sábado, 26 de março de 2022

Pão de açúcar

 O pão de açúcar é servido

Em mesa de concreto

Beira mar

Como deve ser


De aperitivo a vista esplêndida

Curvas saborosas

A cidade maravilhosa


O prato principal é o morro maior

O mais alto e doce 

Feito de açúcar e encantado


No Rio de Janeiro tão desejado


Roberto Solano Novaes

O negro

 A raça negra, talvez por ser pura

Os negros talvez por serem os primeiros

São condenados

Crucificados


Nas mãos os calos e o sangue doado

Na mente o inconformismo secular

No corpo a força vestida de gala

Na alma a verdade incansável


De ser gente


Roberto Solano Novaes


Foto de Fabrine reis




segunda-feira, 21 de março de 2022

Homenagem à dois gênios

 Quando a nave espacial Oscar Niemeyer partiu em direção à Lua


Dois gênios lá estavam: Oscar Niemeyer e Bruno Contarini 

Na bagagem muitas pranchetas, desenhos e, sobretudo, desafios

Projetos, anteprojetos, rabiscos e muita competência 

A nave decolou suave, como pluma na rota certeira

Lá longe a Lua, como boa amante, esperava toda linda

A viagem foi só de ida, um para sempre inesquecível, pra lá estacionar

Por isso quando vejo a Lua e suas curvas me lembro:

Do museu, Niterói, traços do arquiteto maior e dos entrincados cálculos de engenheiro magnífico.

sexta-feira, 18 de março de 2022

Escorar o Sol

 São três frágeis gravetos atrevidos

Pousados sobre árvore fraquinha

Em atitude de bravura foram

Escorar o Sol


O céu a tudo assistia calado 

Umas nuvens riam de longe

Um astro desavisado parou

Pra olhar


E assim o Sol sobreviveu de sua queda

Ia morrer no impacto fatal

E hoje ainda vivo está 

Graças aos três gravetos atrevidos

Sobre uma árvore fraquinha




Foto de Izilda Bueno Venturini


Oscar Niemeyer vai pra Lua


Foto de Luiz Bhering


 Quando a nave espacial Oscar Niemeyer partiu em direção à Lua

O dia estava claro e a decolagem foi perfeita

Na bagagem muitas pranchetas e desenhos 

Projetos, anteprojetos, rabiscos e alguns poemas 

Na cabine de comando ELE, o genial Oscar, traçando a rota

Lá longe a Lua, como boa amante, esperava toda linda

A viagem foi só de ida, um para sempre inesquecível, pra lá ficar

Por isso quando vejo a Lua e suas curvas me lembro

Do museu, de Niterói, das pranchetas e do divino dono delas

quinta-feira, 17 de março de 2022

 Metade beleza, metade mistério

Meio ar, meio água

Meio som, meio borbulhas

Sem um meio de ser inteira

Só na beleza infinda

Aquela que não tem início

Muito menos meio

Nem fim 


Foto de Alessandro Di Cicco





Um sonho indígena


Foto de Luiz Bhering



 Em um descortinando de folhas

Como um sonho indígena

Uma imagem aflora

Na flora divina um Rio

De janeiro e único

Domina a paisagem

Por si só, maravilhosa