domingo, 17 de março de 2013

Amar o presente


                                             










Amar o presente






Receber, olhar e abrir o presente


Olhar para quem te deu com candura


Saber que o presente não é para sempre


O para sempre é o nada que se fará depois






Conhecer o lado bom do teu presente


O que ele representa e o melhor: é teu!


Acreditar na força da mensagem que emana dele


Pedir que ele permaneça sempre novo em novidades






Quem te deu é quem pode


Ele vai te dar outro presente


Agora, nesse exato momento


Dentro de um breve suspiro, sorria






Olha ele aí de novo, vivo, na tua mão


Pegue-o com carinho e não deixes quebrar


Essa linda caixinha de música chama-se vida


Esse presente é o único momento que importa






Ame-o, simples assim

terça-feira, 5 de março de 2013

Medo de avião


                                                         Medo de avião

      Quem tem? É paralisante ou dá prá encarar com um lexotan? Tem motivo ou vem do desconhecido? Não sei se tenho, acho que não. Nunca me vi em situação de risco e não sofro por antecedência. Tenho sim muita admiração pela máquina que beira a perfeição da engenharia: ali tem todas as engenharias possíveis! Tudo junto funcionando bem. Eu não posso dizer que é perfeito, pois volta e meia o homem é capaz de derrubar um avião, por sequências de erros. No futuro as máquinas voarão sem piloto, aí sim vamos ter mais certeza da eficiência da “estrovenga”.
     Amigos, não sou contra os pilotos não! Por favor! Eles são treinados e competentes, mas não são os únicos. Avião parado é um perigo! Lá estão mexendo nas entranhas do bicho, isso é complicado, a manutenção. Meu Pai dizia que o risco de viajar de avião é pegar o taxi para o aeroporto! Tinha razão. Ele contava a piada do sujeito que pegou, pela primeira vez, um taxi no aeroporto de São Paulo e o Japonês saiu a mil por hora, cortou um sinal fechado, ultrapassou o segundo com mais velocidade ainda até dar aquela freada de cantar pneu no sinal verde... O camarada já todo pálido perguntou “Porque o senhor passou dois sinais vermelhos e parou no verde”?”O Japa respondeu” Pode vir Japonês maluco, né!”Hoje morro de medo de automóvel, por razões óbvias de ver os” inimigos” vindo em sua direção. Sim: inimigos! Um amigo tinha essa teoria radical para quem vinha em sentido contrário. Imagine você na estrada e os” inimigos” passando do lado em alta velocidade... Eu tremo em pensar no espirro que o caminhoneiro da carreta lotada pode dar e, em um ato reflexo, dar uma guinada por cima do carro que vem de lá. Batida de frente é fatal! E sigo contando os acidentes evitados a cada ultrapassagem, fico meio maluco com isso. Já no avião não vejo os” inimigos”, é uma vantagem.
       Voltemos ao medo do avião, tem sentido? Medo de dentista tem, de entrar no mar também, de bandido armado nem me fale! Mas do avião??? Acho que é bacana você ter fé, para tudo ela vale e anima. Minha tia dizia que não entrava em avião com freira... Vá entender! Ela voltou quando duas freirinhas entraram na fila do embarque. Não teve jeito! Tive que voltar com a velha prá casa... Com padre ela podia encarar o voo, mas duas freirinhas jovens... È muita tentação para chegar ao céu, dizia ela. E viajar com criança chorando? Não é fácil não. A pressão de dentro do avião altera os sensíveis ouvidos no rebento e você vai se divertir lembrando-se do quanto é bom ter filho grande e já criado. Hoje todos viajam de avião, da madame ao pedreiro, a companhia GOL é o celeiro da igualdade humana, quase a praia de Ramos no domingo, uma delícia. Interessante é o olhar do companheiro do lado, sem saber como apertar o cinto e sem olhar para a janela com medo de ver o que não quer ver. O medo do mais simples é menor do que o do medroso crônico, esse sim é perigoso, na primeira balançada fica pálido e chama a aeromoça, fazer o que? Temos que viajar cada vez mais de avião. Nosso país é imenso e os TGVs não existem por aqui, então façamos as malas e passemos fome nas companhias que temos, sem medo de ser feliz!

domingo, 3 de março de 2013

Dieta escondido





Estou fazendo dieta escondido

 Vocês acreditam? Já viram alguém que faça dieta escondido? Eu estou fazendo e vestindo as sandálias da humildade! Santo ficarei até cumprir a minha missão quase impossível. Não sei se chegarei lá calado, esse é o maior desafio! Sofrer calado! Incrível como a dor tem que ser compartilhada, sem plateia não há graça, não há sentido. Admiro muito os que sofrem calados, acho até que esse grupo não existe; se ele é calado para mim não o é para outrem (velho isso "outrem"...). Quem aqui já viu o sofrimento ser calado, trancado, digerido dia-a-dia por um só? Coisa rara, se existir! Alegria e sofrimento estão do lado oposto da mesa de tênis da vida (não falei tênis de mesa não!), mas querem torcidas. Viram o jogo do Corinthians no qual não havia torcida? Coisa estranha, quase utópica, sem sentido até! Na vida também temos que ter alguém olhando para nós, nas alegrias e tristezas, nas conquistas e nas perdas.
 Voltemos á dieta. Minha dieta é de amor. Tenho que gostar de mim mesmo, sem falar, sem contar vantagens, quieto. Como um monge recluso tenho que exercitar a auto-doação, e deglutir minhas próprias críticas, com carinho. Sou pouco piedoso comigo mesmo, se erro me condeno, se condenado tenho que me auto-flagelar! Ora, assim vou ser refém da minha própria existência! Errar todos erram, mas a condenação tem que ser mínima, será? Olhar pelos outros é o caminho certo, desde que tenhas sapatos de couro duro, nordestino por vocação e muita dedicação para percorrer esse trabalhoso roteiro. Estou tentando melhorar, viver com menos atenção e chorar menos, sofrer pouco e sofrer esquecendo a dor. Essa é a linha: esquecer! As dores foram feitas para gerar sentimentos bons, arte e esperança no amanha, e só. Apagar tudo, escrever com giz, sendo o seu próprio professor e ficar assistindo a sua aula em silencio, só. Fazer sempre o dever de casa sorrindo no prazer sádico de se conhecer mais e mais. Professor e aluno em uma só pessoa, para aprender e ensinar a regra maior da felicidade: esquecer o ruim da vida, sem mágoas e sem receio de ser injusto. Viver é simples para quem vive apagando suas dores e aprendendo a não valorizar tanto as que virão, “apanhar calado e bater sem dar risadas” diz a música, concordo.
 Dieta de amor. Muito amor sufoca. Só o amor próprio constrói o poder de oferecer mais e melhor. Não recebas tanto, viva mais com menos. Fácil? Não! Mil vezes não! Perder é difícil! Mas, entendas, não é paralisante. Perder e ganhar, tudo na mesma moeda, na mesmíssima mesa de jantar de todos os dias. Misture isso com sua capacidade única de ver o mundo em preto e branco e pense nas cores, satisfaça-se com tua criação, e viva na dieta do dar sem querer receber. Duro mesmo é mergulhar na verdade maior da existência: prá que e prá onde vamos? Porque estou aqui? Sou bom e merecedor? Pequei mais ou menos que deveria? Culpo-me demais? Faço o que é certo? Existe o “ meu “melhor? Há luz no fim do túnel? Não há dieta que te faça ver no escuro, só o “crer” tem a resposta, que não é única.
 Viver é ato simples quando não precisas de dieta. Seja qual for! De comida, dinheiro e amor. Limite-se e pagarás o preço da existência. Mas tente ser menos expansivo e achar que teu mundo é mais valioso que o do outro. Somos iguais e igualados na dor. As diferenças estão em detalhes mínimos que se faz com esforço máximo, respeite as conquistas alheias, por menor que pareça, na tua visão. Faça dieta para, por raras vezes fugir dela! Comer escondido o doce proibido, pecar no absoluto desejo do arrependimento. Não se culpe tanto, se não deu certo pode ser que o mundo esteja errado, a dieta é fraca e o médico é um verdadeiro charlatão! Quando você é o médico da tua própria doença é que verás o quão difícil é o tratamento. Viva sem alarde e agradeça cada sol que aparece, ele é a prova da vitória de ontem! E isso tem que ser o bastante.
 Viva simplesmente para ser único e aprenda, como fez Sidarta ,os três mandamentos : rezar, esperar e jejuar. O resto vem fácil fácil...

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Pesado como pedra




 Pesado como pedra

Hoje acordei pesado como pedra
Não pedra comum e sim pedra de pedreira
Pedra que será triturada em seu destino incerto
Em pó, que é nosso destino final, em alma de pedra

Tem dias que acordo como areia
Não areia comum, areia boa, de rio doce
Areia que será acariciada por pedreiros, macia
Areia que vai casar sólida com cimento, forma

Outros dias sou cimento puro
Sou cinza no ser e útil para os outros
Sinto-me forte como madre Tereza de Calcutá
Viro concreto! Realizo sonhos! Bom homem...

Mas hoje acordei pesado como pedra
Procuro areia, procuro cimento e mãos
Quero virar concreto, quero ser algo melhor
Quero reviver sem pensar no pó

Com olhos ardidos vou levantando cansado
Da pedra despir-me, ser gente como gente comum
Dela só herdar o cansaço, o peso e a dureza
E ouvir Chico...
“Tem dias que a gente se sente
 Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi mundo então que cresceu “

 E nessa roda viva olhar a vida
 Tão dura como pedra
 Tão concreta que dói
 Tão água que choro

 Devoro-me nessa dor sem explicação
 Dormi pluma e acordei pedra
  “É sol é pedra, é o fim do caminho...”.
 Pouso os olhos no calendário: Março chegou

 Quero ser Abril e, tomara, virar Maio
 Quero ser leve para sonhar com músicas
 Voar sem destino certo e andar solto
 Da pedra só gostar do nome, só pisar, mais nada!

Mas hoje acordei pesado como pedra...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O melhor presente





"Viver o presente é o melhor presente que você pode se presentear" 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Adoro o Seedorf


Adoro o Seedorf

     Eu não colega! Estás me estranhando??? Sou flamengo de coração e do dito jogador só gosto da cor que participa na bandeira (ou melhor: manto sagrado), junto com o rubro, para formar a estampa do maior do mundo!
     Voltemos aos fatos: Carminha casou-se com o Flávio e na festa só tinha rubro-negro. Também pudera, ela era alucinada pelo mengão e o Flávio idem! Os dois se conheceram no Maracanã, coisas de família tijucana, foi amor à primeira vista. Ela portava um shortinho jeans e a camisa do maior de todos, e quando ia dar uma voltinha no intervalo das partidas, partia corações. Flávio comentou com o amigo:
- Rapaz, olha aquele rabo! Nem o Fio maravilha poderia imaginar um traço tão bonito...
- E ela está te dando mole, seu babaca, vai lá e paga um picolé, aproveita e pede o nome da loirinha com cara de puta que está com ela: 1 x 1 jogo fácil! Eu como uma e você a outra!
     “Coisas dos anos 70, meu amigo, já se foram muitos anos e o Flávio “cortou um dobrado” para “traçar”  a Carminha. Filha de militar, não estava ali para arrumar homem não! Ela tinha que zelar pelo nome da família e pelos tradicionais costumes tijucanos: torcer pelo mengão, frequentar o tijuca tênis clube, honrar papai e mamãe, só dar a periquita depois de casar... Mas o Flávio tinha seus truques: um porte atlético, boa família de portugueses ( o pai quase infartou ao vê-lo jogando uma pelada com a camisa do mengão aos 14 anos), um Ford maverick! Sim, o rapaz tinha posses! O restaurante do pai bombava em Vila Isabel e dizem que tinha o melhor bolinho de bacalhau do Rio! Exagero??? Não amigos, era não, não havia programa melhor aos domingos do que voltar da praia e ir saborear os tais bolinhos Dizem também que a velha Rosa esfregava o pano na xoxota e depois amassava os bolinhos, no calorão da terra do Martinho o quitute ficava perfumado! Delícia... Tão bom que o Flávio levava Carminha e amigos para um chopinho comportado no fim da tarde de sábado , para combinar o programa da noite. Os amigos não pensavam em outra coisa:
- Sábado vamos lá no bolinho do Flávio?
- Carminha vai estar lá? Perguntava o colega.
- Sim, claro! Por quê?
- Só gosto de comer o bolinho sentindo o convidativo cheiro e olhando as coxas divinas da Carminha... Será que o Flávio já comeu?
- O bolinho?
- Não! Seu babaca! A Carminha!!!
      Não comeu não! Ele mesmo confessou que ela exigiu um noivado e um anel de brilhantes, embora o anel dela já tinha sido aprovado na joalheria do Flávio. Rolava de tudo, mas a promessa feita para a vovó não seria quebrada nunca! “Filha, marido bom é marido adestrado! Só dê com papel passado” Isso deu até samba nas mãos do Carlinhos Boca de Ouro (um neguinho fraquinho que tocava bem um cavaquinho e era compositor de primeira lá na charanga do mengão), se ainda me lembro:
“ O amor é fruta rara
 É tão cara que maltrata o cara
 Ela já deu o ultimato
 Já deu até o outro buraco
 Mas marido bem é marido nato
 Só casa com anel casa e papel passado... “
      E por aí seguia o sofrimento de Flavinho, regado a vinho e bolinho, muita sacanagem na garagem e muita cantada no pé da orelha de Carminha que até perdeu peso de tanto tremer nos dedos habilidosos do grande piloto de maverick. Se manter virgem queima calorias amigas, muitas!
      Vou encurtar a estória, pois o sofrimento maior veio muito tempo depois: casados e com bela família os dois se amavam muito! Já na Barra da Tijuca, com dinheiro sobrando, não iam tanto ao engenhão. Televisão de última geração, piscina, cerveja (a barriga do Flávio era “imoral” como dizia Carlinhos), e os jogos eram digeridos com churrasco e não raro um bolinho de bacalhau, sem o tradicional aroma da fertilidade da falecida dona Rosa (que Deus a tenha). Foi aí que começou o drama de Flavinho. Flamengo x Botafogo, jogo solto, lá e cá, e... Adoro esse negão! Disse Carminha, já meio chapada, com um copo de cerveja importada no meio dos seios devidamente siliconados. Pegou mal... A galera não acreditou... Ela consertou “Podia estar no flamengo, imaginem ele distribuindo a bola para o Hernandes...” As bolas do Flávio se contorceram de raiva! Ele já velho, meio-broxa, assíduo das pílulas azuis e FIEL Á PATROA! Sim, no dia do defloramento teve que jurar antes de adentrar! Era um santo marido... De outra feita quis comer o anel de couro, já depois de casado, e ouviu esse “Não senhor”! “Eu sou como SONIC e já mudei de fase amor!” Mas querida, não tens saudades de nossas madrugadas na garagem? Lembras do Maverick??? NÃO !!! Não enche o saco Flávio, você vive do passado! Sou outra mulher e resolvida! Aí Flavio se rendeu: mulher RESOLVIDA é PHODDA ! Nunca mais o fiofó da Carminha, pensou ele, que era melhor que buraco da promessa...
     Voltemos aos fatos: Adoro esse negão! Foi muito forte para o nosso herói! E foi pior ainda colega! Belo dia ele teve uma puta (em São Paulo quer dizer grande) dor de cabeça na construtora e voltou mais cedo. Comprou umas flores para Carminha e chegou de surpresa em casa. Dia quente, tudo quieto e viu a seguinte cena, Carminha nuinha, deitada na cama lendo “os vários tons de cinza” e suspirando” Adoro Seedorf, te adoro meu negão! Uiiiiiii, que delícia...”. Flávio, com a luz acesa, se desesperou vendo um belo e possante vibrador, negro como um tiziu, enfiado na garagem da patroa!
     Foram-se tantos anos de felicidade, tantos jogos juntos, para tudo se acabar em uma quarta-feira de cinzas; nem tantos tons, nem tantos cinzas, e sim negras, carbonizadas, casamento desfeito.
     Triste isso, dizem os amigos, que agora torcem para o Flamengo comprar o Seedorf e, neste caso, promoverem o encontro dos dois namorados da Tijuca, quem sabe não vai dar samba, disse o sábio Carlinhos.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Hoje eu vi um cego


Hoje eu vi um cego

   Ele, obviamente não me viu. Pensei em sensações não correspondidas como a de um faxineiro em resort de luxo, cruzando com a senhora de malas prontas, linda e feliz ao lado de seu marido milionário; os latidos dos cães que ficam sós nos fins de semana abandonados pelos donos que viajaram; no fotógrafo de casamento, que na nulidade do momento, tenta registrar a felicidade maior; do coveiro com sua constante e calada placidez diante da morte.
   Era verão, muito calor, Rio de Janeiro, bairro de Benfica. Eu lá, completamente isolado do mundo externo, confortavelmente sentado no carro de ar condicionado perfeito, 39 graus diz o termômetro e o cego andava pela calçada simples de um subúrbio também. A locomoção gerava emoção: tateada pela vareta, em passo comedido avançava, pé a pé, na dança incerta do caminho. Pensei “Gentileza gera Gentileza”, que vi pouco antes na pilastra do viaduto. Quem seria gentil com ele? Quem? E lá seguia o homem pobre de camisa branca e pele negra, riscando o vazio com leves toques no chão, como um pianista do nada, tocando a sua música própria que ele magicamente transformava em imagem. Fiquei pensando na sorte minha, sem calor e vista boa, andando sentado, com direção formada no trajeto certo da máquina, fazendo meu caminho com absoluta convicção de sê-lo o correto. E ele? Saberia da ida e da volta? Decorado estavam os sons que o levariam ao seu destino? Pensei em coisas tortas, no maior cajueiro do mundo, em coqueiros doidos que se torcem nas praias do nordeste, na vida dura do cortador de cana, em crianças desnutridas. Sofri. Por 2 segundos senti-me o rei do mundo! Sorri. Sou feliz por demais... Tenho sorte! Sou reto e ereto vivo sem maiores dependências, tenho direção, objetivos e sonhos. Quem saberia dos sonhos do homem que varava o vento quente? Sabores talvez... Ou músicas celestes.
- Cuidado!
   Era um motorista da frente que avisava ao passante que o cego, descuidadamente, saia de seu rumo em direção aos carros parados sobre a calçada. Pensei novamente na desconsideração pública e explícita de nossos governantes que geram o caos urbano que vivemos. Revolta. Vi a mão da ajuda alheia reparar o erro e se evadir do local em passos firmes. O salvador instantâneo se foi com o coração feliz (imagino eu) de ter reparado o rumo do deficiente. Ou teria cumprido uma ordem? O “cuidado” foi firme, de pessoa preocupada, na direção certa, no momento exato. Quem saberá?
   E de lá avisto o sinal verde, o mundo volta a mover, a vida segue comigo; e sem mais ver o cego, que obviamente não me viu, acelerei.