segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O infinito da luz celeste

Foto de Celina Muniz


Ali, no distante horizonte o mar recebe uma visita, a areia lhe abraça tão carinhosamente que há uma testemunha , muda e calada se espelha no para sempre infinito da luz celeste.

domingo, 17 de dezembro de 2017

A cor do perdão ( em homenagem ao Fagner)

Não sei a cor do perdão nem o peso da pedra do sacrifício 

Não sei a dor do parto nem o calor das paredes do inferno 

Não sei o sabor da mentira nem a textura da verdade absoluta 

Só sei que nada sei 

Não sei se o azul do céu é mais profundo que o do mar

Não sei se o espinho da rosa fere mais que a palavra não 

Não sei se o calor humano consegue aquecer o frio do perdão 

Só sei que nada sei 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Uma colcha de retalhos

Uma colcha de retalhos

Sabem aquelas colchas que a vovó fazia? Vi uma, com a minha mulher, na linda cidade de Tiradentes. Amor à primeira vista! Preço bom, compra feita e alegria estampada nos olhos da patroa. Uma semana depois já estávamos desfrutando do acolhedor conforto que aquele objeto do desejo nos proporcionava: maciez, beleza e calor... Delícia! O que incomodava eram os mosquitos, a minha mulher reclamava, enfim o verão já batia à nossa porta. Muito bem, depois de algumas tentativas de matar os mosquitos com aquelas raquetes chinesas eu joguei a toalha, “não é possível, você está toda mordida e se coçando, vou usar um spray de dedetização, vai matar os pernilongos”, disse todo feliz! A mulher só faltou me expulsar de casa com o discurso que ela era alérgica e eu cego! Fim do primeiro ato.

Os dias se passaram e a mulher já estava irritada com as picadas, eu sugeri lavar a colcha nova, podia ser alergia ou ácaros. Lavagem feita e coceiras aumentando... Um dia a minha mulher viu um bichinho checando seu whatzapp, eu verifiquei com minha super lente de aumento ( nunca usei, made in china ) e o vi; corri, peguei a máquina de fotografias e uma lanterna, fiz um “selfie” do cidadão. Meus amigos, o bichinho era menor que a cabeça de um alfinete, achatado, marrom, corria bem, um danadinho. Viva o “papai Google!”, lá estava o tal elemento invisível: Bed-Bug, conhecem? Os americanos sabem o que ele é, um hospedeiro da sua cama, suga se sangue à noite, e tira a sua alegria de viver. Minha mulher já estava com 200 pontos de mordidas pequenas e outros 200 já inflamados. O dermatologista consultado passou uma bateria de medicações que, com certeza, iria matar o bicho e a minha mulher de brinde! PQP! Fomos ao clínico que não sabia o que era e consultou papai Google again! O bicho não transmitia doenças e o jeito era dedetizar a casa. Fim do segundo ato.


A dedetização foi feita com seu custo: hotel por dois dias, compra de vários colchões e um psiquiatra para uma terapia de casal! Colcha de retalhos nunca mais! Estou tão traumatizado que ao checar meu celular começo a me coçar... Hoje entendo o sofrimento dos cachorros sarnentos... Tadinhos...

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Copacabana sem Drummond



A manhã traz um sol tímido 
Copacabana está calada por um momento 

Uma poesia se transforma em luz

O sol aparece tão triste que ele chora 
Suas lágrimas de bronze talhadas 
Sua infinita eternidade reduzida em estátua 
Sua Copacabana tem um minuto de silêncio 

Drummond, querido, renasces sob céu multicor
Mais um dia para viver sem ti
Mais um dia tua Copacabana vai chorar 
A tua falta

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O silêncio e a alma

O silêncio é companheiro da alma 
O corpo fala muito e sofre gemendo
O silêncio faz da calma sua aliada 
Medita 

O corpo tem coração e ama muito 
O amor prefere a alma , ela se cala
Em silêncio fica admirando o corpo 
Geme

Em todos os sofrimentos há o silêncio 
Nas paixões a poesia cala a voz, sonha
Na verdadeira união a alma fala em silêncio 
Olha

Olha,geme e medita

domingo, 22 de outubro de 2017

Melancolia


Queria escrever de amor, paixão e coisas lindas ao coração

Queria também trazer palavras de conforto à quem está torto

Queria ter o poder mágico de transformar o triste...

Só que o triste hoje sou eu...


Uma vontade de abraçar quem não mais está

Uma vontade de mentir pra mim mesmo

Uma vontade de acreditar no impossível

E beijar o já intocável


Melancolia


Deve ser o tempo nublado, faltam passarinhos

Ou a falta de verão ? 

Não há explicação...


Melancolia


Só queria escrever coisas lindas ao coração...

Carta para um amigo que partiu

Carta para um amigo que partiu

Amigo

Não sei onde estás e como vais, só sei que a tua falta me faz tentar entender tua partida. Por aqui ficamos todos incrédulos, abismados e tristes, você foi muito rápido e sem nos avisar, um vento te levou... Um vento hoje bateu em minha janela e te vi, foi uma sombra ou um susto, mas te vi. Agora tento escrever o que não consigo entender, descrever sentimentos é fácil, consumar fatos não! Há um tanto de coragem em te enviar essa missiva sem endereço certo, só sei que entregarei nos correios endereçada á Deus, ele aí te põe nas mãos.

Vamos ás notícias terrenas: teu Fluminense está até animado ( não sei no que vai dar ), o Temer continua se esquivando mais que o Cassius Clay no corner, a roubalheira continua, tudo na mesma merda ! ( desculpa aí,se ler em voz alta, vai que está passando algum santo por perto... ), o menino maluquinho da Coréia continua querendo brigar com o velho doido... Esse papo está chato, vamos mudar de assunto? Queria te abraçar de novo... Contar uma velha piada de salão, ou de inteligência lusitana... Rever seu sorriso continental...

Agora vem o vento novamente me avisar de tua presença, fico sem palavras e sem imaginação para escrever, o vento, a janela...

" Todos querem ser rosa na vida, rosa mesmo ou mesmo rosa mulher... " , " O mar quando quebra na praia é bonito, é bonito...", " Morena, morena Marina você se pintou..."
Só o mestre Dorival para aplacar meu coração e, como um conhecedor de mares, ventos e paixões, finalizar meu escrito.

Um beijo no teu coração, lembranças pra São Bento e não esqueças do teu povo aqui debaixo que reza por ti, até os rubro-negros,um até breve para nosso encontro em tua nova moradia... Separa uma cerveja gelada por aí que estou levando piadas novas...

Au revoir !