quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Então é Natal...

Então é Natal...

Então é Natal e Ano Novo também, pro velho e pro novo... E segue a musiqueta na minha cabeça tocando...

Chegou o fim do ano, por convenção e religiosidade vamos rever amigos, parentes, mostrar a nossa cara. Sim, estamos mais velhos ou mais novos? Gordinho ou saudável? Bonitos sempre! E os outros? Chegou o festival de avaliações de final de ano, prova final! Como um mal aluno não gostava de prova final... Como um sentimental sofria. Medo de não passar de ano, de ser um incapaz e burro, dentro de um colégio rígido e maravilhoso: São Bento. Sofria muito e agora estou novamente sofrendo, o teste vai começar. Atenção! Cuide-se para os olhares alheios, fique bonito, bem vestido e bem apanhado! É isso, bem apanhado, adoro o termo. Quando você vai ao supermercado pega o que? O mamão popozudo, o queijo minas afrescalhado, o pão amoroso e quentinho... Todos muito bem apanhados: escolhidos por olhos críticos e severos. Eu me sinto exatamente como uma fruta do Conde: bonito por fora e mole por dentro, durando pouco... E assim vou visitar a família na banca da feira livre da vida. Vou ver muito chuchu, laranja e bananas, tem de tudo nesse mercado livre (nem tanto livre assim). Os velhos são magros (carne seca) ou gordos (lombinho), alguns defumados que nada mudam ano após ano e fica chato isso. Essa velha não fica velha não? Só eu??? Que coisa...

O bem apanhado fruta do conde vai tentar agradar esse ano. A cara cheia de rugas como a fruta, roliço tal qual ela e o coração mole por dentro. O caroço está duro (quisera eu que essa rigidez atuasse em áreas mais úteis do corpo...) e espalhado. Cuidado! A fruta do conde é deliciosa, mas requer uma boca seletiva para separar a carne branca e saborosa dos duros caroços que podem doer teu dente ou te engasgar. Eu sou assim, difícil de saborear, necessito de tempo para ser percebido, de uma boca exploratória e uma língua seletiva. Sou realmente especial! E você aí, vai de que nesse Natal? Qual a tua fruta ou legume companheiro? Um nabo duro? Uma cenoura vermelha ou uma maçã arredondada e sexualmente atraente, pecadora...

Amigos, não vou sofrer por antecipação. Quem quiser que desfrute dessa fruta do conde ainda gostosa, ou fiquem agradando as jacas moles da família; puxando o saco do chefe do trabalho (pescoço de frango) ou olhando o rabo da linda secretária (mulher melão), tem de tudo na família ou no trabalho, nas festinhas chatas de fim de ano. Uma coisa é certa: escolha sua fruta e fique muito bem apanhado, certo?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Tocando em Deus

http://www.youtube.com/watch?v=I6Njg1LFxFk&feature=related


Tocando em Deus

Uma leve sensação de liberdade

Um breve calor no coração

Beijo materno...

Ele lá todo poderoso

Por cima de tudo e todos

Um leve tocar...

Eu só em sonhos

Flutuo

Nado em nuvens

Canto

Encanto-me

Só de ouvir

Schubert em Serenade

Tocando em Deus...

Lindo!!!!


http://www.youtube.com/watch?v=oBDmAxSFt6A

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Brigando pela vida

Brigando pela vida

Todos os dias brigamos pela vida: o pão, a saúde, nossas conquistas e outros desejos. Eu me pergunto: qual a pior briga? Quem tem armas melhores? Sabe você usar as tuas armas?

O gladiador era uma forte entre fortes, um espetáculo vivo da luta humana no desastre de nossa existência. A platéia quer sangue, ver a morte ali. Na dor espetacular do herói morto, na certeza da fragilidade. É isso, queremos ser um forte e eterno e, em contra partida, ver o mais forte cair. Isso é uma loucura que devemos dominar. Sempre sofremos com a perda do ídolo, da nossa referência de capacidade total, para, instantes depois, nos certificarmos que estamos vivos sem sermos “o herói”. Ver a desgraça alheia nos faz menos tristes, mais conformados, com nossas deficiências. Ver o feio te faz mais belo. Isso é certo? Conheço farejadores de dor. Sim! O sujeito não pode desconfiar de um problema que corre atrás da notícia maior, do fato real e duro, da dor encravada no peito alheio para dar seu conforto, sua condolência e outros despréstimos à família do infeliz. Minha Mãe chamava-os de “Urubulinos”, aqueles que tem prazer na derrota alheia. No passado distante um primo bastardo de meu Pai adorava dar a notícia da morte. Loucura, doença mental, mas o sujeito até pagava para, no interior de Pernambuco, subir em um cavalo e galopar léguas para bater na porta “ Noite, noite, plá, plá... Ô de casa... Louvado seja nosso senhor Jesus Cristo” e saindo de dentro do casebre a voz cansada “ Para sempre seja louvado!”. Em seguida o portador dizia “É da casa do Zé das castanhas? Ele está?” Em seguida o Zé chegava para ouvir a voz certeira” tua Mãe morreu Zé, que descanse em paz...” E vinha o choro, os abraços, as estórias da Mãe, a vida dura e Severina da mulher calejada. Um café forte com um naco de bolo e o portador da voz sinistra voltava, galopando, sorrindo, e feliz da vida. Meu Deus...

Nunca entendi direito o prazer mórbido de se afeiçoar pela dor alheia. Existem essas figuras nesse mundo desalmado. Os humanos são complexos e o mal habita gente ruim, espalhadas por aí, evite.

Vou subir o tom e lembrar o grande Gilberto Gil “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte... “Linda música! Isso é importante, viver cada dia como eterno. Dormir com os anjos e acordar agradecendo o Sol nosso de cada dia. Não pensar na fragilidade e não acreditar na capacidade de viver perfeito, sem falhas e sem dor. Viver é difícil, muito.

Então amigo, vamos tocando os anos qual boiadeiro a sua boiada, meio sem rumo, tangendo o gado, levando o que não é teu para outras terras, correndo o risco da perda, sem medo, sem pensar muito, só de olho nos bois...

Pirangueiros Club


Pirangueiros Club

Primeiro vamos definir o PIRANGUEIRO: na minha terra nordestina é o famoso pão duro, mão de vaca, ruim de jogo, aquele que não se coça nunca! Na hora da conta é o primeiro a atender um celular e correr para o banheiro (golpe antigo), ou seja: um sujeito CONTROLADO!!!! Esse termo é o mais polido para o cidadão que conta centavos e adora promoção e 0800. Ser convidado para um evento de luxo é o sonho do pirangueiro.

Conheci e conheço vários! Tenho uma teoria: essa “doença” é genética, não tratável e contagiosa. Os que nascem pirangueiro morrem pirangueiro como o Pai ou a Mãe do clube também. Sim amigos, há um clube secreto de pirangueiros, não tenho dúvida, eles se encontram para discutir a forma mais econômica de viver essa vida curta (por economia do criador) e difícil. O grito de guerra do Clube é “É ruim hem!”, colocando a mão rapidamente no bolso, como um Hi Hitler ao contrário. No bolso trancado não sai dinheiro, entendes? Os encontros secretos devem ser em uma caverna junto de uma estação do metrô e a luz de velas para não gastar energia. Esses “morcegos” do capitalismo vão para os encontros preparados para discutirem as promoções da semana, o “peixe-urbano” do dia, o aniversário do Guanabara (leva quase três meses), o melhor aparelho falsificado do camelódromo, a pizza mais vantajosa (compre uma e leve três), a gasolina mais barata da cidade, os aparelhos com o carimbo da Procel, papel higiênico que raspe menos, etc..

Amigos, podem se inscrever no Pirangueiros Club, a inscrição é grátis! E você gozará das alegrias do custo ZERO! Alías o zero é o número da sorte, 0800 uma maravilha! A vida fica mais leve (você emagrece) e as alegrias virão sempre dos amigos, dos presentes, das colaborações. Pense grande e gaste pouco, esse é o lema! Meu cunhado (Tota) é o diretor financeiro do clube, cabra bom! Viajou a Europa toda, quando jovem, sem pagar 1 hotel ou abrigo! Sabia dormir em estações de trem e praças públicas, mochileiro de verdade: sabe acampar sem Camping e sem barraca! Ele conseguiu ir com a mulher para Buenos Aires e não deixar a coitadinha comprar nada! Nem uma bolsa de couro... Bota? Nem fudendo!!!! E ela voltou conformada... Assim como na cidade maravilhosa fez o percurso Leme-Leblon à pé! Parou para tomar um chope e aparecer na foto. Meu herói!

Temos o presidente honorário, meu sogro. Tem um busto, logo na entrada do clube, com ele de mãos cerradas sobre a placa de Latão (bronze é muito caro, ou very expensive!) com os dizeres “Gastar prá que?” Um orgulho na família! Até a letra dele é miúda, o sujeito é capaz de escrever a bíblia em um guardanapo de papel (que é “di grátis” em qualquer botequim da vida). Saco de supermercado, cafezinho, prova de queijo, margarina, vinho e suco, maravilha! O pirangueiro adora um supermercado. Eu, como aprendiz ainda, adoro promoção relâmpago: “Queridos clientes, vai começar a promoção do bacalhau da Noruega, aquele delicioso bacalhau de domingo está AGORA por R$25,00/Kg. Venham correndo que o estoque é pequeno e está de graça”. Eu saio atropelando as velhas, um empurra-empurra gostoso até agarrar o rabo do bicho e dar uma pisada no dedão da negona que, sabidamente, deu uma chave de sovaco no peixe salgado... Levo meu troféu prá casa todo feliz! Azeite de R$ 14,9 por R$ 7,80 é uma alegria só!

Enfim, hoje sou bem mais feliz por pertencer a este seleto clube de economias e alegrias: Pirangueiros Club!

Venham! Os 10 primeiros ganham um porquinho-cofrinho na inscrição. Meu sobrinho Dédé, ganhou novinho do Pai e já encheu o dele: está rico! Um promissor executivo de uma Multinacional do petróleo, menino de ouro (o Pai fala todo orgulhoso) que, se Deus quiser, vai ficar milionário com o Pré-sal e quem sabe me pagar um cafezinho...


Roberto Solano

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Que venha o verão


Que venha o verão

Com seus calores e odores

Suas fêmeas aquecidas, coxas doiradas

Machos atentos, talhados ao sol

Sexo ao vivo e em cores praianas

Venham logo as cervejas geladas

As brisas suaves e aquecidas

Coqueiros verdes e sandálias

Os pés queimando, o mar chamando...

Que tudo seja breve

Que o Sol se ponha

Que os amores durem

Que o outono volte

Que venha o mês de Maio

Logo, correndo, apagando o fogo

Fogo do Verão que tanto amo

Mas esqueço e troco pelo mês das Noivas...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O julgo


O julgo

Nascemos todos com o direito de escolher o dito certo ou errado. Falo dito, pois fomos educados para fazermos nossos julgamentos calcados em sólidas lições de família. Um dia vamos saber julgar e classificar os atos certos ou errados, tudo muito complexo e difícil, para uns. Outros sabem o que é certo e massacram o erro, como se mata uma barata imunda. Loucura...

Eu vivo pensando em não ter muita certeza de nada, de classificar todas as verdades como uma paixão passageira. Tenho convicção que sou um mutante nas idéias e a minha verdade é falsamente temporal: hoje acho certo e amanhã vou reaver o meu conceito e desfazer a minha verdade, sem pudor! Agora mesmo já estou arrependido de começar a escrever sobre assunto tão sério e delicado. Vou em frente!

Julguei e tenho certeza que você está errado! Pronto, danou-se tudo, tenho que manifestar? Fico calado ou digo o que acho e fodam-se você e teu mundo? Vou engolir esse amargo purgante para manter a nossa amizade ou o nosso negócio? Enfim, sempre é difícil, e pior, vem a rebordosa... A raiva do depois... Devia ter falado, era a hora certa: fui fraco e medroso. Merda! Agora quem está errado sou eu! Frouxo e burro, deixei-me levar pelo medo ou compaixão. Que ódio!!!!

É colega, julgamos tudo e todos para no final sofremos por não entender o mundo e as pessoas, cremos em uma realidade que não existe nunca! E pior, ficamos doentes com os dissabores da nossa consciência errada.

Ser Juiz é difícil e duro. Sofrer pelos teus erros é pior. Então que tal usar da sua capacidade de ser um errante, que tal? Admita que és fraco, creia na tua força instantânea e duvide da tua palavra eterna e totalmente verdadeira, seja um tolo. Temos que nos dar o perdão fácil e tranqüilo. Vamos usar a noite bem dormida para reparar erros das nossas verdades despejadas nos outros. Apagar nossos erros de avaliação como um corno manso bebendo sua dor no botequim da esquina, e rir para não chorar.

Pois é, mais uma vontade de mostrar que nada é definitivo realizando esse desejo no papel. Espero, sinceramente, que você não me julge mal, que não me condene ou tenha raiva de ti, por ler até aqui, por acreditar que esse louco que escreve iria te trazer boas novas ou uma verdade verdadeira nesse imenso mundo de mentiras.

Pense nisso, é o que te peço amigo! A verdade não existe sem a mentira, o certo sem o errado, o preto sem o branco, só um arco-íris de misturas insólitas que pode te salvar: só o poeta dentro de ti é que vê certo. Seja mais criativo, leve, solto, como o vento que derruba as folhas da vida e que apaga tudo. Seja feliz!