domingo, 6 de maio de 2012

O homem mais feliz do mundo !!!!


O homem mais feliz do mundo!


   Hoje o encontrei. Feliz, só sorriso, abraços comedidos, pois tinha que disfarçar a sua felicidade da amada... A vida tem seus truques inesperados e o meu amigo Rodrigão foi agraciado por um fato inusitado, incomum e curioso. A sorte sorriu prá ele, MAS cobrou seu preço: não sorrir em família. Você já pensou ser flamenguista em uma ampla família de Portugueses vascaínos? Ele é torcedor do Sport e a família tão Náutico de coração, tadinho... Devia estar acostumado, caro Rodrigo, a engolir teu riso e comemorar escondido no banheiro, tirando a camisa e vestindo a do teu clube, comemorando com a frase em mímica: CAMPEÃO!!!! É CAMPEÃO PORRA!!!! E voltar todo triste para a sala cheia de cores vermelha e branca, mais vermelho do que branco, nos olhos chorosos dos tristes derrotados. É duro não comemorar...
   Pois bem, hoje vi o cidadão agraciado, meu sobrinho Rodrigo que chegava ao Rio para o evento não comemorativo para a família, só prá ele.
- Tio, vou pro Rio...
- Legal Rô! Vai ficar quanto tempo?
- Só um dia Tio...
- Rodrigo, você vem de Recife e fica só um dia aqui? O que houve?
- Tio, não posso falar...
- Por quê?
- Sabe como é... Ela pode ouvir...
    Eu, malandro velho, compreendi que era segredo de estado, a mulher do lado escutando, sabem como são essas coisas. Bico calado era a senha (BC).
- Tio BC tio...
- Entendi... Mande uma mensagem, nos vemos no domingo então, boa viagem querido!!!!
 Logo depois recebi no celular:
- Tio tô feliz prá CARALHO !!!!! Sou o homem mais feliz do mundo!!!
 Eu, de pronto e me coçando todo de curiosidade respondi:
- Diz logo seu sacana !!!!
 Ele mandou essa:
- MINHA SOGRA VAI MORRAR NA CHINA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
   Meus amigos, era verdade. Uma transferência excelente na vida profissional do marido da sogra levava o casal lá pras bandas do outro lado do mundo! No quinto dos infernos!!! Isso é bom demais!!! Não é prá qualquer mortal não! Muito melhor do que o hexacampeonato do Náutico!!!! Ser Sport e ter a sogra morando lá no fim do mundo é muito bom!!!! O pior é que ele ainda me confessou:
- Tio, imagina quando eu for visitá-la e oferecer, com todo o carinho que tenho por ela, um ESPETINHO DE ESCORPIÃO!!!!

 É ou não é um sujeito feliz???


Roberto Solano

sábado, 5 de maio de 2012

5/5


 5/5


 Um sol costureiro rasga minha cortina

 A manhã virando claridade na retina adormecida

 Sábado de sol, mês de maio, ano 2012

 Acordo tonto, sem acordar, acordando...


 Abro janelas vendo o ar frio penetrar a casa

 Finjo não ver lá fora para não me despertar

 Quero sentir o torpor do meu sono ainda vivo

 Estou meramente de pé com a mente acamada...


 Agora não posso mais fugir do apito da chaleira

 É manhã de Maio e tento coragem para ver o céu

 O céu que vai adentrar no coração cansado, triste

 Ele está lá, imponente, me esperando, calmo e tranqüilo


 Agora sou eu! Um só desperto, preparado para o embate

 Levanto a cabeça e vou até a janela aberta, na visão maior

 Na mais linda cor de azul, recém lavada pelo orvalho em noite fria

 Lá está a minha alegria maior! A esperança em forma de cor: azul


 Não é azul comum, nem do mar, nem das flores atrevidas, nem azuis talvez

 Ele é algo que penetrando os olhos vai se dissolvendo em outra cor maior

 Maior que o céu, mero pano de fundo, e do mar, seu admirador eterno

 O azul de Maio! O único e venturoso! Indescritível na manhã clara portenha


 Venha ver-me todos os anos dessa vida de tantas cores

 Socorra aos que tem coragem de te entender

 Traga passarinhos e ventos frios

 Mas volte, volte sempre

 Salvando minh'alma

 Carioca

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A máquina de diminuir problemas


A máquina de diminuir problemas

  Sempre sonhei com aquela que seria a melhor de todas: A máquina de ACABAR com os problemas! Poderia ser em spray, do tipo "laquê", uma espirrada e tudo resolvido! Conta bancária no vermelho? Umas gotinhas bastavam e PIMBA! No azul de novo! Dor de cabeça? Então tome de passar o líquido milagroso na cabeça e tudo acaba... Uma delícia! Mas, isso é só um sonho de uma noite de verão. Vamos à realidade dura da vida. Que tal diminuir os problemas? Eu descobrir a "tal" máquina. Não é embutida em garrafa, não tem álcool nem entorpecentes, é real, feita de concreto armado, grande e imponente.
  Vou fazer um suspense para valorizar o texto e precisar o que senti ao entrar na mesma. A nossa vida se divide em alegrias e tristezas, saúde e doença, riqueza e pobreza, enfim a dualidade do bom e do ruim no dia a dia dos mortais. Sim, somos mortais, sem nunca crermos nisso, mas somos. Infelizmente! A vida nos sorri quase todos os dias, você que come e ama, trepa e corre, briga e apanha, sempre na corda bamba ou não. Os muito ricos e nobres nunca saberão o valor de um presente comprado com sacrifício para a Mãe ou para a mulher amada. O carro usado sendo o seu primeiro na vida. Uma bola de couro, das boas, nas mãos do menino sujo de barro e bom de bola. O anel de noivado comprado em 1000 prestações... Acho que rico não vive, é arrastado pela maré de facilidades, tudo caindo do céu... Sei não, acho chato demais a vida da princesa ou de um velho Barão. O bom é conquistar as coisas no prazer de colher o que plantas, uma atividade acumulativa e gratificante. Eu já comi ovo colorido com sal e cervejas contadas, foi bom. Pouco dinheiro também pode dar felicidade, sem entrar na máquina de reduzir problemas ( acho que o pobre entra mas não percebe muito...) e sem medo de ser feliz!
  O leitor já deve estar aborrecido. Que máquina fantástica é essa? Como funciona? Tem prá vender? Alugar? Ou é uma grande invenção desse que vos escreve. Talvez uma invenção de um coração com olhos para ver a dor alheia e poder medir a felicidade de estar do outro lado dessa vida dura desses combatentes da guerra maior: a luta pela vida, para respirar o ar que nos cerca e comer sem sentir dor, enjôo, para um dia poder sorrir sem contar os dias. Estamos aqui, todos vivos: uns vivendo e outros brigando para viver o dia, a hora, um segundo a mais que Deus lhe dá. A vida sendo talhada na esperança, no amparo de uma mão amiga, na drogas correndo nas veias como uma via paralela da salvação. Vivendo o hoje como um nunca mais, esperando a boa notícia do fim do castigo, da cura futura. É lá amigo que meus problemas se encolhem.  Vem a minha maior vergonha: reclamar da vida! Das pequenas coisas que achei grande e lá ficam escondidas no meu bolso. Meu coração aperta tão profundamente que contenho as minhas lágrimas debaixo da minha pena, na pena maior de mim mesmo ali com saúde e olhar vago, sem compreender o "porque" que Deus escolheu uns e outros não, em uma lógica mais sem lógica ou motivo na história da existência humana.  Uma sensação de vazio penetra meu ser que desabrocha no calor de uma irmandade que só se vê na dor, na vontade de querer ajudar, em pequenos sorrisos tímidos e ações que faço sem encontrar uma luz maior para dar.
  A paz...
  Não posso sentir-me bem, vou-me adestrando na alma doída, tentando viver o que só os de lá vivem, e fazendo força para acreditar em uma força maior ou divina que traga a cura rápida aos que lá a buscam.
  Vá lá amigo, com o coração aberto. Sinta-se um felizardo, sem problemas maiores e agraciado pela tua genética boa, na boa mágica que vigora dentro de tuas carnes e ossos, mantendo tua vida saudável. Vá lá e ajude sem passividade, contribua como puder! Alimente essa máquina para que ela cumpra o seu dever de buscar e trazer a cura e, por um breve momento, fazer-te o menor e mais feliz dos homens aqui na terra!
  Visite o INCA!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Só um detalhe

Só um detalhe


 No olhar desviado do meu

 Naquela noite sem estrelas

 O escuro mais duro que o beijo

 Não dado...


O passar das horas prometidas

O vestido azul na cor do céu

Um céu só maior que a minha emoção

Talvez...


E veio o beijo

consentido e dado

De um amor nascido no detalhe

Da estrela escondida

No azul desmedido



E, principalmente no olhar

Desviado...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Fechado prá balanço


Fechado prá balanço

 No passado se via com mais freqüência a tal placa “Fechado prá balanço”, que as lojas usavam comunicando o serviço de contagem do estoque e arrumação geral. Hoje não a vejo mais, talvez por não ir muito às compras ou porque o computador faz o serviço na calada da noite, junto com funcionários “fantasmas”, será? Só sei que gostava de ver as grandes lojas paradas, como por castigo, quietas e silenciosas, algo que me trazia uma reflexão maior... Será que eu mereço fazer o meu balanço interior? Minha cuca, tal qual  o enorme estoque da Mesbla, pode parar um dia por ano? Vou conseguir contar meus bens e meus maus? Fecho no positivo ou estou irremediavelmente quebrado? Terrível sensação de não saber fechar minha contabilidade por medo de não ter um saldo bom para mostrar.
 E hoje me vem a idéia dessa faxina mental, dessa contagem, da balança, do meu ponto de equilíbrio. Vou em frente? Estarei com coragem para apagar dores e remexer com sensações frágeis? Sou forte ou um fraco a mais nesse mundão de Deus? Estou em dia com meus amigos? Tenho retribuído o tanto de amor que me oferecem? Estou batendo muito forte nos mais fracos ou correndo demais dos mais fortes? Sou um bom homem ou pelo menos tenho um bom projeto para tal? O que faço para merecer o mais ingênuo sorriso da mais pura das crianças? Estou fraco? Forte? Ou um fingidor? Quem sou além desse corpo que segue sob uma cabeça confusa? Estou preparado para esse balanço? Não sei...
 Procuro o gerente da Mesbla ou da Sears para uma breve consulta de como fazer essas contas tão bem feitas e reabrir no dia seguinte com a minha promoção de felicidades, sorrisos e muito bom humor!

 Roberto Solanoechado pr

domingo, 15 de abril de 2012

Essa prova eu não faço!


 Essa prova eu não faço!

 Coisa de “cabra macho”. Estávamos no colégio de São Bento, década de 70, duelando com o mais temível professor de Francês da história! Professor Paulo Armando. Criatura realmente diferente: cabelos longos, usava umas sandálias do tipo franciscanas, um nariz grande e empinado, pinta de “playboy”, e dizem as más línguas que era uma “pegador” na sua área (tijuca), não deixando saia sem um olhar desejoso. Pois bem, existem professores rigorosos, mas do nível dele não. Era estudar muito para passar “raspando” na prova final! Passar direto era coisa não possível e eu sofria nas mãos de Madame Sara, uma francesa que recebia a missão impossível de fazer esse que aqui escreve passar de ano. Todos sofriam, e muito!
 O campão era o palco das qualidades maiores dos competentes meninos atrevidos do ginásio que jogavam contra a turma do científico (mais velhos e parrudos). Nosso time não desejava nada às melhores seleções da época: no gol Zé Luis, o “Aranha negra”, goleiro de vestimentas condizentes e todos os aparatos de um grande “goalkeeper”. Na zaga Carneirinho trombava qualquer vulto que ousasse invadir seu espaço. Ceguinho, com seus óculos embassados levantava poeira e sentava pernada em todos (até em nossos atacantes que, por descuido, iam buscar a bola com o grande Zé para recomeçar a partida), não tinha conversa não, o pau comia! O ataque era brilhante com os craques Marcílio (um terrível driblador), Ricardinho (um gênio da bola), Espanhol e Marcelinho pela ponta direita. Eu, por vezes era escalado para a ponta esquerda, com jogadas tão endiabradas que nem o “Fio maravilha” sonharia em fazer! Com um detalhe: nunca dava certo...
 A turma era boa de bola e, na maioria, flamenguistas de coração. Alguns botafoguenses eram aceitos e poucos torciam pelo fluminense, time de elite e do afamado professor Paulo Armando. Nosso herói, o Espanhol, estava sempre no pódium das peladas e na lista da segunda época, prova que nos torturava, roubando-nos as tão sonhadas férias. A turma dos comportados passava pelo Paulo com certa dificuldade e os “meros mortais” com grande dificuldade, imaginem os peladeiros...
 Na maldita prova da 2ª época o meu amigo Espanhol foi fazê-la com peito aberto e olhar confiante! O sacana do Paulo Armando chamou o nosso melhor jogador e mandou sentar na primeira fila (sem chance de colar), estendendo a camisa do Fluminense sobre a madeira dura da carteira.

 - Espanhol!

- Sim professor...

- Você vai fazer a tua prova aqui na minha frente!

 Quando lá chegou o nosso companheiro se deparou com aquela camisa colorida e estendida, em verde-vermelho-branco.

- Professor Armando, sobre essa camisa eu não faço a prova!

- O que ????

- Não faço não...

- Vai ganhar zero !!!

- Pois então pode dar !!!

 E nisso, como os heróis gregos, em passos decididos, caminhou em direção à porta e por lá saiu, sem antes puxá-la com vigor contra a parede. Isso é que se chama amor ao time! Aonde já se viu um flamenguista se curvar diante de um imperador com a camisa do time inimigo! Jamais...
 Ouvimos o suspiro de nosso professor “ Desolée “ que saiu da boca vingativa de um torcedor já desesperado pelas inglórias derrotas sofridas diante de nosso majestoso time vermelho e preto.
  Só sei que a mãe do espanhol era mulher de fibra e coração quente: foi á luta em defesa do filho. O nosso torturador foi obrigado a dar mais uma chance ao nosso querido colega e valente jogador, que com a ajuda de São Judas Tadeu (padroeiro do mengão) passou de ano, como aquela bola rasteira que cruzou rente a trave e nos deu a tão sonhada vitória sobre os grandalhões do científico. Dizem que nesse dia o santo não atendeu mais a pedidos e foi conversar com o todo poderoso pedindo umas férias bem longe do outro santo colega, o Bento.

 Roberto Solano