segunda-feira, 8 de abril de 2013

Entre o grito e o estilhaço





Entre o grito e o estilhaço

Roubo do Paulo Vanzollini a ideia
Na ideia que do nada se fez o tudo
No calor de realizar o impossível
De amar mais que pode o coração

Entre o grito e o estilhaço
Cabe outra vida na vida
Sabe dizer na poesia pura
O que nunca se diz, sem espaço

Não há espaço e muito menos tempo
Entre o grito e o estilhaço cabe
O que não cabe em nenhum lugar
Só na alma de quem ama e acredita

Não há razão no querer, sem amar
Não há pecado no amar por querer
Só há a certeza da vida outra, oculta
Entre o grito e o estilhaço

Só cabe você!

E me calo com a boca de feijão


E me calo com a boca de feijão

 Todos os dias temos que sonhar, é regra, é saudável. Todos os dias temos que admitir que somos fracos ou não fortes o bastante para realizar tudo que queremos, constatação. Sonhar e pisar na terra firme, viver com o que temos, e ser feliz! Difícil? Talvez...
 E agora, em que sonhar? Em não sonhar? Essa é a pior das soluções, abandonar o barco, deixar de remar, ficar triste no viver. Tem tanta gente que não sonha, ou não sabe, ou não entendeu o verbo “sonhar” na sua mais pura verdade: ser irreal! Sempre devemos sonhar com o impossível, como o som do mais louco rock da tua juventude, nas alturas; depois vir a baixar o volume devagar, trocando o foco, passando para um James Taylor ou um Cat Steven; e ainda mais se deixar levar por um bolero, corpo mole, sonhando... E acordar na realidade dura da tua escrita, tua vida limitada em ti mesmo, teu teto de vidro (todos temos), comer teu feijão diário.
 A vida se faz de pequenos momentos que geram grandes emoções, sem nunca perdermos o foco das coisas mais simples, no arroz com feijão, no ovo frito, na média com café quente, cerveja gelada, e alegrias tolas. Sempre com a mente aberta em ver o que não vemos nunca: o poste, o passarinho depositado no fio esperançoso, a mulher grávida alisando a barriga, o velho que passa em passos decorados rumo à padaria, o gato no muro e o cachorrinho da porta velha, a dormir e sonhar... Sonhar requer espaço! Na tua cabeça, meu rapaz, na tua alma ingênua. Viver do nada para o tudo, desafios nas mãos guerreiras, calos virão.
 E agora? Vamos dividir? Vamos somar? Qual a melhor matemática para a tua felicidade? Amar é um bom caminho, e desejar o que não tens é bom! Cuidado com teus pés, tua base de tudo pode escorregar nos teus pulos, tuas arrogâncias, tua fome do hoje. Pare e pense. O dever de sonhar é alimentado pelo feijão de cada dia, feito na melhor das panelas, na certa pressão. Apimente teu paladar e crie teu horizonte, viva a graça do cotidiano, seja um pouco peão e um pouco doutor, com Chico e em Chico, Buarque-se!

domingo, 7 de abril de 2013

Edifício vida



Edifício vida

Nas paredes ríspidas do edifício vida encontrei verdades
Muitas, claras ou escuras, todas duras no viver
Sem tantas esperanças subi suas escadas
Com tantas dúvidas fui até seu subsolo ver a escuridão

No edifício vida fui de elevador ao terraço” felicidade”
De lá a vista é longa e a vida fica doce como ventos de verão
Hoje não há mais elevador e a escadaria é longa, pesada
Tenho só um pensamento: para aonde vou me mudar?

Entrei pela porta da frente, sem convite nas mãos
Vou vivendo como um eterno inquilino, mentindo a mim mesmo
Não há mais vagas, sobe tanto o aluguel que me assusta
A transferência virá em forma de pedra e pó, sem carpintaria

Os dias são longos e o aluguel sobe, na minha parca renda
Vivo aqui por falta de opção e, sinceramente, gosto
Ou me acostumei? Sou um bom pagador, em promessas
E agora? As paredes estão cinza, e molhadas de suor

Vou para onde? Outro bairro? Bela vista? Tem jardim?
Sou eu quem procura abrigo, amigo, irmão, vizinho
Têm tantos prédios, tantas vidas, tantas sólidas edificações...
Só quero uma casa no campo, onde eu possa tocar muitos rocks rurais...

É só

Tamô Fu


Tamô Fu

 Não é lutador de Judô e nem mesmo dono de pastelaria, é uma forma “delicada” de dizer que estamos lascasdos mesmo! Vamos aos fatos:

 Hoje, lendo o jornal, deparo-me com linda foto de um mais lindo ainda por de sol, nas páginas policias, com o título “Do amor ao Rio ao inferno da violência”. Já sabia do fato, mas ao ler tenho sensação de desespero e muita vergonha de morar no Rio de Janeiro, e mais ainda de ser brasileiro. Um casal de jovens é barbaramente atacado na noite, dentro de um van, a caminho da alegre e descontraída Lapa. Trajeto: Copacabana-Lapa, dentro do eixo mais turístico da capital mundial dos grandes futuros eventos esportivos. A moça linda e americana, já falando bem o Português; o rapaz francês e muito jovem (22 anos) e o filme de terror começa. São torturados mentalmente, sofrendo violência física e sexual, roubados, humilhados, dentro do sonho de morar no Rio. A garota foi seguidamente estuprada por vários e eles ficaram 6 horas nas mãos do bando... Ela chegou a pedir “não façam isso comigo...” enquanto tiravam sua roupa. O rapaz a tudo assistiu...

 E agora? Aparecem outras vítimas do mesmo golpe. E depois? Quem garante a nossa segurança? Se fosse em Paris? Lá na perto do Sena a caminho da Champs Elysées? O que seria da imagem da mais visitada cidade do mundo? E o Brasil fica como? O Engenhão caindo, a vida seguindo normalmente, a nossa incapacidade de reagir sendo a mesma.

 Acho que seremos uma vergonha exposta ao mundo. Tudo que depende das mãos do governo é falho e com segundas intenções. A nossa seleção de futebol segue o mesmo caminho e sorrimos... A economia então...

 Então Tamô Fu, estou certo?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

A melhor idade




A melhor idade ou a maior piada de todos os tempos

 Hoje ouvi no rádio um programa governamental para incentivar o turismo na “melhor idade”. Nada contra os velhinhos passearem e gastarem o suado (ou não) dinheiro de suas economias, sem deixar para os filhos ou nos cofres dos bancos. É isso aí “garotada”, vamos torrar a grana e conhecer o mundo! Maravilha! Agora dizer que a “melhor idade” é depois dos 60 anos, tenha santa paciência, muito mal gosto... Quem aí se acha na melhor idade depois de velho? A idade melhor é a que te traz mais alegrias, certo? O que de bom temos na vida? Eu acho que são os sonhos realizáveis, sexo, comida e bebida! Tudo isso regado com muita saúde e disposição! A inocência também é bacana, aquela ilusão de que o mundo é resolvido por papai e mamãe, os jogos infantis, as brincadeiras sem maiores consequências, nossos heróis e fantasias.
 E você? Qual a tua melhor idade? A das conquistas ou a do desfrute? Queres se aposentar e viver a vida sem preocupações? Tomando conta dos filhos e lambendo os netinhos? E aquela hérnia de disco? O intestino rebelde que te assusta? O medo de ser assaltado e ficar paralisado pensando que nem correr você pode mais, legal isso né? E os amigos que se vão tolhidos pelas doenças, os médicos que tudo proíbem, animado isso! Ora, amigos, a melhor idade é aquela que você trabalha e emenda uma farra com amigos e está novinho no dia seguinte, com poucas horas de sono. Sair com a linda garota e não fazer feio na cama, correr, pular e quando quebrar a perna ficar bom com três meses! Delícia de churrasco, comendo aquela costelinha de porco lambendo os beiços, uma feijoada sendo repetida e nada sentir, traçar um pote de doce de leite sem medo de ser feliz! Isso é bom. Ficar velho é para os fortes e para quem viveu bem, que tenha boa memória e lembrar-se das glórias passadas, e só! O resto é uma boa merda!
 Então, não me fale da melhor idade com essa cara de que"minha Tia viveu 100 anos e deu para o Oscar Niemayer!" Não, não gosto dessa alegria passada e cada dia que chega vamos podando um pouco nossa arvore da vida. Feliz? Todos podem ser. Na melhor idade é que você vai ter que acreditar muito na Dilma, no teu pé de meia para andar com muita gente chata, em navios abarrotados de “atividades” da terceira (ou quarta idade), jogando baralho...
 Eu estou fora!

sábado, 23 de março de 2013

Paro , olho e escuto




Paro, olho e escuto

 Paro, olho e escuto tua alma encostar-se à minha
A respiração se faz mais forte e o corpo sente
Há calor, há contato e um silêncio mágico aparece
Não é sexo, não há beijo, só a sensação que invade

Era noite e a cama nos acolhia cansada e corroída
Era tempo de sonhos e descanso, só
Acordei com teu longo suspiro...
Parei, olhei e escutei tua alma encostar-se à minha

Elas se falaram com tal intimidade que o corpo suou
Não era calor, era talvez uma emoção do impossível ato
Elas começaram a se amar, como gente sem peso e sem culpa
Paro, olho e escuto tua alma amar a minha

Louco a olhar, paralisado no ficar, encantado estacionei a mente
Amor de almas perdidas, de nuvens abraçadas, brisas leves
Amor de flores desconexas em jardins perdidos, beija-flor único
Amor que sobe e desce montanhas sem medo de nada, puro

Foi assim que senti tua respiração mais pesada, querida
Também nada fizemos, o corpo pesado como pedra assentada
Foi um ato tão obsceno que de imediato foi censurado em vida
Não o será na morte, amor, nunca esquecido, permanecerá

Paro, olho e escuto tua alma beijar a minha
Prometem  eterno silêncio e não pecar jamais
Tu ficas ali deitada a sonhar o que nunca saberei
Só sei que te amei loucamente, sem te tocar, nerudamente

Ficaremos assim combinados: amor em vida e além
Trataremos de gastar beijos e arranhar abraços até o fim
Sem nada a cobrar ou exigir, só carregando o peso carnal
Paro, olho e escuto a minh’alma dizer para tua: te amo.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Você dá gorjeta?




Você dá gorjeta?

 Pois é, quem gosta dá e diz com uma felicidade generosa que até incomoda o “pão duro”. O hoje li no jornal a revolta de funcionários do Porcão (grande rede de churrascarias) pelo corte da gorjeta, só serão repassadas as dadas em dinheiro vivo! Dizem que mais de 20 funcionários foram demitidos por justa causa!!!???

 Bem, o fato é que ou você dá e gosta ou tenta não dar e não gosta. Esse negócio de “dar” é realmente muito pessoal, em todos os ângulos e aspectos. Há o argumento de quem não dá, pois acha que o dinheiro deveria ser distribuído por todos, até chegar à cozinha! É claro, a meu ver, que todos merecem! Do atendente ao cozinheiro (até mais!). Não entro nesse mérito. O que vou repassar é a tabela abaixo:

Brasil....................................... 10 %
Inglaterra.................................12,5% na conta mas pode reclamar
EUA.......................................... 15% se não pagar apanha!
Itália.......................................... 12%
França....................................... 10% na conta, mas se deixa algo a mais na mesa.
Rússia........................................ 20%, daí veio o termo “tá russo”.
Japão........................................ 0% e se você der ofende o povo de lá...

 Vá entender o mundo... Eu dou por medo mesmo! Todo turista é babaca, isso é regra! Se você está em terras estranhas é melhor “se coçar” e ficar de bem com a vida, que inclui o garçom e o taxista, o resto é lucro! Até esmola em euros eu já dei para uma velhinha em Paris, achei muito chique! A minha amiga pirangueira, ao lado, disse “não dou nem Fud%$#@!!”: ela é a rainha dos “ peixes urbanos "  e adora uma “ Galinha morta”! Dar gorjeta ela não dá! Mas, eu dou por ela... Questão de sobrevivência!

 Vai viajar? Então pense em ser generoso, afinal você é que está se divertindo na terra dos outros, você é que é o gringo, entendeu? Quando voltares para o seu País faça suas economias, certo?

 Boa viagem!