sábado, 6 de janeiro de 2024

No mundo da delicadeza

 No mundo da delicadeza


No mundo da delicadeza as casas são leves

Paredes de algodão doce, engenharia infantil

As ruas são asfaltadas de nuvens

As pessoas são educadissimas

Quase não falam, se cumprimentam no olhar

Os amores são eternos e quase perfeitos

Os policiais não trabalham, as cadeias abertas

No mundo da delicadeza não há briga, nem cara feia

As meninas são fadas voadoras

Os meninos Peter pan

A vida é tão suave que não sabemos os dias

Nem se é tarde ou noite

O amanhecer é constante

Como a felicidade



sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Era só uma gota

 Era só uma gota que


corria despretensiosamente

Descia pelo vale dos seios magníficos

Veio mais rápida e parou para ouvir o coração

Um vento quente chegou e ela avançou

Era verão, sol, calor, corpo nu

A gotinha se juntou à outra e desceram

Agora mais rápido possível até a barriga

Continuará ela sua jornada?

Você ajeitou seu chapéu e perfumou o ar


A gotinha criou coragem e derrapou loucamente

Até sumir, completamente, no umbigo

Assim eu, alucinado com a cena, ri

Você perguntou "está rindo de que?"

Respondi "da alegre vida de uma gotinha de suor"

Vinda de você, meu amor


Roberto Solano Novaes

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Aquele momento

 Aquele momento fugaz 

Entre o sinal verde e o vermelho

Que você sopra o café quente

Retoca seu penteado na pressa de sair

Olha os números do elevador subindo

Fecha os olhos na agulha da injeção

Respira fundo antes de puxar o esparadrapo

Beija a testa do filho antes dele dormir

Mergulha sua alma no perdão da óstia


Esse momento é o curto descanso da tua alma

És divina

 Respirando teus suspiros descobri a leveza do ar

Bebendo do teu suor o sabor do amor

Olhando a tua beleza acreditei em Deus

Sentindo na tua mão o valor da arte

Sou obrigado a dizer que és divina

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Confundindo os sentidos

 Te vendo com os lábios

Apalpando com a língua

Devorando com os olhos

Cheirando com as mãos


Degustando teus gemidos

Confundindo os sentidos

Senti que te amo

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

O fim do mundo

 O fogo invadiu o céu queimando tudo

Os gravetos emergiram com raiva da terra

O Sol recebendo sua culpa eterna chorou

É o fim do mundo em brasa e pó

Nem as nuvens serão poupadas

Não vai sobrar nada 

Só o remorso do homem

Com a mão queimada



segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Poeta da desilusão

 Queria escrever algo impactante

Palavras de força, com emoção

Queria dizer mais ao coração

Não sei, não posso ter essa ilusão

Não sou Neruda nem Drummond

Tão pouco Quintana

Nem Pessoa eu sou

Sou poeta da desilusão

Procurando palavras

Que cheguem ao coração