Objetivo e objetiva
Volto a falar de um ensinamento paterno. Uns dirão que sou um eterno apaixonado pelo Pai, outros que sou saudosista e repetitivo, o último grupo não gostou do título e objetivamente vai parando por aqui.
O poder de coesão e simplificação do pensamento me seduz, gosto disso, do direto e condensado, da pílula que traz a cura, dose única, se possível. Agora vamos tomar 2 comprimidos para explicar o bem viver e talvez o caminho da felicidade e da realização pessoal. Abra a boca, copo d’água na mão e objetivo na outra, tome. Vais se sentir um pouco tonto, de início e desconcentrado depois, é o início do barato. Essa droga é pesada, colega, um alucinógeno (tirem os menores de idade da sala), a loucura é grande e a viagem vai mudar a tua vida, relaxe, feche teus olhos, ligue o som, e concentre-se. Uma escuridão ocupa tua mente, normal. Haja como um pintor e dê luz a sua tela, ela é só sua, você é um artista, comece com o branco, abra tua mente, vá para o teu cenário preferido, esprema tua imaginação, tire suco d’alma, crie. Criou ? O que queres para você ? Dinheiro, sexo, saúde, beleza, etc... Cada desejo uma cor, pinte e borde, a tua vida está , neste momento diante de ti, uma mágica, teu quadro. Imagine Paris, sol, o “jardin du Louxemburg “, flores, crianças correndo, o bom vinho na mão e tua companheira do lado : felicidade. Caribe, calor, mojito na cuca, salsa, você lá dançando ao lado da mais linda morena que já vistes ( ela estava no avião ), paquerou, gostou e a noite só começa com um belo beijo, faça-o realidade, tua vida teu sonho, pintura tropical... Grana, muita grana, aplicações, você faturando com a empresa, o negócio “ bombando “, pedidos chegando, uma loucura. Da onde saiu a idéia de fazer os doces maravilhosos da vóvó ? Deu certo, você saiu da merda, literalmente, resolveu tua dura vida de duro, agora só parabéns e “amigos” na tua cola, né? Sonhos... Criou teu objetivo ? Ele é o teu futuro, meu amigo. Agora abra os olhos, desligue o som, lave o rosto com água bem fria, mesa diante de ti, papel. Tome a segunda pílula, espere. Comece pelo básico : lembre-se do sonho, anote. Item um, dois, três... Estás concentrado ? Caixa de banco, Bradesco, atenção! Conte nas mãos essa moeda preciosa que é teu sonho, R$ 100,00 ( grana ), R$ 50,00 ( mulher ), R$ 20,00 ( Caribe ), R$ 10,00 ( Paris )... Não se esqueça das moedas (Tio Patinhas começou assim!), junte as de R$1,00 para a saúde, as menores contabilize sorte, fé, guarde-as com muito amor, os pequenos valores são os que vão crescer. Os cheques para compensar são da amizade (ás vezes voltam...), da fidelidade (cheque administrativo, dinheiro vivo), do amor (pré-datados). Aplique seu dinheiro, sem esquecer a poupança da sua vó ! Agora tens tudo, meu amigo : Objetivo e Objetiva ! Meu Pai dizia, com a simplicidade que cabia na cabeça mais sonhadora que conheci “Meu filho, para ser feliz o homem só precisa de 2 coisas : Objetivo e Objetiva !” A vida resumida em uma máquina fotográfica para você ver o mundo, fotografá-lo no mais belo e focar, bem perto no teu caminho: Pedra por pedra, pó e poeira, sol e chuva, dor e coragem, força e fé, vai dar certo, tenho certeza.
Bom ano novo prá você, meu amigo! Nos vemos no Caribe!Não se esqueças de me apresentar a linda morena, quem sabe ela não viajou com a loira dos MEUS SONHOS????
Roberto Solano
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Pio
Pio
Não é um Papa, é um piado:
“s.m. Voz imitativa de certas aves.
Recurso de que se servem caçadores para atrair pássaros.
Instrumento adaptado para esse fim. “
Outro dia um amigo me disse “ Você vai gostar desse carro hidramático porque você não tem direção esportiva! “ Magoei, mais por não entender direito o que significava a tal direção do que me sentir um sujeito “ não esportivo “, talvez careta e quem sabe um velho. Doeu...
Sempre admirei o vento como um personagem invisível do cinema, participa das cenas ao ar livre, faz os cabelos visíveis, embeleza as mulheres e é fundamental nos carros conversíveis! Eu acho o máximo, o camarada andando em uma estrada, ao sol, em um belo carro conversível (eu, pessoalmente, adoro os da marca Alfa Romeu), vermelho (tem que ser!), óculos escuros, vento no rosto e ao lado da linda mulher. Essa pode estar de lenço no cabelo ou descabelada mesmo, embora se o lenço for amarelo vai vestir como uma luva a minha imagem preferida. E lá vai o carro, suave, não corre tanto, o rádio toca um rock clássico ou um blues, o mar é azul esverdeado, não há outro carro, outra mulher, outro homem, e o tempo parece parar... Linda imagem, e para mim, um belo exemplo de direção esportiva; sempre abaixo dos 100 km / hora (se não voa o lenço da atriz!), velocidade que desliza o veículo, suavemente, adoro isso! Um dia realizarei esse desejo juvenil. Será que a tal “direção esportiva” é isso? Penso que não...
A imagem da galinha no quintal, seguida pelos lindos pintinhos, também mexe comigo... Pio, pio, pio... Lá vai a família unida...
Outro amigo gosta de correr, contra as metas que ele mesmo determina, bater seus próprios recordes, nem que não sejam objetivos, com finalidade. Ele já saiu de casa para o destino em cidade próxima, sem parar em um sinal! Isso é um recorde! E conseguir o mesmo só freando uma vez? Maravilha, não é mesmo? Subir a serra em quarta marcha, outro feito inigualável, são fatos relevantes, mas ele os mantém em segredo: Tudo que é valioso tem que se guardar! Vai que a moda pega e vão querer bater seus recordes??? Sacanagem.
Piu-Piu é um personagem interessante:
“ Piu-piu (Tweety), é um passarinho, personagem de desenho animado criado por Bob Clampett em 1940. Faz parte da série Looney Tunes, produzida pela Warner Bros. É perseguido por Frajola/Silvester.
Mostra-se como um personagem extremamente meigo e doce, mas reage com extrema maldade aos ataques do gato Frajola. Seu bordão é "Eu acho que vi um gatinho!"
“
Ele e o gato frajola, sempre há um final feliz para o pequeno projeto de galo, eu recomendo os desenhos animados!
Na minha juventude aprendi a dirigir, mas não aprendi a correr. Meu amigo Zé Luis, era uma fera, com seu poderoso Ford Maverik, dava shows de velocidade no aterro, sua pista particular, bons tempos sem multas eletrônicas, eu tinha inveja... Não do carro, nem da velocidade, sim da felicidade, do sorriso e da glória. A auto-estima vai aos céus! E eu procurando me animar pegando jacaré de peito nas praias cariocas, fazia bonito, porém saía da água do mar cansado, meio ofegante, pé de pato na mão e nada mais. Cadê o tesão, a sensação do recorde, do pódio imaginário? Estourar a champanhe com as lindas moças seminuas do teu lado, levantar o troféu! Meu recurso era levantar um copo de chope no bar da esquina, imaginando a minha felicidade idiota de pegar uma onda-caixote de 2 metros! Boa bosta! Que inveja tinha do Zé.
Tenho que perder o medo de dirigir, e quem sabe obter a licença para a prática da direção esportiva, que minha mulher definiu como: 1 ) Cantar pneu ; 2) Acelerar até o limite da marcha; 3 ) Não ficar atrás de nenhum carro ! Aí, caro leitor, fudeu geral! Eu adoro ler placa de caminhão nas estradas, acho criativo, divertido e filosófico! Como vou ler as ditas placas nessa velocidade infernal? Terei que praticar leitura dinâmica também? Os 2 primeiros itens já estou treinando, e com relativo sucesso, mas não abro mão das placas de caminhão, meu lado escritor precisa de informação.
Na verdade tenho medo do carro e de ser carona. Nada pior que um ás do volante mal acompanhado (ou vice-versa), me borro todo... Sou cagão mesmo, fico com dor na perna de tanto frear sem ter o freio no pé, rezo, seguro no " Puta-que-o-pariu " (aquele apoio de mão que o medroso usa ), tento me distrair, não dá colega... O zigue-zag do piloto, corta um, corta outro, cortando meu coração. Pálido fico, com vergonha de pedir para diminuir a velocidade. Hoje sei que todos os que dominam a tal “direção esportiva” são SURDOS !!!! Não adianta você pedir, ele não vai te atender e no máximo aumenta o som, só.
Nos anos 70 estava na faculdade e peguei uma carona com um “colega”, desconhecido, em um fuscão 1600, carburação dupla colega, o bicho corria, e da PUC até Ipanema foi uma tirada só. Pegamos o canal da Afrânio, sem parar nos sinais e na praia o cidadão fez a curva fechada para esquerda com classe, uma mão só no volante, olhando para o lado, confiante, derrapou, um pouco. O fusca balançou para um lado, para o outro e se aprumou na Vieira Souto, aonde o piloto atingiu sua velocidade de cruzeiro. Eu gelei, e apliquei o contra golpe do PIU-PIU, comecei a piar, baixinho, mais audível: Pio, pio, pio... E aquilo foi incomodando o Schumacher. Passou o sinal fechado: PIOOOOOOOOO. Acelerou mais, Pio,pio, pio,pio... Freou e falou “O que significa isso, você não fala, só pia?” E de pronto respondi” É que um colega lá da faculdade morreu, de acidente de automóvel, tadinho, morreu sem dar um PIO...”
Agradeci a carona, abandonei o bólide e voltei á pé prá casa, vendo o mar e as ondas, comecei a me orgulhar de saber nadar, ser jovem, saudável e saber pegar jacaré!
Roberto Solano
Não é um Papa, é um piado:
“s.m. Voz imitativa de certas aves.
Recurso de que se servem caçadores para atrair pássaros.
Instrumento adaptado para esse fim. “
Outro dia um amigo me disse “ Você vai gostar desse carro hidramático porque você não tem direção esportiva! “ Magoei, mais por não entender direito o que significava a tal direção do que me sentir um sujeito “ não esportivo “, talvez careta e quem sabe um velho. Doeu...
Sempre admirei o vento como um personagem invisível do cinema, participa das cenas ao ar livre, faz os cabelos visíveis, embeleza as mulheres e é fundamental nos carros conversíveis! Eu acho o máximo, o camarada andando em uma estrada, ao sol, em um belo carro conversível (eu, pessoalmente, adoro os da marca Alfa Romeu), vermelho (tem que ser!), óculos escuros, vento no rosto e ao lado da linda mulher. Essa pode estar de lenço no cabelo ou descabelada mesmo, embora se o lenço for amarelo vai vestir como uma luva a minha imagem preferida. E lá vai o carro, suave, não corre tanto, o rádio toca um rock clássico ou um blues, o mar é azul esverdeado, não há outro carro, outra mulher, outro homem, e o tempo parece parar... Linda imagem, e para mim, um belo exemplo de direção esportiva; sempre abaixo dos 100 km / hora (se não voa o lenço da atriz!), velocidade que desliza o veículo, suavemente, adoro isso! Um dia realizarei esse desejo juvenil. Será que a tal “direção esportiva” é isso? Penso que não...
A imagem da galinha no quintal, seguida pelos lindos pintinhos, também mexe comigo... Pio, pio, pio... Lá vai a família unida...
Outro amigo gosta de correr, contra as metas que ele mesmo determina, bater seus próprios recordes, nem que não sejam objetivos, com finalidade. Ele já saiu de casa para o destino em cidade próxima, sem parar em um sinal! Isso é um recorde! E conseguir o mesmo só freando uma vez? Maravilha, não é mesmo? Subir a serra em quarta marcha, outro feito inigualável, são fatos relevantes, mas ele os mantém em segredo: Tudo que é valioso tem que se guardar! Vai que a moda pega e vão querer bater seus recordes??? Sacanagem.
Piu-Piu é um personagem interessante:
“ Piu-piu (Tweety), é um passarinho, personagem de desenho animado criado por Bob Clampett em 1940. Faz parte da série Looney Tunes, produzida pela Warner Bros. É perseguido por Frajola/Silvester.
Mostra-se como um personagem extremamente meigo e doce, mas reage com extrema maldade aos ataques do gato Frajola. Seu bordão é "Eu acho que vi um gatinho!"
“
Ele e o gato frajola, sempre há um final feliz para o pequeno projeto de galo, eu recomendo os desenhos animados!
Na minha juventude aprendi a dirigir, mas não aprendi a correr. Meu amigo Zé Luis, era uma fera, com seu poderoso Ford Maverik, dava shows de velocidade no aterro, sua pista particular, bons tempos sem multas eletrônicas, eu tinha inveja... Não do carro, nem da velocidade, sim da felicidade, do sorriso e da glória. A auto-estima vai aos céus! E eu procurando me animar pegando jacaré de peito nas praias cariocas, fazia bonito, porém saía da água do mar cansado, meio ofegante, pé de pato na mão e nada mais. Cadê o tesão, a sensação do recorde, do pódio imaginário? Estourar a champanhe com as lindas moças seminuas do teu lado, levantar o troféu! Meu recurso era levantar um copo de chope no bar da esquina, imaginando a minha felicidade idiota de pegar uma onda-caixote de 2 metros! Boa bosta! Que inveja tinha do Zé.
Tenho que perder o medo de dirigir, e quem sabe obter a licença para a prática da direção esportiva, que minha mulher definiu como: 1 ) Cantar pneu ; 2) Acelerar até o limite da marcha; 3 ) Não ficar atrás de nenhum carro ! Aí, caro leitor, fudeu geral! Eu adoro ler placa de caminhão nas estradas, acho criativo, divertido e filosófico! Como vou ler as ditas placas nessa velocidade infernal? Terei que praticar leitura dinâmica também? Os 2 primeiros itens já estou treinando, e com relativo sucesso, mas não abro mão das placas de caminhão, meu lado escritor precisa de informação.
Na verdade tenho medo do carro e de ser carona. Nada pior que um ás do volante mal acompanhado (ou vice-versa), me borro todo... Sou cagão mesmo, fico com dor na perna de tanto frear sem ter o freio no pé, rezo, seguro no " Puta-que-o-pariu " (aquele apoio de mão que o medroso usa ), tento me distrair, não dá colega... O zigue-zag do piloto, corta um, corta outro, cortando meu coração. Pálido fico, com vergonha de pedir para diminuir a velocidade. Hoje sei que todos os que dominam a tal “direção esportiva” são SURDOS !!!! Não adianta você pedir, ele não vai te atender e no máximo aumenta o som, só.
Nos anos 70 estava na faculdade e peguei uma carona com um “colega”, desconhecido, em um fuscão 1600, carburação dupla colega, o bicho corria, e da PUC até Ipanema foi uma tirada só. Pegamos o canal da Afrânio, sem parar nos sinais e na praia o cidadão fez a curva fechada para esquerda com classe, uma mão só no volante, olhando para o lado, confiante, derrapou, um pouco. O fusca balançou para um lado, para o outro e se aprumou na Vieira Souto, aonde o piloto atingiu sua velocidade de cruzeiro. Eu gelei, e apliquei o contra golpe do PIU-PIU, comecei a piar, baixinho, mais audível: Pio, pio, pio... E aquilo foi incomodando o Schumacher. Passou o sinal fechado: PIOOOOOOOOO. Acelerou mais, Pio,pio, pio,pio... Freou e falou “O que significa isso, você não fala, só pia?” E de pronto respondi” É que um colega lá da faculdade morreu, de acidente de automóvel, tadinho, morreu sem dar um PIO...”
Agradeci a carona, abandonei o bólide e voltei á pé prá casa, vendo o mar e as ondas, comecei a me orgulhar de saber nadar, ser jovem, saudável e saber pegar jacaré!
Roberto Solano
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Homem que é homem
Homem que é homem
Fui criado com a educação clássica, para ser homem, macho e viril! Homem que é homem não chora isso todos sabem. Meu avô dizia, “Um homem só é homem conquanto coloque a meia em pé!” Vôvô está difícil prá caramba! Confesso que estou manchando o nome da família e colocando a meia sentado na cama, perdoa-me... Meu pai dizia que remédio bom para curar a flacidez nos países baixos era usar colar de milho! Sim, o pinto vai olhar prá cima, e tudo se resolve. Uma vez ele me disse “Meu filho, meu pinto se apaixonou pelos meus pés, quando estou de pé ele olha prá baixo, quando me deito ele continua olhando, é uma paixão absoluta!”, eu ria, mas pensava nos tempos antigos. Você já tomou uma gemada? Essa geração não conhece o poder de uma gemada, cura tudo! E alimenta! Não gostava daquilo não, mas era macho e tomava. Meu Pai comia 2 ovos quentes por dia, pela manhã, cedinho, minha Mãe era cuidadosa com isso, 1 minuto e meio na água fervendo, manteiga derretida e a mistura estava feita. Lembro das mãos longas do meu velho picando o pão torrado que caía suavemente sobre a saborosa mistura, ele comia de lamber os beiços!
Canja de galinha, outra prova de que você vai melhorar! Seja o que for, adoeceu e acamou: Canja de galinha! Não gostava, mas, de novo macho, tomava, firme, de colher em colher, morna...
Escalda pés... Vi poucas vezes, mas relaxava e prevenia o organismo, funciona mesmo! Banho frio é sacanagem! Nunca enfrentei, nisso fui frouxo mesmo, até conhecer a “sauna de pobre”: Você toma seu banho na temperatura que desejas e no final vai aumentando a água quente sobre as costas, vai suportando até sentir-se em uma sauna a vapor, então o colega fecha tudo e abre a água gelada no costado. Confesso que quase morri ao fazer tal operação em Bariloche, o pinto sumiu! Recomendo a prática em países tropicais “solamiente”.
Dor de garganta? Infalível o gargarejo com um bom uísque, arde e mata as bactérias, pode fazer que dá certo! Meu amigo são tantas soluções simples que vais querer abrir uma clínica após essa leitura. O que interessa mesmo, e me marcou para sempre, era o carinho com que se tratava o doente; desde o médico de família até o cobertor suavemente ajeitado no teu pescoço pela carinhosa mãe. E o beijo na testa ? Esse é infalível! Um beijo na testa e o tradicional “durma com os anjos”, a luz se apagava e vinha a certeza de que você é forte, capaz, homem ! E homem que é homem não chora e enquanto puder vai colocando a meia de pé!
Roberto Solano
Fui criado com a educação clássica, para ser homem, macho e viril! Homem que é homem não chora isso todos sabem. Meu avô dizia, “Um homem só é homem conquanto coloque a meia em pé!” Vôvô está difícil prá caramba! Confesso que estou manchando o nome da família e colocando a meia sentado na cama, perdoa-me... Meu pai dizia que remédio bom para curar a flacidez nos países baixos era usar colar de milho! Sim, o pinto vai olhar prá cima, e tudo se resolve. Uma vez ele me disse “Meu filho, meu pinto se apaixonou pelos meus pés, quando estou de pé ele olha prá baixo, quando me deito ele continua olhando, é uma paixão absoluta!”, eu ria, mas pensava nos tempos antigos. Você já tomou uma gemada? Essa geração não conhece o poder de uma gemada, cura tudo! E alimenta! Não gostava daquilo não, mas era macho e tomava. Meu Pai comia 2 ovos quentes por dia, pela manhã, cedinho, minha Mãe era cuidadosa com isso, 1 minuto e meio na água fervendo, manteiga derretida e a mistura estava feita. Lembro das mãos longas do meu velho picando o pão torrado que caía suavemente sobre a saborosa mistura, ele comia de lamber os beiços!
Canja de galinha, outra prova de que você vai melhorar! Seja o que for, adoeceu e acamou: Canja de galinha! Não gostava, mas, de novo macho, tomava, firme, de colher em colher, morna...
Escalda pés... Vi poucas vezes, mas relaxava e prevenia o organismo, funciona mesmo! Banho frio é sacanagem! Nunca enfrentei, nisso fui frouxo mesmo, até conhecer a “sauna de pobre”: Você toma seu banho na temperatura que desejas e no final vai aumentando a água quente sobre as costas, vai suportando até sentir-se em uma sauna a vapor, então o colega fecha tudo e abre a água gelada no costado. Confesso que quase morri ao fazer tal operação em Bariloche, o pinto sumiu! Recomendo a prática em países tropicais “solamiente”.
Dor de garganta? Infalível o gargarejo com um bom uísque, arde e mata as bactérias, pode fazer que dá certo! Meu amigo são tantas soluções simples que vais querer abrir uma clínica após essa leitura. O que interessa mesmo, e me marcou para sempre, era o carinho com que se tratava o doente; desde o médico de família até o cobertor suavemente ajeitado no teu pescoço pela carinhosa mãe. E o beijo na testa ? Esse é infalível! Um beijo na testa e o tradicional “durma com os anjos”, a luz se apagava e vinha a certeza de que você é forte, capaz, homem ! E homem que é homem não chora e enquanto puder vai colocando a meia de pé!
Roberto Solano
Madame Complain
Madame Complain
Madame vem do francês e todos sabem, já o verbo “To complain” é da língua inglesa e significa RECLAMAR, junte os dois e verás o meu personagem de hoje : Madame Complain. Eu conheço uma e já vi várias, existem por aí e se você, caro leitor, prestar atenção vai localizar uma no teu ciclo de amigos.
Lembram da piada do Zé com a Share Stone? O Zé naufraga e sobra com a belíssima atriz em uma ilha deserta, e na falta do que fazer rola um sexo selvagem por vários dias, regado a água de côco e peixe assado (deve ser uma combinação extremamente afrodisíaca). Belo dia o nosso herói broxou... E continuou amuado até a nossa deliciosa Stone reclamar “O que está havendo Zé? Não dá mais no couro?”, imagino que em inglês fique assim” What's happen, Darling? Do you never more beat on the leather?”, sim Zé estava caído. Mas nosso herói bolou a solução e vestiu a sua amada com a roupa do capitão morto e fizeram o encontro na praia, onde ele diz para o amigo fantasiado (ela vestida de homem!) que está comendo a Share Stone! Sim, voltou o vigor, a alegria, e foram felizes até o resgate da marinha americana ! Conclusão, temos que contar o fato heróico para alguém, é vital saborear a vitória e , por outro lado, liberar o sofrimento. Aí é que entra a Madame Complain ! Ela sofre com tudo gente, como todos nós, do engarrafamento, do parco salário, do chefe chato e agressivo, do time rebaixado para a segundona, a empregada faltou! Um absurdo! Tudo é dramático e ela sofre. Tem que desabafar sempre precisa de um colo amigo para debulhar as lágrimas de seu martírio. Amplifica a dor, no máximo da sua capacidade interpretativa, ela é atriz, e de primeira linha: Dramática, ganha o Oscar, te faz acreditar no que fala, e você se compadece... Uma vez, duas, três e descobre que ela é a Madame Complain ! Aí enche o saco, a mesma ladainha, e você se vacina e vê que a novela da globo não é real, a " Passione “é mais embaixo, daí começa a se irritar com amiga, tenha calma! Ela é boa pessoa, só que muito carente, é isso. Ela é uma que sofre e divulga boa de mídia! Como você e tantas outras necessitam de platéia: Zé, eu comi a Share Stone! O fluminense é campeão ! O complexo do Alemão está tranqüilo e vou rezar na igreja da Penha! Na versão negativa, o Mengão não tem solução, o Rio vai alagar nesse verão, meu carro vai ter perda total, e se bobear vou ficar desempregada... Tadinha dela sofram por ela, e se quiserem ajudar chorem, ela vai amar!
Mamãe já dizia: “Quem não chora não mama!” Certo, não mama, não madame, don’t complain! Please...
Roberto Solano
Madame vem do francês e todos sabem, já o verbo “To complain” é da língua inglesa e significa RECLAMAR, junte os dois e verás o meu personagem de hoje : Madame Complain. Eu conheço uma e já vi várias, existem por aí e se você, caro leitor, prestar atenção vai localizar uma no teu ciclo de amigos.
Lembram da piada do Zé com a Share Stone? O Zé naufraga e sobra com a belíssima atriz em uma ilha deserta, e na falta do que fazer rola um sexo selvagem por vários dias, regado a água de côco e peixe assado (deve ser uma combinação extremamente afrodisíaca). Belo dia o nosso herói broxou... E continuou amuado até a nossa deliciosa Stone reclamar “O que está havendo Zé? Não dá mais no couro?”, imagino que em inglês fique assim” What's happen, Darling? Do you never more beat on the leather?”, sim Zé estava caído. Mas nosso herói bolou a solução e vestiu a sua amada com a roupa do capitão morto e fizeram o encontro na praia, onde ele diz para o amigo fantasiado (ela vestida de homem!) que está comendo a Share Stone! Sim, voltou o vigor, a alegria, e foram felizes até o resgate da marinha americana ! Conclusão, temos que contar o fato heróico para alguém, é vital saborear a vitória e , por outro lado, liberar o sofrimento. Aí é que entra a Madame Complain ! Ela sofre com tudo gente, como todos nós, do engarrafamento, do parco salário, do chefe chato e agressivo, do time rebaixado para a segundona, a empregada faltou! Um absurdo! Tudo é dramático e ela sofre. Tem que desabafar sempre precisa de um colo amigo para debulhar as lágrimas de seu martírio. Amplifica a dor, no máximo da sua capacidade interpretativa, ela é atriz, e de primeira linha: Dramática, ganha o Oscar, te faz acreditar no que fala, e você se compadece... Uma vez, duas, três e descobre que ela é a Madame Complain ! Aí enche o saco, a mesma ladainha, e você se vacina e vê que a novela da globo não é real, a " Passione “é mais embaixo, daí começa a se irritar com amiga, tenha calma! Ela é boa pessoa, só que muito carente, é isso. Ela é uma que sofre e divulga boa de mídia! Como você e tantas outras necessitam de platéia: Zé, eu comi a Share Stone! O fluminense é campeão ! O complexo do Alemão está tranqüilo e vou rezar na igreja da Penha! Na versão negativa, o Mengão não tem solução, o Rio vai alagar nesse verão, meu carro vai ter perda total, e se bobear vou ficar desempregada... Tadinha dela sofram por ela, e se quiserem ajudar chorem, ela vai amar!
Mamãe já dizia: “Quem não chora não mama!” Certo, não mama, não madame, don’t complain! Please...
Roberto Solano
domingo, 5 de dezembro de 2010
A Dúvida
A Dúvida
Mal maior. Nascemos com sentidos para perceber fatos, pessoas, ver. Não sabemos do não saber, e nasce a dúvida. Uma sensação rápida, sempre coerente no primeiro momento e monstruosa em seguida. Ela se multiplica por si só, calada, não se manifesta, mora na tua cabeça e nela é dominadora. Com a dúvida tua vida se paralisa, morre de autoflagelo, se condena à própria forca. Não posso nem pensar na dita que me desequilibro, preciso saber do bem, do mal, sofrer com a matéria, sentir a dor, respirar a solidão, cavar meu desespero para enterrar o que me matou. Tenho que ser e viver de coisas palpáveis não dá para ser escravo da imaginação, isso gera a loucura e o caminho não tem volta.
Se não sabes onde estás, com quem vives, se a verdade é falsa, o amigo um traidor, a fidelidade uma hipótese, a vida uma eternidade de interrogações, estás no inferno. Não há sangue, não terás o fogo te queimando vivo, o veneno já te contaminou na veia jugular, não tens a resposta. Não há vida sem resposta, o mundo te engole, e ficarás um paralítico de tua própria respiração, a cada segundo a dúvida te consome como uma erva daninha, vai te abraçando lentamente, subindo no teu caule de gente e trazendo parasitas e vermes para te consumir, lentamente.
È melhor ver, sentir a faca te penetrar do que saber a notícia da condenação, que não terás a chance de retroceder, e viver no corredor da morte, pagando teus pecados ou mastigando o amargo da tua inocência. Não podemos saber da morte e muito menos viver a dúvida dela.
Perdão, mas fiquei realmente em dúvida se deveria te falar isso como um amigo ou um inimigo, se esse texto te fará sofrer ou em um desespero máximo te abrir os olhos para esse monstro escuro, que te habita, me habita, ser humano, eu.
Roberto Solano
Mal maior. Nascemos com sentidos para perceber fatos, pessoas, ver. Não sabemos do não saber, e nasce a dúvida. Uma sensação rápida, sempre coerente no primeiro momento e monstruosa em seguida. Ela se multiplica por si só, calada, não se manifesta, mora na tua cabeça e nela é dominadora. Com a dúvida tua vida se paralisa, morre de autoflagelo, se condena à própria forca. Não posso nem pensar na dita que me desequilibro, preciso saber do bem, do mal, sofrer com a matéria, sentir a dor, respirar a solidão, cavar meu desespero para enterrar o que me matou. Tenho que ser e viver de coisas palpáveis não dá para ser escravo da imaginação, isso gera a loucura e o caminho não tem volta.
Se não sabes onde estás, com quem vives, se a verdade é falsa, o amigo um traidor, a fidelidade uma hipótese, a vida uma eternidade de interrogações, estás no inferno. Não há sangue, não terás o fogo te queimando vivo, o veneno já te contaminou na veia jugular, não tens a resposta. Não há vida sem resposta, o mundo te engole, e ficarás um paralítico de tua própria respiração, a cada segundo a dúvida te consome como uma erva daninha, vai te abraçando lentamente, subindo no teu caule de gente e trazendo parasitas e vermes para te consumir, lentamente.
È melhor ver, sentir a faca te penetrar do que saber a notícia da condenação, que não terás a chance de retroceder, e viver no corredor da morte, pagando teus pecados ou mastigando o amargo da tua inocência. Não podemos saber da morte e muito menos viver a dúvida dela.
Perdão, mas fiquei realmente em dúvida se deveria te falar isso como um amigo ou um inimigo, se esse texto te fará sofrer ou em um desespero máximo te abrir os olhos para esse monstro escuro, que te habita, me habita, ser humano, eu.
Roberto Solano
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Sofrimento
Sofrimento
Tema delicado, sentimento direto, ligado a dor. A dor, já dizia o Dr. Jatene, “A dor é como o amor, só sabe quem sente”, verdade pura, a minha dor não será igual a sua; mesmo a física, cada um responde de uma forma, temos defesas maiores ou não. Não vou falar do lado triste do sofrimento, esse é banal, e mais simples. Quero falar do lado bom, o que pode nos trazer algo de muito positivo, nascendo no negativo. Posso dizer que sofrer é necessário, faz o nosso limite humano. As alegrias são sempre voláteis, curtas, rápidas e enganosas. Procure aí, dentro da cachola, os bons momentos de tua vida, tente relembrá-los, pescou um? Agora vá lá no fundo e pegue uma perda, uma dor maior, é fácil não é mesmo. A dor é lambari e a alegria um robalo, na pescaria da vida, temos mais lambaris, mas esse humilde peixe pode ser um bom peixe! Não desanime.
Eu tenho uma natureza mais introvertida e propensa ao sofrimento, sensível talvez. E não sou o otimista do dia a dia, tendo mais para ver o lado ruim, por defesa mesmo, isso não é bom! Já maturei e redobro meus cuidados com o meu lado triste e pessimista, hoje tiro proveito dele! Fiquei “esperto” e posso dar umas dicas valiosas. Meu médico disse que é do estrume que adubamos as plantas e chegamos à flor! Gostei da metáfora, e pensei: Os poetas, escritores, artistas, são criativos na fossa, no mais profundo da tristeza saem versos e idéias maravilhosas. Se o Vinícius de Moraes não fosse nunca chifrado, abandonado pela amada, aonde iria nossa música e letra, o que seria do parceiro Toquinho? Talvez professor de Português (ele tem cara não tem?). O Lupicínio, tadinho... Já te convenci? Então vamos entender um pouco do masoquista, o que gosta de sofrer, esse é o topo da loucura maturada, sujeito complicado, doente mesmo... Aprenderemos com ele? Sim, é valioso ver o valor da dor nos atos humanos, a dor direcionada e que te emociona pelo autor. Explico: A dor tem que ter mídia, o proprietário tem que valorizar o produto e por mais louco que isso seja ele tem que sofrer feliz, como as Mães, resignadas, como Cristo em sua longa caminhada até a morte. Exagero de exemplo, mas nos faz pensar, se ele, o filho de Deus, não morresse em sofrimento máximo, na dor infinita, teria se mostrado ao mundo como fez? Um Cristo assassinado em uma emboscada, não tem a mesma força da morte na Cruz.
Então, você tem que aprender a sofrer para renascer mais forte, procurando mostrar o valor da tua dor, com um sorriso, com esperança. A dor constrói e a falta dela é a nulidade do homem sem memória, sem valor, um pária na vida, um morto-vivo. Viva a sua dor como padre vive a sua renúncia ao sexo, doe-se a ela, essa malvada no fundo é boa Mãe, te educa, te ensina a viver melhor; e humanamente verás o outro com mais doçura, entendendo da falta, da fome, do frio, valorizarás o cobertor, o carinho, a mão estendida do melhor amigo, e bem melhor serás!
Roberto Solano
Tema delicado, sentimento direto, ligado a dor. A dor, já dizia o Dr. Jatene, “A dor é como o amor, só sabe quem sente”, verdade pura, a minha dor não será igual a sua; mesmo a física, cada um responde de uma forma, temos defesas maiores ou não. Não vou falar do lado triste do sofrimento, esse é banal, e mais simples. Quero falar do lado bom, o que pode nos trazer algo de muito positivo, nascendo no negativo. Posso dizer que sofrer é necessário, faz o nosso limite humano. As alegrias são sempre voláteis, curtas, rápidas e enganosas. Procure aí, dentro da cachola, os bons momentos de tua vida, tente relembrá-los, pescou um? Agora vá lá no fundo e pegue uma perda, uma dor maior, é fácil não é mesmo. A dor é lambari e a alegria um robalo, na pescaria da vida, temos mais lambaris, mas esse humilde peixe pode ser um bom peixe! Não desanime.
Eu tenho uma natureza mais introvertida e propensa ao sofrimento, sensível talvez. E não sou o otimista do dia a dia, tendo mais para ver o lado ruim, por defesa mesmo, isso não é bom! Já maturei e redobro meus cuidados com o meu lado triste e pessimista, hoje tiro proveito dele! Fiquei “esperto” e posso dar umas dicas valiosas. Meu médico disse que é do estrume que adubamos as plantas e chegamos à flor! Gostei da metáfora, e pensei: Os poetas, escritores, artistas, são criativos na fossa, no mais profundo da tristeza saem versos e idéias maravilhosas. Se o Vinícius de Moraes não fosse nunca chifrado, abandonado pela amada, aonde iria nossa música e letra, o que seria do parceiro Toquinho? Talvez professor de Português (ele tem cara não tem?). O Lupicínio, tadinho... Já te convenci? Então vamos entender um pouco do masoquista, o que gosta de sofrer, esse é o topo da loucura maturada, sujeito complicado, doente mesmo... Aprenderemos com ele? Sim, é valioso ver o valor da dor nos atos humanos, a dor direcionada e que te emociona pelo autor. Explico: A dor tem que ter mídia, o proprietário tem que valorizar o produto e por mais louco que isso seja ele tem que sofrer feliz, como as Mães, resignadas, como Cristo em sua longa caminhada até a morte. Exagero de exemplo, mas nos faz pensar, se ele, o filho de Deus, não morresse em sofrimento máximo, na dor infinita, teria se mostrado ao mundo como fez? Um Cristo assassinado em uma emboscada, não tem a mesma força da morte na Cruz.
Então, você tem que aprender a sofrer para renascer mais forte, procurando mostrar o valor da tua dor, com um sorriso, com esperança. A dor constrói e a falta dela é a nulidade do homem sem memória, sem valor, um pária na vida, um morto-vivo. Viva a sua dor como padre vive a sua renúncia ao sexo, doe-se a ela, essa malvada no fundo é boa Mãe, te educa, te ensina a viver melhor; e humanamente verás o outro com mais doçura, entendendo da falta, da fome, do frio, valorizarás o cobertor, o carinho, a mão estendida do melhor amigo, e bem melhor serás!
Roberto Solano
Chegou Natal
Chegou Natal
O espírito natalino já dá o ar de sua graça, as ruas se enfeitam, shoppings decorados, propagandas infindas nos jornais e televisão. Eu, pessoalmente, já não gosto do natal, cresci, sofri a desilusão de não acreditar no bom (será que ele é bom?) velhinho, fiquei velho e chato. Tem gente que adora, mesmo adulto, curte as brincadeiras de amigo secreto e outras babaquices que os que não gostam não podem dizer que não gosta, e isso é chato, você não quer participar da brincadeira e vai dizer pro teu chefe, me tire da lista! Duvido, perde a simpatia do grupo, vira um chato de carteirinha. Mas que é chato é, principalmente o amigo secreto que você escolhe teu próprio presente! Muito chato cadê a surpresa? Porém, são os tempos de contenção econômica, verba curta, fica como está e pronto, vá pra festa com teu presente disfarçado para não ser descoberto, teu amigo secreto pediu uma caneta, vá embrulhá-la em uma caixa de sapato! Se ele pediu uma sandália dê uma BIC e depois das risadas (forçadas de todos) tire de dentro de seu casaco a sandália escondida, etc... Que graça tem isso? Confraternização colega, hora de mostrar teu lado humano e alegre, se arrume direitinho (o patrão nota detalhes), não leve teu cunhado chato pra festa da empresa, ele bebe e fica se engraçando pra gostosa da secretária que o chefe está pegando, cuidado! Faça cara de compenetração (não é com a penetração não, isso é outra estória, mais erótica) e mire seu chefe ou o dono da empresa, reze nessa hora e acredite no sucesso desse ano e no mercado futuro, nas oportunidades vindouras no crescimento econômico da empresa, na solidez do negócio. Dê uma olhada na Mercedes nova do “big boss”, nos peitos de silicone da patroa e acredite que você vai ter um aumento no próximo ano! Creia nisso, leia “o segredo” e seja positivo colega, o sol nasce para todos, mas é muito mais gostoso no caribe, meu bom companheiro do departamento, sorria para o pessoal do RH, esses são muito sensíveis, e faça bonito na festa de fim de ano.
Você aí gosta do natal? Então vá parando sua leitura por aqui, eu vou falar mal. Não gosto da falsidade, do presente obrigatório, do Saara lotado, do cunhado e das bebedeiras natalinas. Castanha e nozes passo batido. Cidra, alguém já tomou coisa pior? Vinho, aí tem do bom e o garrafão, meio fora de moda, mas um sucesso ainda entre os menos favorecidos, o Peru e o pernil, nada que me faça bem e o fígado velho agradece quando como só o bacalhau, esse sim é uma exceção! A árvore é outro elemento complicado, eu nunca me dei bem com a dita cuja, me espeta, dá choque, caiem aquelas malditas bolinhas, enfim, essa brincadeira não é boa para um sujeito que não sabe segurar os 2 pauzinhos de comida japonesa...
O Papai Noel, esse é uma figura interessante, mora no frio o ano todo, faz porra nenhuma, só lê carta e coça o saco, é gordo, barrigudo e gosta de ouvir os pedidos da criançada. Dizem que tem um trenó e com uns viados puxando, devia chegar no mês passado e dar uma voltinha na avenida Atlântica com os milhares de viados da terra, na parada Gay! O nosso Papai Noel é um sofredor, naquela roupa quente, fazendo bico em shoppings, mas eu concordo com a atividade, desde que Eu não seja o Papai Noel da família, tudo bem!
As decorações, aí tem de tudo, os prédios se enfeitam ou se maquiam, sim prefiro entender como uma maquiagem, normalmente mal feita nas fachadas. Tem prédio que o síndico deve ser sócio da companhia de luz e dana-se a iluminar a fachada, normalmente com aqueles fios de pequeníssimos pontos de luz, que beleza, uma penteadeira de puta... Botam aquelas árvores com presentes vazios no hall de entrada, acumulando poeira (eu sempre espirro quando olho aquilo lá no canto). Mas as crianças gostam, disse a minha mulher, posso concordar, é um sonho é bonito na imaginação delas, tudo bem, estou até gostando... Mas Papai Noel escalando o prédio, aí é sacanagem! Fico muito PUTO mesmo! Propaganda enganosa. No meu tempo o bom velhinho vinha de noite pela chaminé ou janela (Mamãe dizia para deixar aberta, “Botei meu sapatinho na janela do quintal...”), eu aceitava, era crível que ele pudesse chegar de táxi, com o saco vermelho (o do Collor é roxo, não se esqueçam!) e colocar meu presentinho na janela, ou se fosse mais “descolado” entraria na casa, silencioso. Agora, vender a idéia, que o velhaco escala fachada, é demais! E está na moda, você compra o boneco e pendura (pendura a conta também, é fácil ) na varanda, na janela, a gosto. Tem um modelo que o “homem aranha da Ferrari” vem com escada e tudo! Isso me irrita, como pode, não há explicação, o velhinho não pode ser alpinista, nem ladrão. Tô fora dessa mentira, não comprem, deixe-me acreditar no que eu nunca vi, mas que venha de táxi, suba de elevador e deixe o meu relógio ROLEX debaixo da minha cama, viu? Vai que o gordinho despenca lá de cima...
Roberto Solano
O espírito natalino já dá o ar de sua graça, as ruas se enfeitam, shoppings decorados, propagandas infindas nos jornais e televisão. Eu, pessoalmente, já não gosto do natal, cresci, sofri a desilusão de não acreditar no bom (será que ele é bom?) velhinho, fiquei velho e chato. Tem gente que adora, mesmo adulto, curte as brincadeiras de amigo secreto e outras babaquices que os que não gostam não podem dizer que não gosta, e isso é chato, você não quer participar da brincadeira e vai dizer pro teu chefe, me tire da lista! Duvido, perde a simpatia do grupo, vira um chato de carteirinha. Mas que é chato é, principalmente o amigo secreto que você escolhe teu próprio presente! Muito chato cadê a surpresa? Porém, são os tempos de contenção econômica, verba curta, fica como está e pronto, vá pra festa com teu presente disfarçado para não ser descoberto, teu amigo secreto pediu uma caneta, vá embrulhá-la em uma caixa de sapato! Se ele pediu uma sandália dê uma BIC e depois das risadas (forçadas de todos) tire de dentro de seu casaco a sandália escondida, etc... Que graça tem isso? Confraternização colega, hora de mostrar teu lado humano e alegre, se arrume direitinho (o patrão nota detalhes), não leve teu cunhado chato pra festa da empresa, ele bebe e fica se engraçando pra gostosa da secretária que o chefe está pegando, cuidado! Faça cara de compenetração (não é com a penetração não, isso é outra estória, mais erótica) e mire seu chefe ou o dono da empresa, reze nessa hora e acredite no sucesso desse ano e no mercado futuro, nas oportunidades vindouras no crescimento econômico da empresa, na solidez do negócio. Dê uma olhada na Mercedes nova do “big boss”, nos peitos de silicone da patroa e acredite que você vai ter um aumento no próximo ano! Creia nisso, leia “o segredo” e seja positivo colega, o sol nasce para todos, mas é muito mais gostoso no caribe, meu bom companheiro do departamento, sorria para o pessoal do RH, esses são muito sensíveis, e faça bonito na festa de fim de ano.
Você aí gosta do natal? Então vá parando sua leitura por aqui, eu vou falar mal. Não gosto da falsidade, do presente obrigatório, do Saara lotado, do cunhado e das bebedeiras natalinas. Castanha e nozes passo batido. Cidra, alguém já tomou coisa pior? Vinho, aí tem do bom e o garrafão, meio fora de moda, mas um sucesso ainda entre os menos favorecidos, o Peru e o pernil, nada que me faça bem e o fígado velho agradece quando como só o bacalhau, esse sim é uma exceção! A árvore é outro elemento complicado, eu nunca me dei bem com a dita cuja, me espeta, dá choque, caiem aquelas malditas bolinhas, enfim, essa brincadeira não é boa para um sujeito que não sabe segurar os 2 pauzinhos de comida japonesa...
O Papai Noel, esse é uma figura interessante, mora no frio o ano todo, faz porra nenhuma, só lê carta e coça o saco, é gordo, barrigudo e gosta de ouvir os pedidos da criançada. Dizem que tem um trenó e com uns viados puxando, devia chegar no mês passado e dar uma voltinha na avenida Atlântica com os milhares de viados da terra, na parada Gay! O nosso Papai Noel é um sofredor, naquela roupa quente, fazendo bico em shoppings, mas eu concordo com a atividade, desde que Eu não seja o Papai Noel da família, tudo bem!
As decorações, aí tem de tudo, os prédios se enfeitam ou se maquiam, sim prefiro entender como uma maquiagem, normalmente mal feita nas fachadas. Tem prédio que o síndico deve ser sócio da companhia de luz e dana-se a iluminar a fachada, normalmente com aqueles fios de pequeníssimos pontos de luz, que beleza, uma penteadeira de puta... Botam aquelas árvores com presentes vazios no hall de entrada, acumulando poeira (eu sempre espirro quando olho aquilo lá no canto). Mas as crianças gostam, disse a minha mulher, posso concordar, é um sonho é bonito na imaginação delas, tudo bem, estou até gostando... Mas Papai Noel escalando o prédio, aí é sacanagem! Fico muito PUTO mesmo! Propaganda enganosa. No meu tempo o bom velhinho vinha de noite pela chaminé ou janela (Mamãe dizia para deixar aberta, “Botei meu sapatinho na janela do quintal...”), eu aceitava, era crível que ele pudesse chegar de táxi, com o saco vermelho (o do Collor é roxo, não se esqueçam!) e colocar meu presentinho na janela, ou se fosse mais “descolado” entraria na casa, silencioso. Agora, vender a idéia, que o velhaco escala fachada, é demais! E está na moda, você compra o boneco e pendura (pendura a conta também, é fácil ) na varanda, na janela, a gosto. Tem um modelo que o “homem aranha da Ferrari” vem com escada e tudo! Isso me irrita, como pode, não há explicação, o velhinho não pode ser alpinista, nem ladrão. Tô fora dessa mentira, não comprem, deixe-me acreditar no que eu nunca vi, mas que venha de táxi, suba de elevador e deixe o meu relógio ROLEX debaixo da minha cama, viu? Vai que o gordinho despenca lá de cima...
Roberto Solano
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