sábado, 22 de fevereiro de 2020
A perda da mãe
A perda da mãe é se lançar no vazio
O céu fica de um azul claro tão triste
Que de dentro da alma saí um suspiro de dor
O amor de mãe é o tudo dentro do nada
De onde viemos não sabemos
Pra onde vamos também não
Só uma coisa é certa : ela te dará a mão
Sempre
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
O peso do futuro
O peso do futuro
Na idade mais ampla a mochila do futuro é leve
Na mocidade temos duro compromisso com o amanhã
Temos que plantar, trabalhar, acreditar no que virá
Agora só resta o saboroso presente, a vida é uma brisa boa
Até o derradeiro momento vou carregar a mochila vazia
Serei o vento nas árvores, a onda no mar, até o nada chegar
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
Escada de marinheiro
Quantas escadas já subi
Quantas desci e outras sentei
Todas sem pensar e observar que
Há vida nelas
Já cai e me levantei
Outras olhei com olhos do passado
Muitas, tantas, simplesmente ignorei
Há ratos nelas
Formas raras, curvas, medo
Contemplação rara, deslumbramento
Monumentos brigando com o Céu
Há história nelas
Hoje, só hoje que vi
Que naquelas que subi
Eu, verdadeiramente, não desci
Há orgulho em mim
Descendo e subindo fico no plano
Na planície dos olhos marejados
No nada sou sem elas, sozinho
Olhando o mar e concluindo:
A vida é tão difícil quanto
A escada do marinheiro
Só
terça-feira, 3 de setembro de 2019
Tentando entender
Tento entender o que o homem fez na lua
E, qual a grande vantagem de descobrir?
O mistério do universo atrelado à Deus
Seria a vida ?
Tento entender o sentido da vingança
Ainda procuro digerir o amargo do perdão
Seria a morte?
Vou levar comigo a marca da paixão
Essa senhora nunca perguntou nada
Roubou a minha consciência sempre
Seria o amor?
Agora sem dúvidas afirmo
Sou a dúvida ambulante
Sou a certeza do nada
E
Nada com certeza
terça-feira, 20 de agosto de 2019
O sonho
Hoje acordei mais cedo para ver o sonho
Só que o sonho já me via de olhos abertos
Voltei a sonhar
Nesse sonho novo de nada de novo havia
Nos sonhos não há tempo nem espaço
O velho vira novo e o novo é nuvem
Voltei a acordar
Me vi mais confuso e embrulhado na coberta
Voltei a dormir acordado
Sonhei com a vida real e acreditei no que vi
Nunca mais sonhei, não mais sorri
O sonho já não me desperta mais
Eu já não acredito no impossível
Olhos fechados e abertos
Sem sonho
Morri
Morri
sábado, 23 de fevereiro de 2019
Olhar perdido
Estado de alagoas, verão sol e calor, o verde dos canaviais invade retinas, um senhorzinho anda na pista de rolamento. Meu carro avança lentamente em busca de um atalho para ir rumo ao mar, as férias são direcionadas para o desfrute do litoral nordestino, praias e prazeres, vida feliz. Agora eu estou no meio da plantação da cana e cruzo com aquele homem de outra realidade, vivente do campo, magro e velho, sandálias curtidas e deformadas pelas jornadas de sol castigantes; a calça sacode no vento escondendo pernas finas de osso puro: fome. Aquele homem de camisa branca amarelada era o representante da miséria vivida, nordestina no destino em castigos diários, provação diária, dor. Fui observando sua silhueta de galho velho, seco e torcido, seu nariz de quase tucano e a pele de encardida feitura. O rosto quase sem expressão, de amassada tortura já não sabia transmitir emoção, o quase pedra refletia o quase morto humano. Seu olhar era perdido, via além do horizonte, sobre o verde da cana e além, sobre o azul. Ele nada me disse e tudo falou. Parti mais só que cheguei. Acelerei o carro na esperança de ver outras vidas, sorrisos, e crianças brincando... hoje ao me deitar veio-me seu olhar perdido e perdido fiquei até dormir com olhos molhados e tristes.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2019
A terceira idade na academia
Há 14 minutos
Detalhes
Uma coisa é certa: jovem não gosta de velho! Notei que a academia que frequento não está na " crista da onda " do modismo, ficando velha e os jovens correm para as mais modernas e atraente. As novas academias tem vários aparelhos modernos , azaração, desfile de corpos esculturais e muito selfies; a que frequento ficou pra trás ... os meus " colegas " são quietos e vão chegando de mansinho : os homens com cabelo penteado ( os carecas de boné ) , camisa esportiva, bermuda e, acreditem , sapato mocassim! Prontos para serem convidados para algum evento após a " malhação " . As senhoras são discretas, uma bolsa, camiseta da Renner e tênis coloridos; figem fazer exercícios e a conversa rola entre elas, uns amores ... Os velhos são mais aplicados e conversam menos, até um outro velho encostar...O objetivo é ir pra academia, malhar é outro objetivo, secundário, obsoleto! Passar a manhã na musculação, alongamento, yoga, pilates é uma diversão ( única ) para os velhotes. Um detalhe! Velho não leva celular pra academia! Impressionante como eles fazem pra se comunicar, deve ser telepatia ou indução magnética! Fantástico!
A 3a idade é a que você pode " malhar " no seco ! Quando entra na piscina é um horror ! O professor faz os movimentos e os seculares alunos " tentam " acompanhar : levanta o braço direito e abaixa o esquerdo, não pode ! Vai dar merda ! Tem que ser tudo dentro d'água para o professor acreditar que estão fazendo o exercício. Sair da piscina é um desespero, a velhota sai ofegante e chamando Jesus o tempo todo, " ai Jesus, aí Jesus..." até se enrolar em um robe felpudo e caminhar no seco pra fora daquela piscina aquecida... menos um dia ... ufa !
E assim caminha a humanidade para viver 120 anos com saúde total! Por falar nisso, onde fica a minha academia????
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