domingo, 19 de outubro de 2014

O aviso prévio

O aviso prévio

 Vou ser demitido, pressinto a crise na empresa e fora dela, serei em breve mais um desempregado no dolorido mercado de trabalho.

 Fui ao dentista e ele já avisou: “tens que extrair o ciso incluso”. Vai doer na boca e no bolso.

 O vestibular está chegando... Só falta um mês... Uma semana...

 Vou casar no ano que vem, está difícil, meu pai está duro e mamãe muito estressada... Meu emprego sei não...

 Minha sogra é bronca! O que fazer com ela? O sogrão já disse o famoso “te cuida e fica esperto!” Aí Jesus...

 O joelho começou a incomodar, uma dorzinha aqui e outra lá, está rangendo mais que porta de pobre, acho que é o menisco...

 Fiscalização amanhã! Ufa, que loucura, quantos documentos... O contador está cobrando! Meu chefe viajou e disse “não quero me contrariar, te vira!” O que faço???

 Uma pontada, duas... Um copo d’água... Um alívio... Uma dor mais forte... É chegada a hora de parir... Deus me ajude!

 Eu aqui no frio, na calçada esperando o Marcão que não chega! Ligou e disse “estou atrasado, trânsito infernal!” E agora? Moro com ele e não tenho aonde ir... Essa dor na barriga é certeira, caganeira na certa, suor frio, aí Jesus... Marcão, são 2 da matina! Aí meu Deus!

Meu primeiro pênalti! Jogo empatado, bola na mão, tenho de fazer esse maldito gol... Uma voz grita “É tua meu filho!”... Que situação...

 Acorda João! Vai perder a hora! O emprego, corre querido, corre...

 Pai, teu filho, olha prá mim, respira, por favor...

 Filho, teu pai, olha prá mim ouça, não se faça de bobo...

 Pai, Filho e Espírito Santo, orem por mim e livrem-me do aviso prévio !


domingo, 12 de outubro de 2014

Não temos tempo mais pra nada

Não temos tempo mais pra nada


 Descobri isto lendo um livro fantástico do mais ainda Millor Fernandes. Um sujeito realmente muito além do seu tempo, e com sapiência, condensou as informações. Não temos tempo prá nada, menos ainda para ler um romance longo e prazeroso... Imagine a Montanha mágica de Thomas Mann... Então vamos de Millor?


 ”Foi no Nordeste brasileiro que se inventou a lavagem a seco”

 Essa tecnologia vai se aplicar, e muito, lá em Sampa!


 ”A democracia começa com 3 refeições diárias”

 Boa para nossas eleições atuais...


 ”O pé do atleta tem cura, mas o cérebro não”.

 Um tanto dura para os amigos inteligentes que malham muito, porém um dia vão ter que optar! 


 ”O ego é a única coisa que vaza pra cima”

 Isso é tão fácil de entender que até o grande físico Newton aceitaria...


 ”O dinheiro não só fala como manda calar a boca”

 Essa é a maior verdade do mundo capitalista!


 ”A invenção da poltrona acabou com os heróis”

 Sem comentários, até porque estou sentado em uma...


 ”A morte é hereditária”

 Existe alguma forma mais simples de explicar a vida?


 ”Livre como um táxi”

 Essa é ótima!




 Finalizando: 

 ”Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos muito bem!”

 Espero que você ache isto de mim!


sexta-feira, 10 de outubro de 2014

See me, feel me...



 See me
Feel me
Touch me
Heal me

 Esta letra é do legendário conjunto The Who que me emocionou quando jovem, principalmente no festival de rock Woodstock:


 A tradução é:
Veja-me
Me sinta
Me toque
Me cure

 Agora vivemos exatamente o contrário com a propagação do vírus Ebola, a última coisa que pensamos é ter que conviver com essa doença em sociedade. Curioso o medo da morte: todos têm, mas a “fantasia” da proximidade dela é muito ampliada. Um avião passa sobre sua cabeça, um carro passa por poucos centímetros da tua perna apressada e você não teme. Já o Ebola... O mais triste é que ele acontece no lugar mais miserável, entre negros famintos, meninos subnutridos, malária, diarreias, água suja. Deus está castigando? São infiéis? Não, nada disso! A morte agora tem passaporte, vai passear pelo mundo todo, do taxista Inglês degolado ao imigrante da Guiné que chegou ao Brasil com febre. Temos um medo terrível de não contar com a cura! Hoje tudo tem cura, ou quase cura, vacina prá tudo, radioterapias e quimioterapias, cirurgias mágicas, tudo, tudo e mais alguma coisa... Para um rico! Branco, americano de preferência e bonito! Aí esse beneficiado cidadão vai tomar drogas, comer fast-food e... Se food! E o pior: ele se acha imortal em sua Ferrari a 200 km/h! Como se joga fora a sorte no mundo!
 Meu sonho era que, de dentro da mais fechada floresta Africana brotasse uma planta mágica que ingerida por negros da região os curasse do vírus mortal, com um porém: só da urina deles é que um branco seria salvo! Ou melhor: beijo na boca! Um monte de gente indo para Serra Leoa tomar mijo ou beijar os negões (ou negonas). Que bacana seria isso! 1000 dólares na barraquinha do beijo da negona desdentada! Casamento com um negão custa 1 milhão de dólares! E ainda leva um saquinho da erva e cura sua família toda! Os mais conservadores poderão tomar o drink “Sossega Ebola” que nada mais é que (urina + caracu), uma beleza! Cientistas enlouquecidos querendo isolar o antídoto e nada! Só no beijo e no xixi!
 Eu vou, com meu disco debaixo do braço e cantarei no meio da praça:

See me
Feel me
Touch me
Heal me

 Será que ganho um beijo “di grátis”?










sábado, 4 de outubro de 2014

Será arte ????

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

https://www.youtube.com/watch?v=9rYwWUlXRiI

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sou do tempo




Sou do tempo

 Sou do tempo em que Selfie era foto 3 x 4
 Havaianas eram para os pobres e trabalhadores
 Um telefonema servia para resolver problemas
 Um carro para mostrar aos amigos: “esse é do meu pai”

Sou do tempo em que havia tempo prá tudo
Conversar na varanda, contar piada, ir ao Maracanã sem medo
Sou do tempo em que o medo estava escondido no imprevisto
O ladrão era até camarada e poderia te reconhecer na pelada

Os olhos eram para ver outros olhos e admirar belezas
Sorrisos verdadeiros, a cara limpa, a moça bonita por natureza
Academia para os fisiculturistas, fortões das praias, exceções
Ser machão era ato de baixinho folgado, chutando a canela do grandão

Não tinha cinto de segurança, nem a palavra segurança: só o conselho de mãe
As doenças matavam com rapidez: a foice da velha afiadíssima, corte preciso
Dieta para os doentes, comida sem remorso, colesterol? Nome de xarope?
Beijo de mãe passava a dor, conselho de amigo sempre, havia amigo

Sou do tempo que dormia no ônibus e me acordavam no ponto final
Na praia virava camarão, sentava na esteira, usava pomada minâncora
Sp2 não era símbolo matemático e sim supositório de FNM
Trepar podia-se, mas o risco era tão grande e chamava-se tesão

 Hoje vivo sem tesão, em frente da televisão, andando num carrão
 Passeando de avião, hemorroidas de montão, remédio pro coração
 Dinheiro não conto não! Não toco mais violão, do pau falo não!
 WhatsApp, Instagram, hashtag, facebook, email, Selfie, Iphone 4,5,6

 Socorro !!!!! Cadê meu amigo, meu irmão, o negão da pelada?

 Chamem o ladrão !!!!



domingo, 28 de setembro de 2014

Querendo a morte

Querendo a morte

 A maioria não a quer, mas ela te busca, dia após dia
 Não é trabalho fácil, é uma dura busca, com final certo
 Ela te quer e você não a quer, desamor sem fim
 Pense nela, pois ela te ama e te quer para o todo sempre

 Nesse amor confuso tens que acreditar no final feliz
 Não será na igreja, não haverá anéis nem chuva de arroz
 Cerimônia oculta, sem convidados talvez, sem festa, simples
 Simples e definitiva, teu casamento com a dama da foice

Quero vê-la por pouco tempo, não vou namorar para casar
Que seja uma paixão fulminante! Tão forte que eu desmaie
Tão violenta paixão que me entorpeça e fulmine meu amor
O amor de relance, de adolescente, no olhar rápido trocado

Tenho que querê-la, pois ela me quer, sem recusas, sem fuga
Tenho que amá-la sem conhecê-la, dar-me todo, sem pudor
Amor meu, venha ceifar teu adorado, venha cumprir teu dever
Venha sem volta, para todo sempre carregar mais um infeliz



sábado, 20 de setembro de 2014

Amoo



Amoo

 O esquema dos dias atuais é simplificar, nada de escrever muito, perder tempo com “frescuras” de mandar cartas (coisa antiga...) ou recados amorosos. No meu tempo tinha o torpedo! Esse cidadão oriundo dos mares em guerra era aplicado, via garçom, da sua mesa para a mesa de sua futura conquista. Eu confesso que nunca dei muita sorte com a tal arma do amor e, infalivelmente, recebia o tal objeto bélico na minha mesa, lançado por um canhão-mulher... Nunca dei sorte...

 Os tempos mudaram, o amor é um mero acaso e o sexo é o prato do dia. Simples de mais, a cantada é direta, via redes sociais e outras manobras virtuais, não se gasta muito para abater a presa, é fácil, fácil. Isso é bom e broxante por outro lado: o fruto proibido é mais saboroso... Até o xuxu da visinha cai bem no prato. Como estou “fora do mercado” não posso opinar. Os tempos são de gostar das coisas e das pessoas... Amoo, adorooo, etc... Descobri este vogal-artificil nas redes sociais ( estou modernoo ): você dobra a vogal “ o “ e pode agradar em cheio! Nada de firulas, elogios, etc... Tempo é dinheiro e dinheiro serve para comprar Iphone e outros recursos para ficar plugado na internet, tensão total, não há tempo para dirigir ou andar sem ficar hipnotizado pela telinha... Plimm é um whattsapp (chato prá caralho!!! )... Triiimmm é o celular... Plooong é aviso de mensagem (conta vencida ou a mulher detonando o cartão de crédito)... Não há vida sem a porra do celular: detestooooo.

 Então ficamos assim: nada de escrever, falar, etc... Envie sua foto (selfie de preferência) com o AMOOO e junte os sinais de beijinhos, ok, bonequinho rindo e outras babaquices infantis, afinal o nosso papai é o papai GOOGLE (com dois os), entendeu?


 AMOOOOOOOOOOO!