segunda-feira, 10 de maio de 2021

A aflição de Mariazinha

 A aflição de Mariazinha


Maria Siqueira Brito, também conhecida como inhá zinha, ou Mariazinha, pelo marido, era mulher quieta como de praxe naqueles tempos. Seu marido, ou melhor, digníssimo esposo, sim, mandava e desmandava. Era lei. Os homens respeitavam o dono da terra, do dinheiro e das mulheres. O coronel Siqueira era um predador, sabia desfrutar das delícias das carnes ( alheias ) sem a " observância" de Mariazinha, sempre desconfiada... O coronel, após a refeição maior do meio dia ia descansar, ou como ele dizia, " tirar uma palhinha" para no final da tarde passear com seu cavalo mangalarga, bicho bonito, bem tratado e escovado, como de praxe. Ela, já desconfiava dos olhares que seu varão ( e bote ão nisso 😁) para a linda morena de cadeiras fartas e seios duríssimos (que causava  irritação na dona da casa), criatura que ajudava na serventia do casarão. A moça, de rara beleza, tinha sempre um sorriso no canto da boca ao ouvir o chamado grave do inhô " traga meu café menina ", que chegava quente para a língua seca de desejo na boca do coronel ir  passear nos seus lábios masculinos, " ô delícia, ô delícia" com olhar direcionado para a cadência coreográfica daquele  pecado em forma de mulher. Mariazinha, inconformada, nada podia fazer, percebia que o coronel não estava mais ocupando sua feminilidade ( era costume no fim do dia ela perguntar pro marido " vosmecê vai me ocupar hoje? " para, no balançar positivo da cabeça ir se lavar).

O tempo passou e o cavalo machucou a perna, sendo obrigado ao  dono percorrer sua propriedade sobre uma égua comum. Mariazinha, esperta no todo, estratejou o plano, e meia hora após a saída do marido soltou o alazão, que, a passos miúdos, avançou trilha costumeira. Lá chegando a cena cinematográfica se fazia brotar: debaixo da mangueira, o coronel estatelado de felicidade sobre o colo de sua deusa marrom recebia uns cafunés. " O que é isso Siqueira Brito? Que desvergonhice !" A voz feminina acordou o macho adormecido que, ao ver sua dama, deu a resposta " é pra te poupar Mariazinha, é pra te poupar 😁" . E a paz voltou a reinar na fazenda.

Arara

 Arara, arara, por que me olhas?

Teu olhos são perguntas

Os meus não respostas 


Arara, arara, por que essas cores?

Porque sou aquarela, do mato, Brasil

Porque divina sou


Arara, arara, por que gritas tanto?

Pra te mostrar a verdade que não ouves

Pra te acordar humano sem cor e sentimentos


domingo, 9 de maio de 2021

Mãe

 O princípio, o meio e nunca o fim

A mãe

Passaporte pra vida carimbado no amor

Ela

Quem vai te olhar melhor?

Te desnudar a alma?

Te consolar?

Ela


Ela e só ela é única

Sempre

Única

Mãe


sábado, 8 de maio de 2021

Geração solidão

 Geração solidão


Nossos pais tinham de 4 à 6 filhos, casal com 2 filhos era suspeito. Nossos avós pra lá de 1/2 dúzia, alguns chegavam aos números adolescentes, 13, 14, 15 e 16. Normal. A vida sem a química salvadora das pílulas anticoncepcionais era reprodutora e calma: parir um ato anual, um gesto de saúde feminina, família. Voltemos à nossa realidade: estamos na escalada descendente,  menos filhos mais facilidades, menos parentes e problemas, mais, muito mais solidão. A pandemia veio pra darmos um treino, intensivo, de isolamento e sobrevivência, sem contatos e abraços, muita tela e internet, falsos amigos e seguidores. Tenho raiva desse papo de investigador " você está seguindo a Carol com K? E juliete? " Não sou detetive. Quantos amigos virtuais você tem ? Eu tenho zero, e se tiver no Facebook pode me considerar um inimigo, aquilo pra mim é uma TV, dá uma espiadinha e sai fora. Vamos voltar pra nossa vida sem ou com poucos filhos, será melhor? Vi velhos sendo acolhidos por irmãos e filhos, vejo uma idosa de 104 anos ainda cantando marchinhas de carnaval e conversando com os inúmeros parentes que lá vão ver o fenômeno, planos para os 105 após a pandemia. Penso em netos que ainda não os tenho e na solidão que eles enfrentarão, será dolorido? Talvez não... Hoje me sinto da geração desilusão, não esperava a solidão e tenho que me preparar com alguma sabedoria, terei competência? Adeus mesa cheia, crianças correndo? Só em filmes! Natal na casa do vizinho, se ele for caridoso. " Desilusão, desilusão, danço eu dança você a dança da solidão", tenho que ouvir mais o Paulinho da viola.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

A lança

 A lança lança o homem?

Ou o homem lança a lança?

O mar avança 

Alavanca

Voar é a nova esperança


quarta-feira, 5 de maio de 2021

A perfeição

 Passeio da perfeição


A perfeição, digna senhora, passeia

Ela gosta do Rio de Janeiro

Sabe pintar a natureza

Adora o mês de maio


A perfeição, mulher caprichosa

Atropela cegonhas e traz lindas crianças

Visita algumas mulheres pra enfeitiçar

Alguns homens pra brindar o amor


A perfeição, só não gosta do tempo

Não sabe driblar a inteligência

Tão boba quanto bela evapora

Nos olhos de quem a vê

terça-feira, 4 de maio de 2021

Mês Maria

 Mês de maio

Mês Maria

Emoção


Céu azul

Brisa leve

Esperança


Mês maravilha

Do caqui ao

Coração


Noivas sonham

O amor renasce

Cada manhã


Maio, manhã, Maria


Melhor mês 


Amém