dia vem nesse " trem vida" o misterioso dia vai passar, o tempo (o eterno faxineiro) está atrasado mas não falta o serviço nunca. Quem partiu tem destino e descanso e quem ficou agora procura descanso e destino, que vai chegar com o Sol do amanhã.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Maricota e as olimpíadas de inverno

 Maricota e as olimpíadas de inverno


Eu não tinha que ter ligado a TV, porém já era tarde demais e cansado me joguei no sofá com a maldita Maricota encostada na parede. Já era noite e fui trocando de canal até chegar nas olimpíadas de inverno, não entendo nada ou quase nada, porém os saltos são bonitos e as quedas espetaculares! Até aí eu aprecio... Só que me apareceu na tela uma moça, até bonita, com uma chaleira deslizando a dita cuja no gelo e um cabra na frente com uma vassoura esfregando o gelo... A câmara acompanhando a agonia do cidadão: chão limpo/ chão sujo, chão limpo/ chão sujo... Eu nada entendia MAS a criatura falante de meu lado era só gritos: esfrega porra! Limpa essa merda aí! Vai furar o chão não! Para, para, para... Maricota, toda assanhada, falando palavras de baixo escalão , torcia loucamente, até a tal chaleira bater em outra e a desbocada dizer: " vai tomar no C..." Reagi: calada Maricota, olha o respeito, o vizinho vai ouvir. Ela me respondeu " não é o que o senhor está pensando não é CURLING " 

O ignorante aqui ficou calado pois não entendia o jogo e muito menos o entusiasmo de Maricota.

- CURLING é o máximo! Único esporte que utiliza instrumentos de limpeza e cozinha, um esporte que valoriza o trabalho doméstico, coisa de países desenvolvidos, não é como aqui que vassoura só serve pra varrer e espantar cachorro, chaleira pra fazer café.

- Maricota, você entende como é o jogo? Torce pra quem? 

Fui perguntar e a maldita não parou de falar, falou tanto que fui esquentar a água na chaleira para um cafezinho e voltei com a chaleira na mão e ela disse: " joga que eu vou atrás varrendo " 

Que raiva ! 😡




quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Pedras que voam

 Pedras revoltadas e unidas emergiram d'água

Cansadas do frios e calados peixes

Desanimadas do lodo gosmento

De viver meio afogadas de tédio


Pedras volumosas e valentes

Coragem não as faltam

Em decisão abraçadas


Voaram


Hoje brincam com passarinhos

Têm o vento no rosto

O carinho das folhas


Descobriram no desejo de voar

Uma nova vida, sobretudo, a flutuar



Foto de Miro Bacin

Poema infantil

 


O amor mata de paixão


A paixão é tsunami ou vulcão


O ciúme cega o cidadão


A solidão é tortura no porão


Um carinho pode ser a salvação


De quem nesse mundo busca um coração

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Cores impossíveis

 Vento rasgando o céu e o mato

Furioso pintor da natureza

Endoideceu


Com uma raiva brutal

Em desespero manual

Pincelou cores impossíveis



Sim, no momento enlouquecido

Misturou força com amor

Doçuras mil no pincel

E o impossível, simplesmente, alcançou

Pequenos prazeres mundanos

 Pequenos prazeres mundanos



Acordar em boa companhia


Ligar pra mãe ainda viva


Rir do mal humor paterno


Receber o carinho do filho


Desligar a mente no café quente


Dormir na sua cama depois da longa viagem


Retirar o sapato apertado do pé


Se abrigar na marquise em pleno temporal


Ver o gol do seu time do coração


Dar uma gargalhada dentro de um boteco


Saber do bom resultado do exame


Correr atrás de uma criança


Ler um poema com a alma limpa


No pôr do sol embaçar a vista com lágrimas


Tirar o maldito gesso do membro quebrado


Roubar um beijo sem se arrepender


Um pão quente com manteiga


Dizer amém no final da missa 


Pecar pouco e rir muito


Amar sempre, pra sempre