Xixi sentado
As relações entre marido e mulher são curiosas. Todo casal tem seu lado criança, brincalhão até: “Xuxuzinho coça o pé do seu fôfuco”,” Piu-Piu dá uma bitoca no Tchutchuco” e outras baboseiras que se alguém ouvir pega mal. Mas rola um clima jovem, de um amor adolescente e puro, devemos ver por esse ângulo e compreender. Nas minhas rodadas de cervejas e conversa fora já ouvi coisas muito interessantes de amigos mais ainda. O Paulão era boa praça e adorava a mulher dele, apaixonado mesmo, não olhava para as outras, toda vez que alguém contava uma vantagem ele rebatia com uma da sua esposa querida, que não era “esse balaio todo”, um” mais ou menos” em todos os quesitos visuais, dava pro gasto, só isso. Bem, gosto é gosto e não vamos comentar. Um dia o homem chegou triste e abatido no bar, confessou que a mulher não era a mesma, não estava dando atenção e se recusava a fazer sua “misturinha”. Misturinha? A galera parou e curiosa ficou a imaginar o que seria a tal da “misturinha”. Eu, de minha parte, viajei na maionese, deve ser uma sacanagem de primeira ordem! Imaginando o peludo Paulão, com seus fartos atributos sexuais, na cama com a claríssima Claudinha (1,60m), uma mulher de bolso para o alto e forte rapaz. Nunca entendi direito esses casais “chupa-em-pé”, o sujeito alto com a dama baixinha... Mas deve dar uma “misturinha” das boas! Pensando na moça montada naquele touro, rodopiando, frente, costas, tira e bota, bota e tira, loucura de “misturinha”, deve ser uma delícia! Perguntei: “Paulão, sem querer ofender, o que é uma misturinha”? Ele se animou” é uma especialidade de minha mulher, só ela sabe fazer, adoro! “ Eu, fiquei animadíssimo com o rumo da prosa e já me via fazendo a tal misturinha como o mestre Paulão e sendo elogiado no leito conjugal “ Amor, aonde você aprendeu isso ? Que loucura ! Estou com falta de ar, já tive 12 orgasmos triplos ! Assim você me mata, meu “latin lover!” Sempre quis ser chamado de” latin lover” e nunca consegui... Era a minha grande chance, o rei da misturinha, ou “ The King of little mixture “ ou “ Sexual Milk-shake Men “, tenho que aprender ! Fala aí ô Paulão, pô está me deixando nervoso !E ele, com a calma de um guru indiano, se abriu “Quando chego em casa, cansado, me jogo na poltrona e peço, amor a minha misturinha, pituquinha...” Eu, pensei: Errei, não é na cama! Melhor ainda, na farta poltrona de veludo vermelho da sala do casal, ela nuinha, vindo como uma nadadora, mergulhando naquele mar de pêlos do Paulão, que loucura ! Fala porra ! Calma, explico: Lá já sentado e sem sapatos vejo a Claudinha trazendo a minha misturinha na mão direita e uma toalha na mão esquerda, bebo com prazer e ela me enxuga o rosto, delícia ! “Cacete, que bebida é essa? É água gelada com água natural... Meus amigos, eu gelei de raiva, que merda é essa, um copo de água com a temperatura perfeita, no qual o Paulão se deliciava... Ele explicou, tinha uma garganta muito sensível e no calor sofria com o desejo de beber um gelado e pimba! Adoecia... Tadinho... Até conhecer a Cláudia, ela sabia o ponto certo da temperatura fria que não afetava o calorento e suado Paulão, que depois de enxuto pela amada ganhava um selinho na boca! Não é lindo isso! Fiquei muito puto ! Cortei relações com o Paulão, ele exterminou meu sonho doirado de latin lover! Babaca filho da puta!
Outro foi o Ayrton, sujeito calmo, inteligente, presidente de uma grande empresa multinacional, rico. Casou com linda mulher, morenaça, de forno e fogão, prendada, uma foda-completa, sacou? O tempo passou e o casal cada vez mais enamorados, tiveram quatro filhas, lindas, cresceram. Um belo dia chegou em casa e no jantar recebeu o comunicado oficial da família: “Querido, nós todas juntas já decidimos, você não pode se negar, somos cinco mulheres nessa casa” O bom pai ficou curioso, fazia todas as vontades da mulher e das meninas, roupas, viagens, tudo enfim, estava tranqüilo. Pode dizer amor, sou só ouvido... Querido, a partir de hoje você só vai fazer xixi sentado! Meus amigos é pura verdade, a Leoa com suas crias já tinha decidido, nunca mais teriam que se preocupar com as gotinhas eventuais do pinto único da casa, sentado! Sentado !!!! E isso é uma ordem!
Só tenho a dizer que o famoso executivo não sabia mais mijar de pé ! Confessou, em uma bebedeira de carnaval, para os amigos do clube, pegou mal, muito mal. Coitado do Ayrton ficou taxado de pau-mandado da mulher, que já não estava tão gostosa quanto antes, gordinha desfilava feliz pela piscina do clube. Só sei te dizer que ele hoje está solteiro, vive bem em outra cidade, está até mais jovem e feliz, estive com ele, muitas mulheres o cercam, jovens e bonitas, realizado. Tomamos uns drinks juntos, contei a estória da misturinha, ele riu muito e disse “Solano, estou me mijando de tanto rir, volto já” Levantou-se e foi ao mictório e eu fiquei louco para acompanhá-lo, mas podia pegar mal né? Afinal é melhor dormir curioso que perder outro amigo...
Roberto Solano
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
O amor por um fio
O amor por um fio
Fato verídico, anos 70, tijuca, Rio de janeiro, RJ. Paulo, rapaz alegre e descontraído conheceu Paula no Méier, festinha de fim de semana, na casa da prima. Ele rapaz bonito e zona sul, descolado, bom paquerador, bom de beijos e abraços, família distinta, estudava no São Bento, menino de qualidades. Ela vinha de família tradicional, tijucana na base sólida de pais bem casados, apartamento próprio, carro novo na garagem, título do tijuca tênis clube, colégio Santa Marcelina, fina flor da zona norte.
Para lembrar: Não se ficava não! Os tempos (outros há muito já passados) eram de namoro sério, as festinhas sempre de família, com os penetras é claro, mas as meninas sempre acompanhadas de irmãos ou primos, beijo? Nem pensar colega! No máximo uma dancinha apertada, dropes no bolso para disfarçar a incomoda ereção, calça boca de sino, cabelos compridos e um amasso no escurinho da garagem (boate da época), uma cheiradinha no pescoço da moça, roçando nas coxas dela... Voltávamos prá casa feliz, ovos doendo, pegava um hot-dog na Praça Saens peña, ou um “rango” no centro, Angu do Gomes ! Quem provou sabe que é comida de substância, forte e vigorosa, mata a fome na hora e dá forças para a redenção dos pecados alcoólicos da época.
O amor é lindo! Paulo se encantou com a bela, pele clara, olhos infinitamente azuis, cabelos castanhos, umas sardinhas discretas no rosto, cara de pura e santa, prometia muito segredos entre aquelas coxas duras e roliças, se encantou. Ligou no dia seguinte, telefone preto no colo adolescente, esperando dar linha e pensando “vou marcar um cinema lá na praça, no domingo de tarde, acho que ela topa”. Ligou. Resposta positiva em parte, tinha que levar o pentelho do irmão da Paula, garoto chato, cara de babaca (toda irmã gostosa tem!), não era nerd, pois não havia o termo nos idos anos do tri-campeonato de futebol. O garoto era uma mistura de Gérson (lembram da lei?) com Tostão (os olhos meio vesgos), feio e idiota. Tudo tem seu preço...
Domingo, tarde quente, cine Odeon, filme bobo, um beijo roubado! O tri-campeão infantil foi comprar pipoca e ele não segurou a emoção de colar os lábios naquela tímida boca, sem antes mostrar a força de sua pegada naquelas coxas divinamente escondidas, quentes, na calça jeans (a mãe não deixou ir de saia, vai que rola uma mão boba...). O pinto duro como pedra pulsava na cueca e o coração na boca, chegou a ver o seio dela crescer na respiração forte quando sua língua atrevida alçou o céu da boca virginal. Amigos, tesão era isso, ver, apalpar e não comer o fruto do desejo ! E tome angu do Gomes com o famoso “cinco-contra-um” no banheiro frio. Paixão declarada, convite feito. A família marcou almoço dominical para selar o namoro nas bases pré-estabelecidas da cultura tijucana: Horário de chegada, vigilância de algum parente confiável, boas notas no São Bento! Minha filha não vai casar com qualquer um! Pai bravo, mãe calma. Vó surda, irmão pentelho, tio manguaça e tia metida a besta (toda na última moda, colecionava a revista cruzeiro e usava produtos Avon), mesa posta. Veio o arroz de forno, a carne assada que era o orgulho da mãe, uma salada para enfeitar o conjunto e Paulo na mesa, prato na frente, primeira garfada, queimou a língua, nada que tirasse o sabor do beijo concedido na noite anterior, no portão do prédio na Rua Conde de Bonfim (ele gostou do Bonfim, afinal queria evoluir naquelas coxas maravilhosas, já adivinhava a belezura que se escondia na calcinha de renda branca que viu por baixo da saia plissada de Paula), o amor chegou para ficar! Tinha certeza absoluta até que... Um ronco meio estranho na barriga, um frio nas costas, um aperto no fiofó, a lembrança de ter trocado o angu do Gomes pelo cachorro quente com aquele molho “especial” na porta do clube... É colega, a bomba ia explodir, a palavra era BANHEIRO, rápido, urgente. Dna Clara posso usar o “toalete?“ , não era” chique “ usar o banheiro, tinha o toalete , apertado cubículo aonde o amigo Paulo derramou seu problema, foi no estilo “ escola de samba “ veio tudo certinho e arrumado no começo mas acabou naquela esculhambação geral no final, na avenida. A obra de arte fedia muito, Paulo se preocupou com o vento que poderia soprar da janela basculante, levantou, limpou o traseiro, fechou a janela e puxou o fio da descarga. Merda, merda meus amigos, ele engoliu a palavra feia e segurou na mão aquela cordinha perdida e partida, branca como a pele de Paula, quebradinha na mão e o conjunto pastoso ali olhando marrom para ele. Paulo não era de fugir da briga, lembro que ele deu umas porradas no 68 (número do colega Beneditino, famoso pela cabeçada mortal), bom de briga! O Paulo tinha um pé grande e usava aqueles coturnos do exercito, no dia estava com um lindo pizante comprado na Casa Tavares (aquela do cachorrinho, que não foi com a cara do Paulo e era a mascote da família), bonito mesmo, relógio sicura no pulso, cigarro parliament no bolso. Subiu no vaso para a pescaria da salvação, um pé sobre a lousa fria, um impulso vertical e a mão na água fria da caixinha de descarga. ESCABUM... Desabou nosso herói com o sapato novo no balde de merda e fundo falso ! Meu Deus, que tragédia! O pé grande e preso,a carteira de cigarros americano por cima da bosta quente. Tentou puxar o pé, não saía!!!! Um terror baixou na pele morena do rapaz, olhou no espelho e viu seu rosto branco, pálido, um defunto de pé! No chão os respingos intestinais, nos olhos as lágrimas correram tímidas até romperem em desespero total quando ouviu a amada chamar (com o dedo tampando o nariz do odor insuportável que emanava do recinto lavatório). Paulo, amor, o que houve? Paulo mudo ficou até a chegada do porteiro, seu Zé, nordestino acostumado com a vida dura das palafitas, adentrou derrubando a porta e pisando na merda desentalou o gélido Paulo de Tarso...
Depois disso notei que o saudoso amigo estava mais calado na escola, triste até, chegou a levar uma cabeçada do 68 sem reagir. Conversei com ele, no recreio, ele se abriu... Tinha saudade da Paulinha e toda noite sonhava com ela nos seus braços, beijos loucos na boca, nos seios rosados, até visualizar os pêlos pubianos, lindos e suaves, cor de âmbar, e acordar de susto quando essa cor lembrava o Zé que lembrava o toalete que lembrava essa merda de vida!
Assim acabou-se um amor perfeito por um mísero fio de corda sanitária, na tijuca quente e elegante do meu tempo.
Roberto Solano
Fato verídico, anos 70, tijuca, Rio de janeiro, RJ. Paulo, rapaz alegre e descontraído conheceu Paula no Méier, festinha de fim de semana, na casa da prima. Ele rapaz bonito e zona sul, descolado, bom paquerador, bom de beijos e abraços, família distinta, estudava no São Bento, menino de qualidades. Ela vinha de família tradicional, tijucana na base sólida de pais bem casados, apartamento próprio, carro novo na garagem, título do tijuca tênis clube, colégio Santa Marcelina, fina flor da zona norte.
Para lembrar: Não se ficava não! Os tempos (outros há muito já passados) eram de namoro sério, as festinhas sempre de família, com os penetras é claro, mas as meninas sempre acompanhadas de irmãos ou primos, beijo? Nem pensar colega! No máximo uma dancinha apertada, dropes no bolso para disfarçar a incomoda ereção, calça boca de sino, cabelos compridos e um amasso no escurinho da garagem (boate da época), uma cheiradinha no pescoço da moça, roçando nas coxas dela... Voltávamos prá casa feliz, ovos doendo, pegava um hot-dog na Praça Saens peña, ou um “rango” no centro, Angu do Gomes ! Quem provou sabe que é comida de substância, forte e vigorosa, mata a fome na hora e dá forças para a redenção dos pecados alcoólicos da época.
O amor é lindo! Paulo se encantou com a bela, pele clara, olhos infinitamente azuis, cabelos castanhos, umas sardinhas discretas no rosto, cara de pura e santa, prometia muito segredos entre aquelas coxas duras e roliças, se encantou. Ligou no dia seguinte, telefone preto no colo adolescente, esperando dar linha e pensando “vou marcar um cinema lá na praça, no domingo de tarde, acho que ela topa”. Ligou. Resposta positiva em parte, tinha que levar o pentelho do irmão da Paula, garoto chato, cara de babaca (toda irmã gostosa tem!), não era nerd, pois não havia o termo nos idos anos do tri-campeonato de futebol. O garoto era uma mistura de Gérson (lembram da lei?) com Tostão (os olhos meio vesgos), feio e idiota. Tudo tem seu preço...
Domingo, tarde quente, cine Odeon, filme bobo, um beijo roubado! O tri-campeão infantil foi comprar pipoca e ele não segurou a emoção de colar os lábios naquela tímida boca, sem antes mostrar a força de sua pegada naquelas coxas divinamente escondidas, quentes, na calça jeans (a mãe não deixou ir de saia, vai que rola uma mão boba...). O pinto duro como pedra pulsava na cueca e o coração na boca, chegou a ver o seio dela crescer na respiração forte quando sua língua atrevida alçou o céu da boca virginal. Amigos, tesão era isso, ver, apalpar e não comer o fruto do desejo ! E tome angu do Gomes com o famoso “cinco-contra-um” no banheiro frio. Paixão declarada, convite feito. A família marcou almoço dominical para selar o namoro nas bases pré-estabelecidas da cultura tijucana: Horário de chegada, vigilância de algum parente confiável, boas notas no São Bento! Minha filha não vai casar com qualquer um! Pai bravo, mãe calma. Vó surda, irmão pentelho, tio manguaça e tia metida a besta (toda na última moda, colecionava a revista cruzeiro e usava produtos Avon), mesa posta. Veio o arroz de forno, a carne assada que era o orgulho da mãe, uma salada para enfeitar o conjunto e Paulo na mesa, prato na frente, primeira garfada, queimou a língua, nada que tirasse o sabor do beijo concedido na noite anterior, no portão do prédio na Rua Conde de Bonfim (ele gostou do Bonfim, afinal queria evoluir naquelas coxas maravilhosas, já adivinhava a belezura que se escondia na calcinha de renda branca que viu por baixo da saia plissada de Paula), o amor chegou para ficar! Tinha certeza absoluta até que... Um ronco meio estranho na barriga, um frio nas costas, um aperto no fiofó, a lembrança de ter trocado o angu do Gomes pelo cachorro quente com aquele molho “especial” na porta do clube... É colega, a bomba ia explodir, a palavra era BANHEIRO, rápido, urgente. Dna Clara posso usar o “toalete?“ , não era” chique “ usar o banheiro, tinha o toalete , apertado cubículo aonde o amigo Paulo derramou seu problema, foi no estilo “ escola de samba “ veio tudo certinho e arrumado no começo mas acabou naquela esculhambação geral no final, na avenida. A obra de arte fedia muito, Paulo se preocupou com o vento que poderia soprar da janela basculante, levantou, limpou o traseiro, fechou a janela e puxou o fio da descarga. Merda, merda meus amigos, ele engoliu a palavra feia e segurou na mão aquela cordinha perdida e partida, branca como a pele de Paula, quebradinha na mão e o conjunto pastoso ali olhando marrom para ele. Paulo não era de fugir da briga, lembro que ele deu umas porradas no 68 (número do colega Beneditino, famoso pela cabeçada mortal), bom de briga! O Paulo tinha um pé grande e usava aqueles coturnos do exercito, no dia estava com um lindo pizante comprado na Casa Tavares (aquela do cachorrinho, que não foi com a cara do Paulo e era a mascote da família), bonito mesmo, relógio sicura no pulso, cigarro parliament no bolso. Subiu no vaso para a pescaria da salvação, um pé sobre a lousa fria, um impulso vertical e a mão na água fria da caixinha de descarga. ESCABUM... Desabou nosso herói com o sapato novo no balde de merda e fundo falso ! Meu Deus, que tragédia! O pé grande e preso,a carteira de cigarros americano por cima da bosta quente. Tentou puxar o pé, não saía!!!! Um terror baixou na pele morena do rapaz, olhou no espelho e viu seu rosto branco, pálido, um defunto de pé! No chão os respingos intestinais, nos olhos as lágrimas correram tímidas até romperem em desespero total quando ouviu a amada chamar (com o dedo tampando o nariz do odor insuportável que emanava do recinto lavatório). Paulo, amor, o que houve? Paulo mudo ficou até a chegada do porteiro, seu Zé, nordestino acostumado com a vida dura das palafitas, adentrou derrubando a porta e pisando na merda desentalou o gélido Paulo de Tarso...
Depois disso notei que o saudoso amigo estava mais calado na escola, triste até, chegou a levar uma cabeçada do 68 sem reagir. Conversei com ele, no recreio, ele se abriu... Tinha saudade da Paulinha e toda noite sonhava com ela nos seus braços, beijos loucos na boca, nos seios rosados, até visualizar os pêlos pubianos, lindos e suaves, cor de âmbar, e acordar de susto quando essa cor lembrava o Zé que lembrava o toalete que lembrava essa merda de vida!
Assim acabou-se um amor perfeito por um mísero fio de corda sanitária, na tijuca quente e elegante do meu tempo.
Roberto Solano
sábado, 1 de janeiro de 2011
Que venha a velhice
Que venha a velhice
Venha leve e curta, doce como uma brisa na tarde quente de Recife, suave a beira mar... E que seja curta. Vento breve, que balance o meu ser fazendo cair os frutos da grande arvore da memória, que eu os colha, saborei-os, sinta ainda o gosto bom da vida, que só é e só se percebe na idade madura. O fruto da saudade, sabor doce e ácido, travando a boca, umbu-cajá, fruta boa misturada na cachaça, hei de beber com os amigos e esquecer a vida vindoura. Quero viver de lembranças, de rir e esquecer, sim esquecer para lembrar, ler o mesmo adorável livro várias vezes, mastigar o alimento da alma sentindo o mesmo sabor e redescobrir o primeiro beijo.
Estou me preparando, apreensivo, temeroso, leão sem dentes, dragão sem fogo. Vou ficar de pé, espero. Vou caminhar, suponho. Serei digno? Os cabelos brancos terão brilho, passaporte para o orgulho? Netos? Bisnetos? E a vontade de viver, saberei moldá-la na tolice do simples, na gargalhada do idiota, no sorriso puro do menino? Terei forças para talhar a madeira dura do cansaço? Verei a vida como o absurdo do nada, me divertindo disso? E a fé? Será ela minha bengala? Não sei... Estou com medo, o pavor da queda, do susto, da cegueira maior: Não crer no amanhã! Vou chegar ao banheiro antes do meu mijo quente? Terei a perna firme para calçar meus sapatos? Serei alvo da piedade e mais um imóvel no salão de um asilo? Solidão.
O castigo maior me cerca, do meu eu só, parado e gélido, minha solidão. Trabuco na mão caminho nesse caminho duro de pó, no escuro, as corujas piam, nas pedras tropeço, a velha da foice me aguarda, com certeza da emboscada fatal, velha safada. Que venha a morte com força e fibra de macho, nordestina na peixeira, boa de mira, em um tiro só, um tombo só, num só adeus. Não quero a morte homeopática da medicina moderna, dos homens que não são homens de verdade, que mentem no jaleco branco da vida eterna, covardes na falta de humor e de morfina, agulhentos e feios, sombras brancas do nada, impiedosos.
Vou parar essa tortura que te exponho amigo, você vai ser velho se sorte tiver e serás mais ainda feliz se olhares agora teu Pai ou Avô, teu vizinho torto, aquela senhora de cadeira de rodas e fazê-los sorrir. Se uma breve gargalhada colher terás colhido uma flor, a mais bela flor, que um dia trarás na lapela. Encontraremo-nos no caminho, o amigo que aqui te escreve, nós e muitos, juntos marchando rumo ao céu. Um lugar pleno de crianças e sabores, frutas doces, animais, gatos, cavalos brancos, de uma só verdade reinante, a fantasia. O Céu será a fantasia que moldaste nos olhos dos mais velhos, eles te abraçarão com carinho e num passe de mágica dirão “A velhice é o castigo dos lábios, á a falta do riso, a chatice do nada” Te pegam pela mão e sobre a verde grama celeste chamarão as crianças para brincarem de tudo que foi proibido, travessuras mil, cambalhotas e gargalhadas, do nada vais rir e entender a beleza do grande palhaço que você já foi.
Carequinha, Golias e Muçum venham me ensinar o riso aqui da terra e me dê o dom de colher o riso do mais velho, desde o mais chato e rabugento, do emburrado ao inconformado, para que eu possa me redimir dos meus pecados.
Venha leve e curta, doce como uma brisa na tarde quente de Recife, suave a beira mar... E que seja curta. Vento breve, que balance o meu ser fazendo cair os frutos da grande arvore da memória, que eu os colha, saborei-os, sinta ainda o gosto bom da vida, que só é e só se percebe na idade madura. O fruto da saudade, sabor doce e ácido, travando a boca, umbu-cajá, fruta boa misturada na cachaça, hei de beber com os amigos e esquecer a vida vindoura. Quero viver de lembranças, de rir e esquecer, sim esquecer para lembrar, ler o mesmo adorável livro várias vezes, mastigar o alimento da alma sentindo o mesmo sabor e redescobrir o primeiro beijo.
Estou me preparando, apreensivo, temeroso, leão sem dentes, dragão sem fogo. Vou ficar de pé, espero. Vou caminhar, suponho. Serei digno? Os cabelos brancos terão brilho, passaporte para o orgulho? Netos? Bisnetos? E a vontade de viver, saberei moldá-la na tolice do simples, na gargalhada do idiota, no sorriso puro do menino? Terei forças para talhar a madeira dura do cansaço? Verei a vida como o absurdo do nada, me divertindo disso? E a fé? Será ela minha bengala? Não sei... Estou com medo, o pavor da queda, do susto, da cegueira maior: Não crer no amanhã! Vou chegar ao banheiro antes do meu mijo quente? Terei a perna firme para calçar meus sapatos? Serei alvo da piedade e mais um imóvel no salão de um asilo? Solidão.
O castigo maior me cerca, do meu eu só, parado e gélido, minha solidão. Trabuco na mão caminho nesse caminho duro de pó, no escuro, as corujas piam, nas pedras tropeço, a velha da foice me aguarda, com certeza da emboscada fatal, velha safada. Que venha a morte com força e fibra de macho, nordestina na peixeira, boa de mira, em um tiro só, um tombo só, num só adeus. Não quero a morte homeopática da medicina moderna, dos homens que não são homens de verdade, que mentem no jaleco branco da vida eterna, covardes na falta de humor e de morfina, agulhentos e feios, sombras brancas do nada, impiedosos.
Vou parar essa tortura que te exponho amigo, você vai ser velho se sorte tiver e serás mais ainda feliz se olhares agora teu Pai ou Avô, teu vizinho torto, aquela senhora de cadeira de rodas e fazê-los sorrir. Se uma breve gargalhada colher terás colhido uma flor, a mais bela flor, que um dia trarás na lapela. Encontraremo-nos no caminho, o amigo que aqui te escreve, nós e muitos, juntos marchando rumo ao céu. Um lugar pleno de crianças e sabores, frutas doces, animais, gatos, cavalos brancos, de uma só verdade reinante, a fantasia. O Céu será a fantasia que moldaste nos olhos dos mais velhos, eles te abraçarão com carinho e num passe de mágica dirão “A velhice é o castigo dos lábios, á a falta do riso, a chatice do nada” Te pegam pela mão e sobre a verde grama celeste chamarão as crianças para brincarem de tudo que foi proibido, travessuras mil, cambalhotas e gargalhadas, do nada vais rir e entender a beleza do grande palhaço que você já foi.
Carequinha, Golias e Muçum venham me ensinar o riso aqui da terra e me dê o dom de colher o riso do mais velho, desde o mais chato e rabugento, do emburrado ao inconformado, para que eu possa me redimir dos meus pecados.
Diferenças
Diferenças
Nordeste, Recife, costumes. Moro no Rio de Janeiro e percebo as diferenças culturais nas minhas vindas por aqui, muitas delas são só pontos de vista pessoal, outras verdades, vocês que venham sentir para apreciá-las. Acordou? Tome banho! Isso é regra. Explicação não há, será o calor? O sujeito sonha com uma bela companheira e acorda suado... Será preguiça? Não sei. A água daqui sai quente da torneira e os que podem tomam banho mais quente ainda, fervendo mesmo! A teoria da preguiça morre aí, no banho quente, se fosse frio vá lá! O povo daqui gosta e trabalha muito, não creio que o banho quente aumente as energias, será? Vou testar. Vi, creiam, o sujeito tomar banho e ir para a praia, perfumoso... Meu pai contava que um tio dele, rico cidadão, era questionado pela digníssima esposa, ao cair do crepúsculo, “Vóis meçê vai me ocupar?” No caso do” Sim” ela partia para o banho noturno, fora de hora. Então fiquemos assim, acordou-banhou!
Café matutino, coisa boa e farta: Macaxeira, carne de sol refogada, inhame, tapioca, queijo de coalho assado, banana comprida, suco de graviola ou pitanga (prá refrescar), ovos mexidos, café preto, bolo de Souza Leão... É prá comer e morrer... O povo acorda cedo, come bem (quando tem), trabalha e... BEBE muita cana, “cerva”, nos” pega-bêbo” que são bares improvisados nas esquinas, tem na cidade toda, desde o maior até um” isonor” com um” tamborete de forró” para sentar. Lembro-me de um professor de concreto armado que nos ensinava o que seria um pilar curto, sem flambagem, o nobre Paraibano definiu “Pilar curto é tamborete de forró! Não flamba nunca!” Cabra bom, professor objetivo, um tamborete de forró é a coisa mais estável do mundo! Um anão com alma de super-homem.
São os costumes da “terrinha”: Comer, beber e repetir a receita, engordar feliz, exibir a linda barriga cultivada, saúde. Um magro, por aqui, é doente ou um problema genético. Um tio de minha mulher era tão magro, tão magro, que quando ele morreu o médico colocou-o de pé e sacudiu, foi só varrer os ossos...
Beber uísque é aqui, arvores de natal feitas de Red Label, banho quente e uísque, certo? Vai que entra uma frente fria rigorosa, não é mesmo? O povo é prevenido. No inverno vai à Suíça brasileira: Gravatá, 22 graus e acende-se a lareira, vinhos e fondue, uma beleza mesmo, clima europeu. Eu gosto muito, mas não sinto frio, acho que sou muito resistente, diferente, afinal sou carioca pô ! Qual é mermão? Sou da turma que não toma banho de manhã, que vai prá praia e não volta cedo, bebe chope sem muito colarinho, fica no bar até tarde, de calção mesmo, não tem receio do frio e nunca toma uísque, só convida a galera “passa lá em casa prá tomar um uísque!” Aliás, alguém já foi comer e beber em casa de carioca? Se foi tenha a certeza que ele era nordestino!
Roberto Solano
Nordeste, Recife, costumes. Moro no Rio de Janeiro e percebo as diferenças culturais nas minhas vindas por aqui, muitas delas são só pontos de vista pessoal, outras verdades, vocês que venham sentir para apreciá-las. Acordou? Tome banho! Isso é regra. Explicação não há, será o calor? O sujeito sonha com uma bela companheira e acorda suado... Será preguiça? Não sei. A água daqui sai quente da torneira e os que podem tomam banho mais quente ainda, fervendo mesmo! A teoria da preguiça morre aí, no banho quente, se fosse frio vá lá! O povo daqui gosta e trabalha muito, não creio que o banho quente aumente as energias, será? Vou testar. Vi, creiam, o sujeito tomar banho e ir para a praia, perfumoso... Meu pai contava que um tio dele, rico cidadão, era questionado pela digníssima esposa, ao cair do crepúsculo, “Vóis meçê vai me ocupar?” No caso do” Sim” ela partia para o banho noturno, fora de hora. Então fiquemos assim, acordou-banhou!
Café matutino, coisa boa e farta: Macaxeira, carne de sol refogada, inhame, tapioca, queijo de coalho assado, banana comprida, suco de graviola ou pitanga (prá refrescar), ovos mexidos, café preto, bolo de Souza Leão... É prá comer e morrer... O povo acorda cedo, come bem (quando tem), trabalha e... BEBE muita cana, “cerva”, nos” pega-bêbo” que são bares improvisados nas esquinas, tem na cidade toda, desde o maior até um” isonor” com um” tamborete de forró” para sentar. Lembro-me de um professor de concreto armado que nos ensinava o que seria um pilar curto, sem flambagem, o nobre Paraibano definiu “Pilar curto é tamborete de forró! Não flamba nunca!” Cabra bom, professor objetivo, um tamborete de forró é a coisa mais estável do mundo! Um anão com alma de super-homem.
São os costumes da “terrinha”: Comer, beber e repetir a receita, engordar feliz, exibir a linda barriga cultivada, saúde. Um magro, por aqui, é doente ou um problema genético. Um tio de minha mulher era tão magro, tão magro, que quando ele morreu o médico colocou-o de pé e sacudiu, foi só varrer os ossos...
Beber uísque é aqui, arvores de natal feitas de Red Label, banho quente e uísque, certo? Vai que entra uma frente fria rigorosa, não é mesmo? O povo é prevenido. No inverno vai à Suíça brasileira: Gravatá, 22 graus e acende-se a lareira, vinhos e fondue, uma beleza mesmo, clima europeu. Eu gosto muito, mas não sinto frio, acho que sou muito resistente, diferente, afinal sou carioca pô ! Qual é mermão? Sou da turma que não toma banho de manhã, que vai prá praia e não volta cedo, bebe chope sem muito colarinho, fica no bar até tarde, de calção mesmo, não tem receio do frio e nunca toma uísque, só convida a galera “passa lá em casa prá tomar um uísque!” Aliás, alguém já foi comer e beber em casa de carioca? Se foi tenha a certeza que ele era nordestino!
Roberto Solano
Eu acho
Eu acho
Do verbo achar, muito usado e comum. Eu acho que o ano de 2011 será bom! Eu não concordo com o verbo em nossa língua portuguesa, ele pressupõe que você achou algo, encontrou o que querias, etc... Vamos para o Francês: “Je pense”, não é lindo? Eu penso que vou achar ou que é verdade o que penso, não achei nada ainda, certo? I think, também vai bem, o inglês também “pensa” não procura como nós. Eu acho... “Tem um gosto do definitivo, do certo, do “eu sei” , do “ Papai sabe tudo “ ( os mais velhos lembram ) , eu sei o que quero ! Másculo mesmo, poderoso. Vamos lá, trocar o “ acho “ por “ penso “ , que tal ? Mais inteligente, simpático, elegante mesmo. E dá um ar intelectual no locutor : “ Eu penso que o ano de 2011 será bom ! “Ficou mais leve e até poético, gostei! Eu não acho mais nada, pronto! Eu penso!
Sempre fui educado a ver o mundo falho, torto mesmo, como ele sempre foi. Meu pai dizia “Nunca afirme nada meu filho! Nada é absolutamente certo!” Verdade, hoje eu acho (achava, cacete! Já estava errando, EU PENSO!) que devemos ter cuidado com nossas certezas e cuidado com as pessoas para qual afirmamos a " nossa verdade “. Desconfie sempre! E pense muito, não ache nada, pesquise, ouça, olhe para os lados, e se possível diga “Nós achamos” ( merda de novo! Nós pensamos! ) aí vou te dar uma nota DEZ! Você é inteligente e corporativo! Equipe, meu velho, trabalho de equipe, tudo diluído, até o erro... Mas ás vezes tem que afirmar, e re-afirmar, com o tenho certeza! Se não tiver muita platéia concordata pise fundo: Tenho certeza ABSOLUTA! Meu amigo, estás na beira do abismo, se bobear você vai cair no abismo, se morrer na tua certeza passarás a ser o bobo da corte, um piadista ou um idiota mesmo, quiçá burro. CUIDADO! Certeza absoluta é um bilhete só de ida companheiro, sem crédito de milhas e sem previsão de retorno, avião vazio, vais saltar de pára-quedas, lá no meio do Alasca, se der sorte não cairás na cabeça do faminto urso polar, cuidado... Primeiro pense, depois ache, confira, dê uns beliscões na pele e se tiver bebido volte atrás. Depois conte até 10, respire fundo e dispare a bala: Eu tenho certeza! Na cartucheira a segunda bala: ABSOLUTA! Vá lá, veja se o tiro pegou no adversário, veja se ele morreu, esse duelo é mortal, querido. Cuidado! Quando achamos (porra! errei de novo!) que matamos a questão aparece um super-herói do nada, o Fantasma, ou o Batmam, pior ainda com o Tio Patinhas, e ele te dá o troco, prova que estás errado, ferrou! Então a regra é: Pense, ache, desconfie e diga o famoso “será ?”. Será que Oslo (antiga Christiania ou Kristiania) é a capital e maior cidade da Noruega ? Você tem certeza, mas joga a isca contra os super-heróis, isso dá certo! Não afirme nada colega, principalmente com os sabichões na mesa: O silêncio é o melhor dos conselhos! Se tiver que falar seja humilde, não afirme, e se fores muito inteligente se faça de bobo, antes que “eles” te promovam a um bobo-maior!
Roberto Solano
Do verbo achar, muito usado e comum. Eu acho que o ano de 2011 será bom! Eu não concordo com o verbo em nossa língua portuguesa, ele pressupõe que você achou algo, encontrou o que querias, etc... Vamos para o Francês: “Je pense”, não é lindo? Eu penso que vou achar ou que é verdade o que penso, não achei nada ainda, certo? I think, também vai bem, o inglês também “pensa” não procura como nós. Eu acho... “Tem um gosto do definitivo, do certo, do “eu sei” , do “ Papai sabe tudo “ ( os mais velhos lembram ) , eu sei o que quero ! Másculo mesmo, poderoso. Vamos lá, trocar o “ acho “ por “ penso “ , que tal ? Mais inteligente, simpático, elegante mesmo. E dá um ar intelectual no locutor : “ Eu penso que o ano de 2011 será bom ! “Ficou mais leve e até poético, gostei! Eu não acho mais nada, pronto! Eu penso!
Sempre fui educado a ver o mundo falho, torto mesmo, como ele sempre foi. Meu pai dizia “Nunca afirme nada meu filho! Nada é absolutamente certo!” Verdade, hoje eu acho (achava, cacete! Já estava errando, EU PENSO!) que devemos ter cuidado com nossas certezas e cuidado com as pessoas para qual afirmamos a " nossa verdade “. Desconfie sempre! E pense muito, não ache nada, pesquise, ouça, olhe para os lados, e se possível diga “Nós achamos” ( merda de novo! Nós pensamos! ) aí vou te dar uma nota DEZ! Você é inteligente e corporativo! Equipe, meu velho, trabalho de equipe, tudo diluído, até o erro... Mas ás vezes tem que afirmar, e re-afirmar, com o tenho certeza! Se não tiver muita platéia concordata pise fundo: Tenho certeza ABSOLUTA! Meu amigo, estás na beira do abismo, se bobear você vai cair no abismo, se morrer na tua certeza passarás a ser o bobo da corte, um piadista ou um idiota mesmo, quiçá burro. CUIDADO! Certeza absoluta é um bilhete só de ida companheiro, sem crédito de milhas e sem previsão de retorno, avião vazio, vais saltar de pára-quedas, lá no meio do Alasca, se der sorte não cairás na cabeça do faminto urso polar, cuidado... Primeiro pense, depois ache, confira, dê uns beliscões na pele e se tiver bebido volte atrás. Depois conte até 10, respire fundo e dispare a bala: Eu tenho certeza! Na cartucheira a segunda bala: ABSOLUTA! Vá lá, veja se o tiro pegou no adversário, veja se ele morreu, esse duelo é mortal, querido. Cuidado! Quando achamos (porra! errei de novo!) que matamos a questão aparece um super-herói do nada, o Fantasma, ou o Batmam, pior ainda com o Tio Patinhas, e ele te dá o troco, prova que estás errado, ferrou! Então a regra é: Pense, ache, desconfie e diga o famoso “será ?”. Será que Oslo (antiga Christiania ou Kristiania) é a capital e maior cidade da Noruega ? Você tem certeza, mas joga a isca contra os super-heróis, isso dá certo! Não afirme nada colega, principalmente com os sabichões na mesa: O silêncio é o melhor dos conselhos! Se tiver que falar seja humilde, não afirme, e se fores muito inteligente se faça de bobo, antes que “eles” te promovam a um bobo-maior!
Roberto Solano
A lagosta do Marimbás
A lagosta do Marimbás
Na década de 60 meu Pai se associou a este clube que á época era o “ must “ da nata social de Copacabana. Clube pequeno, no posto 6, abaixo do forte de Copacabana, desfruta de vista previlegiada e guarda barcos que dali saem para a pesca submarina, motivo de sua criação. Até hoje lá existe, recomendo uma visita !
O velho era um homem de vanguarda, teve o primeiro Karmann Guia na cidade ! Fica orgulhoso quando as pessoas estavam rodeando o carro, com olhar curioso. Esses fatos me marcaram, mas pelo peito inflado do contador do que pelo ato em si. Tinha que ser sócio de um clube privado e que oferecia o baile do Popaye, famoso por mulheres extravagantes, bebidas e lança perfume.
Copacabana era o bairro da moda, eu menino passeiava de carro com meus irmãos aos domingos, via o povo na av. Atlântica, arrumados, sapatos novos, vestidos coloridos. Ganhava um Algodão doce e voltava para a rotina: Meu Pai não gostava de crianças, fazia a sua parte dominical e pronto, basta.
Já maior, vim a conhecer o Marimbás aonde ele ia tomar seus Whisques com amigos na varanda, eu ficava na praia em frente e via os barcos chegando com peixes para a venda na calçada, minha mãe comprava. Um pouco mais velho comecei a desfrutar da lagosta : Os mergulhadores traziam lagostas frescas para a cozinha prepará-las, delícia dos deuses meus caros ! Antes de ir nós ligávamos para o clube, confirmando a presença do nobre crustáceo, marcando mesa na varanda. Me lembro de chegar com meu pai ao volante e um negão ( da maior qualidade ! ) nos receber vestido de comandante de navio ! Roupa impecável, luvas e a cordialidade que só o povo rico conhece, abria a porta e estacionava, era assim, muito “ chic “ . Tinha uma rampa de cimentado vermelho que chegava na varanda, a vista já começava a incomodar; a praia, as redes de vôlei em frente, barcos e banhistas margeando a princezinha do mar, Copacabana dos bons tempos, me incantava. Sentávamos em mesa redonda de frente para um janela vendo as delícias praianas e pedíamos a lagosta na manteiga. Ela chegava, linda, dourada, branca e macia. As batatas nadavam ao redor, faziam um balé lindo de se ver e comer. Quentes ! Eu sempre me queimava, era a gula e o desejo de comer o impossível, a lagosta fresca do Marimbás. Meu Pai fazia desse evento uma comemoração rara ! Poucos tinham esse direito de desfrutar da melhor comida, melhor vista do Rio de Janeiro e da melhor companhia : ELE . Sim, meu Pai sabia do riscado, era bom de marketing, um Deus que elegeu seu Olimpo na orla de Copacabana, eu me sentia um príncipe, com aquele sabor indecifrável do prato único, manjar dos deuses, a lagosta do Marimbás...
Na década de 60 meu Pai se associou a este clube que á época era o “ must “ da nata social de Copacabana. Clube pequeno, no posto 6, abaixo do forte de Copacabana, desfruta de vista previlegiada e guarda barcos que dali saem para a pesca submarina, motivo de sua criação. Até hoje lá existe, recomendo uma visita !
O velho era um homem de vanguarda, teve o primeiro Karmann Guia na cidade ! Fica orgulhoso quando as pessoas estavam rodeando o carro, com olhar curioso. Esses fatos me marcaram, mas pelo peito inflado do contador do que pelo ato em si. Tinha que ser sócio de um clube privado e que oferecia o baile do Popaye, famoso por mulheres extravagantes, bebidas e lança perfume.
Copacabana era o bairro da moda, eu menino passeiava de carro com meus irmãos aos domingos, via o povo na av. Atlântica, arrumados, sapatos novos, vestidos coloridos. Ganhava um Algodão doce e voltava para a rotina: Meu Pai não gostava de crianças, fazia a sua parte dominical e pronto, basta.
Já maior, vim a conhecer o Marimbás aonde ele ia tomar seus Whisques com amigos na varanda, eu ficava na praia em frente e via os barcos chegando com peixes para a venda na calçada, minha mãe comprava. Um pouco mais velho comecei a desfrutar da lagosta : Os mergulhadores traziam lagostas frescas para a cozinha prepará-las, delícia dos deuses meus caros ! Antes de ir nós ligávamos para o clube, confirmando a presença do nobre crustáceo, marcando mesa na varanda. Me lembro de chegar com meu pai ao volante e um negão ( da maior qualidade ! ) nos receber vestido de comandante de navio ! Roupa impecável, luvas e a cordialidade que só o povo rico conhece, abria a porta e estacionava, era assim, muito “ chic “ . Tinha uma rampa de cimentado vermelho que chegava na varanda, a vista já começava a incomodar; a praia, as redes de vôlei em frente, barcos e banhistas margeando a princezinha do mar, Copacabana dos bons tempos, me incantava. Sentávamos em mesa redonda de frente para um janela vendo as delícias praianas e pedíamos a lagosta na manteiga. Ela chegava, linda, dourada, branca e macia. As batatas nadavam ao redor, faziam um balé lindo de se ver e comer. Quentes ! Eu sempre me queimava, era a gula e o desejo de comer o impossível, a lagosta fresca do Marimbás. Meu Pai fazia desse evento uma comemoração rara ! Poucos tinham esse direito de desfrutar da melhor comida, melhor vista do Rio de Janeiro e da melhor companhia : ELE . Sim, meu Pai sabia do riscado, era bom de marketing, um Deus que elegeu seu Olimpo na orla de Copacabana, eu me sentia um príncipe, com aquele sabor indecifrável do prato único, manjar dos deuses, a lagosta do Marimbás...
Eu acho
Eu acho
Do verbo achar, muito usado e comum. Eu acho que o ano de 2011 será bom! Eu não concordo com o verbo em nossa língua portuguesa, ele pressupõe que você achou algo, encontrou o que querias, etc... Vamos para o Francês: “Je pense”, não é lindo? Eu penso que vou achar ou que é verdade o que penso, não achei nada ainda, certo? I think, também vai bem, o inglês também “pensa” não procura como nós. Eu acho... “Tem um gosto do definitivo, do certo, do “eu sei” , do “ Papai sabe tudo “ ( os mais velhos lembram ) , eu sei o que quero ! Másculo mesmo, poderoso. Vamos lá, trocar o “ acho “ por “ penso “ , que tal ? Mais inteligente, simpático, elegante mesmo. E dá um ar intelectual no locutor : “ Eu penso que o ano de 2011 será bom ! “Ficou mais leve e até poético, gostei! Eu não acho mais nada, pronto! Eu penso!
Sempre fui educado a ver o mundo falho, torto mesmo, como ele sempre foi. Meu pai dizia “Nunca afirme nada meu filho! Nada é absolutamente certo!” Verdade, hoje eu acho (achava, cacete! Já estava errando, EU PENSO!) que devemos ter cuidado com nossas certezas e cuidado com as pessoas para qual afirmamos a " nossa verdade “. Desconfie sempre! E pense muito, não ache nada, pesquise, ouça, olhe para os lados, e se possível diga “Nós achamos” ( merda de novo! Nós pensamos! ) aí vou te dar uma nota DEZ! Você é inteligente e corporativo! Equipe, meu velho, trabalho de equipe, tudo diluído, até o erro... Mas ás vezes tem que afirmar, e re-afirmar, com o tenho certeza! Se não tiver muita platéia concordata pise fundo: Tenho certeza ABSOLUTA! Meu amigo, estás na beira do abismo, se bobear você vai cair no abismo, se morrer na tua certeza passarás a ser o bobo da corte, um piadista ou um idiota mesmo, quiçá burro. CUIDADO! Certeza absoluta é um bilhete só de ida companheiro, sem crédito de milhas e sem previsão de retorno, avião vazio, vais saltar de pára-quedas, lá no meio do Alasca, se der sorte não cairás na cabeça do faminto urso polar, cuidado... Primeiro pense, depois ache, confira, dê uns beliscões na pele e se tiver bebido volte atrás. Depois conte até 10, respire fundo e dispare a bala: Eu tenho certeza! Na cartucheira a segunda bala: ABSOLUTA! Vá lá, veja se o tiro pegou no adversário, veja se ele morreu, esse duelo é mortal, querido. Cuidado! Quando achamos (porra! errei de novo!) que matamos a questão aparece um super-herói do nada, o Fantasma, ou o Batmam, pior ainda com o Tio Patinhas, e ele te dá o troco, prova que estás errado, ferrou! Então a regra é: Pense, ache, desconfie e diga o famoso “será ?”. Será que Oslo (antiga Christiania ou Kristiania) é a capital e maior cidade da Noruega ? Você tem certeza, mas joga a isca contra os super-heróis, isso dá certo! Não afirme nada colega, principalmente com os sabichões na mesa: O silêncio é o melhor dos conselhos! Se tiver que falar seja humilde, não afirme, e se fores muito inteligente se faça de bobo, antes que “eles” te promovam a um bobo-maior!
Roberto Solano
Do verbo achar, muito usado e comum. Eu acho que o ano de 2011 será bom! Eu não concordo com o verbo em nossa língua portuguesa, ele pressupõe que você achou algo, encontrou o que querias, etc... Vamos para o Francês: “Je pense”, não é lindo? Eu penso que vou achar ou que é verdade o que penso, não achei nada ainda, certo? I think, também vai bem, o inglês também “pensa” não procura como nós. Eu acho... “Tem um gosto do definitivo, do certo, do “eu sei” , do “ Papai sabe tudo “ ( os mais velhos lembram ) , eu sei o que quero ! Másculo mesmo, poderoso. Vamos lá, trocar o “ acho “ por “ penso “ , que tal ? Mais inteligente, simpático, elegante mesmo. E dá um ar intelectual no locutor : “ Eu penso que o ano de 2011 será bom ! “Ficou mais leve e até poético, gostei! Eu não acho mais nada, pronto! Eu penso!
Sempre fui educado a ver o mundo falho, torto mesmo, como ele sempre foi. Meu pai dizia “Nunca afirme nada meu filho! Nada é absolutamente certo!” Verdade, hoje eu acho (achava, cacete! Já estava errando, EU PENSO!) que devemos ter cuidado com nossas certezas e cuidado com as pessoas para qual afirmamos a " nossa verdade “. Desconfie sempre! E pense muito, não ache nada, pesquise, ouça, olhe para os lados, e se possível diga “Nós achamos” ( merda de novo! Nós pensamos! ) aí vou te dar uma nota DEZ! Você é inteligente e corporativo! Equipe, meu velho, trabalho de equipe, tudo diluído, até o erro... Mas ás vezes tem que afirmar, e re-afirmar, com o tenho certeza! Se não tiver muita platéia concordata pise fundo: Tenho certeza ABSOLUTA! Meu amigo, estás na beira do abismo, se bobear você vai cair no abismo, se morrer na tua certeza passarás a ser o bobo da corte, um piadista ou um idiota mesmo, quiçá burro. CUIDADO! Certeza absoluta é um bilhete só de ida companheiro, sem crédito de milhas e sem previsão de retorno, avião vazio, vais saltar de pára-quedas, lá no meio do Alasca, se der sorte não cairás na cabeça do faminto urso polar, cuidado... Primeiro pense, depois ache, confira, dê uns beliscões na pele e se tiver bebido volte atrás. Depois conte até 10, respire fundo e dispare a bala: Eu tenho certeza! Na cartucheira a segunda bala: ABSOLUTA! Vá lá, veja se o tiro pegou no adversário, veja se ele morreu, esse duelo é mortal, querido. Cuidado! Quando achamos (porra! errei de novo!) que matamos a questão aparece um super-herói do nada, o Fantasma, ou o Batmam, pior ainda com o Tio Patinhas, e ele te dá o troco, prova que estás errado, ferrou! Então a regra é: Pense, ache, desconfie e diga o famoso “será ?”. Será que Oslo (antiga Christiania ou Kristiania) é a capital e maior cidade da Noruega ? Você tem certeza, mas joga a isca contra os super-heróis, isso dá certo! Não afirme nada colega, principalmente com os sabichões na mesa: O silêncio é o melhor dos conselhos! Se tiver que falar seja humilde, não afirme, e se fores muito inteligente se faça de bobo, antes que “eles” te promovam a um bobo-maior!
Roberto Solano
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