segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Elos

 Elos 


O primeiro é o umbilical

O seio materno vem

E o calor da mãe se torna eterno


Depois a escola, uma porta se abre...

Outro mundo, crianças se testando

Assim chegamos nos amigos, porto seguro


Elo do amor sem limites é tão medroso...

Experiências demais

Mais e mais


O elo no dedo esquerdo

O amor prometido 

Demais


O elo do filho que tatua a alma

O peso mais leve da vida

Amor incondicional


O elo com o passado se faz agora presente

Você já desfaz mais do cria

Você já não tem elos

Você é brisa que será pó

sábado, 8 de janeiro de 2022

Desejos

 Desejos


Eles nascem na noite, soturnamente

Uns morrem de inanição

Outros de vergonha mesmo

Os mais vivos vão além 



Não os guardo mais


Não vale colecionar


Mais vale sonhar



Sonhar em domar a dúvida

Esquecer a traição

Não temer ser mortal

Morrer só de amor


Desejo de ver o fim virar começo

De conversar com Deus

De levar a amada sempre

De aceitar o erro eterno


De viver

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Ouro no céu

 Joguei o Sol na água parada da visão

Tal pedra infantil ela criou círculos

Foi em um crescente calmo como brisa

Ali embaçando a minha vista

Trazendo mais ouro na riqueza do céu

Trazendo uma paz tão divina que chorei


Foto de Luiz Felipe Rodrigues




quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

A volta do filho do coronel

 Era verão, o calor no sertão pernambucano se mostrava forte e disposto... O coronel não: na rede descansava ao sabor da sombra e de algum vento desavisado... " coronel, coronel " um menino magro corria com um papel na mão: era carta pro coronel. Naquele tempo as cartas eram poucas, ou nunca, porém importantes. O filho estava na Europa já se faziam dois pares de ano, foi estudar na França, tinha que voltar doutor, era a regra. Ano de 1930, calor infernal, uma carta dizia " painho estou chegando mês que vem no porto do Recife..." O coronel coçou as ventas, esticou as pernas e disse pro mulatinho : " peça a Zefa pra trazer uma pinga, a notícia é das boas ". Feito. O beiço estalava com a cachaça esquentando a goela, a notícia se espalhou, o menino vai voltar, homem feito, macho, doido pra trabalhar e trazer orgulho pro pai.

O tempo passa mais rápido que a carreira do lagarto na caatinga e é chegado o dia. Paletó de linho branco e chapéu de palha, uma bengala de madeira nobre com cabeça esculpida e de ouro. Esse é o coronel Siqueira Brito, homem de palavra e que já calou muita gente, já botou pra correr lampião, já deflorou muita menina nova ( quando os peitinhos estão do tamanho de um limão é a hora do abate ), uma lenda por aquelas bandas. O dia azul, o porto de Recife tinha a tão desejada brisa que adoça os cocos no nordeste e traz o chic-chic das folhas. Chegou o herdeiro. O motorista do coronel, seu Tião, um negro alto e esguio avistou... Lá vem a criatura: uma roupa leve, um lenço amarrado no pescoço, um olhar atravessado feito cu de calango, umas calças justas e um sapato de verniz. E pra completar uma voz um tanto fina disse " estava morrrrrendo de saudades de painho". Painho sentiu  seu rosto queimar, as mãos espalmadas pra " dar lhe uns bofetes ", que foram evitados pela rápida intervenção de Tião carretão ( era o apelido dele ): " vamos coronel vai escurecer na estrada ". E lá foi o Ford bigode com a criatura saltitante no banco de trás, falante e esbaforido, perfumado que só... O coronel na frente entristecido com a frescura que emanava do banco traseiro... " Painho, eu preciso urinar ". Tião recebeu ordens de parar e o coronel disse " você vai mijar atrás daquela moita ali, está entendendo ", com uma voz pouco convidativa. O " menino " foi caminhando e o coronel saiu do carro com uma pistola no punho atrás da criatura. Tião gritou " não faça essa besteira coronel !" O que de pronto ouviu de volta " se ele acocorrar eu MATO " 🤣🤣🤣🤣🤣

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

O vento

 Paulo Mendes Campos disse;


" O vento é o aprendiz das horas lentas "


Seria a tempestade o professor das horas corridas?


O vento...


"De aflição e dispara à outra praia, onde talvez enfim possa assentar

seu momento de areia — e descansar"


Ah Paulinho...


E o amor? Como assentar para descansar? 

Ele consegue ser tempestade na hora incerta e vento sem hora


O amor, não é Paulinho?


 Nunca para e sossega, posto que é chama, não é Vinícius?


 Não conhece a paz pois o coração não descansa nunca 

E assim areia jamais será

sábado, 1 de janeiro de 2022

Olhos azuis

 Já podes brincar de azul

Teus olhos são mais

Já podes confundir loucos

Teus olhos vão os perdoar


Se vais ser mais suave

Se vais trazer a leveza

Só uma cor vai te dizer

O vermelho paixão de teus olhos azuis



Foto de Heinz boerder

 Vá


Vá ganhando para aprender a perder


Vá perdendo até começar a agradecer


Vá perder seu medo usando a tua fé 


Vá se quebrar para deixar entrar luz em ti


Vá aceitar o riso alheio até soltar o teu


Vá sentir seu ego fugir do teu coração


Vá apanhar sem chorar e bater sem dar risada


Vá ver os milagres até acreditar em um só: a vida


Vá aprendendo a respirar amor e expirar o ódio


Vá ver Deus em tudo até ver o seu rosto


Vá viver sem culpa e não culpar para viver


Vá amar sobretudo e sobretudo amar